quinta-feira, 22 de junho de 2017

A FÉ QUE SALVA E A FÉ QUE NÃO SALVA



A declaração de Paulo ao seu carcereiro em Atos 16:31, onde ele afirmou: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”, deixa bastante claro que a salvação vem por meio da fé em Jesus Cristo. Então isto significa que basta crer em Jesus para ser salvo? Para responder esta pergunta é necessário compreendermos a natureza desta fé. Em primeiro lugar, a fé que salva não é a mera crença na existência de Deus e no sacrifício de Cristo na cruz. Ela não é produto da racionalização humana, mas da ação sobrenatural de Deus, que por sua vez envolve a compreensão racional da verdade de Cristo através do Espírito Santo. Muitas pessoas comemoram o nascimento e a ressurreição de Cristo sem se darem conta daquilo que essas datas realmente significam. Essa crença pode ser racional ao ponto de levar o homem a abraçar o cristianismo por acreditar em suas verdades, por compreender que de fato Cristo deu a sua vida para nos salvar ou simplesmente por entender que é um bom caminho a seguir quando se deseja uma vida de bênçãos. A grande maioria das pessoas que professam a fé cristã crê dessa forma. Os próprios demônios creem, como lemos em Tiago 2:19.
Essa crença, todavia, não produz salvação, porque somente a razão não promove a regeneração necessária à conversão e à fé salvífica. É possível, então, que muitos "crentes" não irão para o céu, por maiores que tenham sido os seus feitos aqui na terra em nome de Jesus. Naquele dia muitos dirão: Senhor! Senhor! Entretanto, o Senhor lhes afirmará: “Nunca vos conheci”. Qual é, então, a fé que pode salvar o pecador? É aquela que, além da aceitação intelectual do Evangelho, gera rendimento incondicional à pessoa de Jesus e à sua autoridade, como escreveu John MacArthur (2008). A fé que salva não fica apenas na mente, nas declarações de fé, nos debates teológicos, nas práticas religiosas e litúrgicas. Ela desce para o coração, convence o homem do seu pecado, regenera-o e reconcilia-o com Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos crentes de Roma: “Se, com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10:9,10). Muitos creem, mas nem todos obedecem ao Evangelho, como afirmou o profeta Isaías: “Senhor, quem acreditou na nossa pregação?” (Is 53:10).
A fé que salva parte de uma regeneração efetuada no coração do pecador pelo Espírito Santo, que o capacita a ter a fé necessária para se salvar. Esta fé gera novo nascimento e uma nova vida totalmente dedicada a Deus. Na fé que não salva, o homem permanece dono do seu próprio caminho; na fé que salva ele não vive mais para si, mas Cristo vive nele e ele vive para Cristo. Na fé que não salva não existe compromisso com os valores do Reino dos céus, mas a fé que salva busca em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça. A fé que não salva é antropocêntrica, a fé que salva é cristocêntrica. A primeira produz religião, a segunda produz frutos de justiça. Na primeira morrerá incontável número de pessoas, e pela segunda viverão os eleitos. A fé que não salva pode até produzir obras, mas a sua motivação é errada, pois pretende ganhar com isso o favor de Deus. A fé que salva não vem de obras, mas é dom de Deus e promove obras. Saber que Deus existe todos parecem saber, segui-lo e servi-lo poucos querem fazer. Clamar a Jesus que acorde do seu sono no barco em meio à tempestade, muitos fazem; mas a amá-lo e a obedecer aos seus mandamentos poucos se propõem.  A fé que salva nos faz diminuir para que Cristo apareça. Ela cria compromisso com o Evangelho, com as almas perdidas, com os pobres do mundo, com a obra do Senhor, com o amor e a justiça. A fé que não salva não está interessada no céu, mas mantém seu coração fixo nas coisas deste mundo. A fé que salva envolve o coração do crente num anseio santo que clama: “Maranata! Vem, Senhor Jesus.”


Trecho da apostila CURSO DE FORMAÇÃO DE EVANGELISTAS, no capítulo 10: A DOUTRINA DA SALVAÇÃO.


Mizael de Souza Xavier



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, jamais comente anonimamente. Escrevi publicamente e sem medo. Faça o mesmo ao comentar. Grato.