quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A PESCA MARAVILHOSA - DEUS TRANSFORMA A NOSSA REALIDADE




Lucas 5:1-11

            Cada pessoa que nasce na Terra é um ser individual, mesmo que manifeste características próprias de uma cultura. Somos diferentes em muitas coisas, desde os aspectos físicos até o conteúdo do nosso caráter e como nos comportamos em sociedade. Apenas uma característica une todos os seres humanos e os torna parte de um único rebanho: o pecado original. Por mais diferentes que sejamos uns dos outros, a mancha do pecado nos une numa realidade distante da presença de Deus, carentes de salvação. E se todos pecaram e carecem da glória de Deus, todos também estão unidos a uma única possibilidade de salvação: a fé em Jesus Cristo. Então, mais uma vez a individualidade se faz presente, quando aqueles que aceitam a Jesus como Senhor e Salvador são separados daqueles que não creem, que amam mais as trevas que a luz. Estes continuam com a sua realidade terrena e pecaminosa, que os conduzirá brevemente ao inferno, enquanto aqueles, pela graça de Deus, recebem a vida eterna que os levará até o céu.
            Um relato bíblico demonstra essa verdade. Os apóstolos tiveram a sua vida literalmente e radicalmente dividida em antes e depois de Cristo. Os discípulos foram chamados para seguir a Jesus quando estavam lidando com a realidade do seu dia a dia, em seus afazeres familiares e profissionais. Alguns estavam pescando, outro estava na coletoria de impostos e todos estavam desfrutando de uma vida distante da glória de Deus; alguns de forma consciente, talvez; outros de forma bastante consciente. O fato é que a chegada de Jesus nas suas vidas transformou completamente a sua realidade. O trecho da Bíblia intitulado “A pesca Maravilhosa”. O relato de Lucas mostra pescadores que recolhiam as redes. Eram dois barcos, mas Jesus escolheu deliberadamente entrar em um deles. Vemos logo que quem toma a atitude de nos buscar é Deus. Jesus já sabia desde a eternidade que naquele barco estaria um dos seus seguidores. Ele criou Simão Pedro e desde antes da fundação do mundo já havia preparado um plano para ele.
            De boa vontade, Simão recebeu o Senhor em seu barco, e este passou a ensinar às multidões que ali havia se reunido. Após essa pregação, Jesus pediu que o barco fosse levado para distante da praia e que as redes fossem lançadas para que eles pescassem. Baseado na experiência anterior em quê não havia pescado nada, Simão esclarece que a noite fora frustrante, pois não haviam pescado nada, mas que lançaria as redes em obediência à palavra do Mestre. O resultado foi de fato uma pesca maravilhosa que quase fez afundar a embarcação. Simão então caiu em si e percebeu diante de quem ele estava. Ele exclamou: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador”. Enquanto muitos hoje, diante das maravilhas operadas por Deus, tornam-se soberbos e se veem no direito de exigir de Deus os seus milagres, Pedro se reconheceu pecador indigno de estar na presença do Senhor. Este foi o primeiro passo para que ele viesse a ter a sua realidade transformada; reconhecer a sua pequenez diante da Majestade do Senhor, enxergar-se como pecador indigno do Salvador.
            Após a pesca maravilhosa e o reconhecimento de que Jesus era o Senhor, a realidade de Pedro, bem como Tiago e João mudou completamente. O evangelista Marcos expressa melhor este chamado; “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1:17). A partir desse instante, aqueles homens não estavam mais preocupados com a sua profissão e seus lucros, mas abandonaram tudo para seguirem a Jesus. Após não haverem pescado nada naquela noite e dependendo dessa pesca para manter o seu negócio, eles viram o seu barco quase naufragar com tantos peixes que foram apanhados. Imaginem que grande lucro eles obteriam com a venda do pescado! Mas a Palavra de Deus afirma: “E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram” (Lc 5:11). Isso mesmo, eles simplesmente abandonaram todo aquele lucro financeiro em prol de um lucro maior: pescar homens. O que eles ganhariam pescando homens? Será que imaginavam que Jesus os estava convocando à captura e à venda de escravos? Com certeza não. Eles sabiam diante de quem estavam e qual seria a sua missão: salvar almas. Incrivelmente, ao contrário da mentalidade evangélica de hoje que abre mão das pessoas para tomar posse da bênção, aqueles pescadores abriram mão da benção que acabaram de receber para tomar posse do ministério de salvar pessoas.
            Deus transforma a nossa realidade! Lendo todos os relatos bíblicos sobre a vida de Pedro e as suas epístolas, vemos o que esse encontro com Jesus representou na sua vida e como a sua vida, uma vez transformada, foi poderosamente utilizada para alcançar – pescar – outras vidas. Todos nascem pecadores, mas podem alcançar a salvação em Cristo (Jo 3:16,36; Rm 3:23,24). Quando escolhidos e salvos por Ele, nada mais nos importa, apenas deixar tudo para trás e segui-lo. Somos transformados por sua graça, santificados por seu Santo Espírito, regenerados, redimidos, justificados, adotados como filhos. Somos salvos para as obras (Ef 2:8-10), para demonstrarmos através das nossas atitudes o poder de Deus que opera eficazmente em nós. O Senhor nos salva e nos faz pescadores de homens, envia-nos a pregar a sua Palavra e nos usa para propagar o seu Reino eterno. Se a nossa realidade ainda não foi transformada, se escolhemos ficar com os peixes – as bênçãos – ao invés de seguir o Mestre, pode ser que ainda estejamos no velho barco da nossa existência, tentando pescar vida, mas colhendo decepções e vendo todas as manhãs as nossas redes vazias. Será que estamos dispostos a abandonar a nossa rede cheia de peixes para seguir a Jesus?

Este estudo faz parte do livro OS SETE BARCOS DE DEUS. Em breve!

Mizael de Souza Xavier 



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ERROS A SEREM EVITADOS NA LEITURA E NO ESTUDO DA BÍBLIA



            Aqui aprenderemos formas geralmente aceitas pela Igreja cristã de interpretação das Sagradas Escrituras. Não é o objetivo deste estudo apresentar subsídios para estudos teológicos aprofundados, que requereriam o estudo dos manuscritos originais, entre outras coisas, mas oferecer ao estudante leigo e/ou iniciante da Palavra de Deus condições de entender o que a Bíblia nos diz na nossa própria língua. Uma das maiores barreiras para esta empreitada abençoada não é nem tanto o não saber como fazer, mas o fazer da forma incorreta. Existem muitos erros cometidos na interpretação da Bíblia, não somente por aqueles que não possuem ainda familiaridade com ela, mas também, e principalmente, por muitos que já a estudam a anos e o fazem cometendo sempre os mesmos erros. Então, antes de aprendermos o “como fazer”, vamos aprender o “como não fazer”.
            Alguns dos erros a serem evitados pelo estudioso da Bíblia são:


Fundamentalismo versus literalismo

            Algumas correntes cristãs criticam a leitura “fundamentalista” da Bíblia por confundirem-na com a leitura literalista. Para eles, o fundamentalismo se atém ao texto sem levar em conta a interpretação, praticando a Bíblia ao pé da letra. Esta informação é inverídica. Na verdade, o fundamentalismo e o literalismo se diferem bastante. O fundamentalismo foi um movimento americano surgido na primeira metade do século XX e buscava manter um firme compromisso com certos “fundamentos” da fé cristã, como uma reação à teologia liberalista ou modernista que se tornavam bastante populares nas igrejas e seminários protestantes. Dessa forma, o fundamentalismo defende as principais verdades bíblicas aceitas por católicos e protestantes, como os acontecimentos miraculosos registrados na Bíblia, a concepção e o nascimento virginal de Cristo, a sua ressurreição e a sua segunda vinda gloriosa. Os liberais ou modernistas rejeitarão essas crenças (GRENZ, GURETZKI, NORDILING, 2005). Logo, o fundamentalismo é sadio, ele defende as principais doutrinas cristãs contra as inovações teológicas que pretendem retirar da Bíblia a sua inspiração divina, tratando-a apenas como um livro de religião, histórias e fábulas.
            O literalismo também tem a sua funcionalidade. De acordo com os autores supracitados, o literalismo busca uma “Fidelidade rigorosa a determinada palavra ou significado, tanto na interpretação como na tradução de textos bíblicos”. O seu objetivo é compreender a intenção do autor dentro do próprio texto e do seu contexto, não para os dias de hoje, mas para os leitores originais para os quais o texto fora escrito. Busca-se o significado mais claro e evidente do texto, segundo a opinião do intérprete, alcançando o máximo de exatidão. Então onde está o erro a ser evitado? O erro está em não interpretar corretamente o que o texto diz, deixando de levar em conta as figuras de linguagem da Bíblia, produzindo uma interpretação equivocada. Aqueles que criticam o fundamentalismo e o literalismo, geralmente não levam ao pé da letra o que deveriam levar. Vamos a dois exemplos:

1) João 4:16-18. O texto completo (1-18) mostra o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Em seu diálogo, o Senhor Jesus demonstra sua onisciência, demonstrando já conhecer a vida daquela mulher. Contra o fundamentalismo e o literalismo, alguns estudiosos afirmam que os versículos 16 a 18 não devem ser interpretados de forma literal, isto é, a samaritana não era uma prostituta nem alguém com um sério problema de relacionamento que já possuíra vários maridos, mas que Jesus estava falando simbolicamente, referindo-se à religião pagã dos samaritanos que adoravam diversas divindades. Todavia, todo o texto nos mostra claramente que a fala de Jesus dizia respeito á vida pessoal da samaritana, e isso é comprovado mais adiante, no v. 29. Sendo assim, a interpretação aqui deveria ser literalista.

2) Mateus 5:27-32. Este é um texto que não deve ser compreendido de forma literalista, no sentido de tomá-lo ao pé da letra. Jesus não está dizendo que devemos arrancar o olho fora ou cortar a mão. Ele está usando esses termos de maneira simbólica para demonstrar como deve ser o nosso trato com o pecado, porque o pecado não é culpa nem do objeto do nosso desejo nem do nosso olho ou da nossa mão, mas do nosso coração. Leia Marcos 7:21,22 e veja como está no coração o que faz os olhos desejarem e as mãos pegarem. Então devemos arrancar o coração? Certamente que não! O remédio verdadeiro é a conversão e a santificação.


Espiritualização indevida

            A leitura antifundamentalista das Escrituras acaba pendendo para dois lados: o liberalismo, que veremos mais adiante, e a espiritualização dos textos. Espiritualizar (ou alegorizar) é ir além daquilo que o texto realmente diz na tentativa de encontrar um sentido mais profundo. Muitas igrejas pentecostais e, acima de tudo, neopentecostais, costumam usar desse artifício em seus ensinos e pregações. Esse tipo de leitura retira totalmente o sentido original do texto e leva-o a dizer aquilo que o estudioso ou pregador deseja que ele diga. Por exemplo, usar o texto da passagem do povo hebreu pelo deserto para dizer que estamos enfrentando um deserto na nossa vida, mas Deus está conosco e vai nos dar a vitória. Ou o de Davi e Golias para falar dos nossos inimigos ou das nossas dificuldades. Embora seja uma aplicação prática do texto, não é sobre isso que ele fala. Deus não vai abrir o mar na nossa vida, nem vai fazer cair maná do céu, muito menos derrubar as muralhas como fez em Jericó. São interpretações espiritualizadas e equivocadas. É preciso diferenciar o que a Bíblia diz à nação de Israel e o que diz a nós, Igreja.


O liberalismo teológico e a neo-ortodoxia

            O pior erro na interpretação da Bíblia é o liberalismo teológico. Ele desconstrói praticamente tudo aquilo em que os cristãos ortodoxos acreditam. O liberalismo teológico extrapolou questões meramente teológicas sobre a autenticidade da Bíblia e a existência de Deus, como apregoavam os deístas. Ele infiltrou-se mesmo nas confissões ortodoxas, que creem na existência de Deus, na inspiração das Escrituras e na divindade de Cristo, bem como na historicidade e na veracidade dos milagres Bíblicos, do nascimento virginal de Jesus, na sua ressurreição dentre os mortos, na sua volta gloriosa para o resgate da sua Igreja e o julgamento final. Tal liberalismo, reconhecendo as Escrituras, negam-na através de suas práticas antibíblicas, que não se resumem à criação de heresias, mas que se estendem à moralidade e à ética cristãs. Temas polêmicos como o aborto, a eutanásia, a pena de morte e o homossexualismo são defendidos por tal teologia e por aqueles que dela se servem, segundo o que lhes for conveniente. Para os liberais, não existem milagres na Bíblia, a criação do mundo e do homem são baseadas em mitos, o dilúvio não existiu nem a passagem do Mar Vermelho. Eles creem que a Bíblia não é a Palavra de Deus e está repleta de erros.
            A neo-ortodoxia (nova ortodoxia) vinha resgatar o lugar de Deus e da Bíblia na vida da Igreja, colocando freios ao idealismo pós-moderno e liberal, bem como pós-neoliberal, para trazer a cristandade de volta à forma correta de entender e viver a sua fé. Os neo-ortodoxos, segundo Nicodemus (2012, p. 87), levantaram-se contra a rigidez e o ceticismo do liberalismo, que não deixava a voz de Deus ser ouvida através da Bíblia. Os neo-ortodoxos, porém, mantêm a visão equivocada de que a Escritura está repleta de erros e contradições, afirmando que, ainda assim, Deus fala hoje. Segundo eles, “O maior de todos os milagres é exatamente que Deus nos fala através de palavras imperfeitas, erradas, imprecisas e equivocadas desse livro” (NICODEMUS, idem). Sem descartar a posição dos liberais, a neo-ortodoxia desejava manter a relevância bíblica, criando um paradoxo teológico insustentável à luz da ortodoxia. Eles criam que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas “contém a Palavra de Deus”, que deve ser descoberta pelo intérprete. Um grande equívoco.


Eisegese ou Exegese?

            Para interpretar a Bíblia é preciso mergulhar em seu conteúdo para extrair dele o seu real significado, aquilo que o autor quis dizer para os leitores originais. Somente após fazer este caminho, chegando a uma interpretação correta do texto, é podemos aplicá-lo corretamente na nossa própria realidade. Dificilmente textos como Deuteronômio 21:18-21, Levítico 19:27 e Números 5:1-4 terão algum significado para nós nos dias de hoje. Por outro lado, não podemos espremer a Bíblia para forçá-la a dizer o que queremos que ela diga. Os espíritas hão de encontrar em suas páginas textos que supostamente apóiam a teoria da reencarnação. Os teólogos da prosperidade irão até ela e tirarão os textos que, segundo eles, comprovam que Deus quer que fiquemos todos financeiramente ricos. Os teólogos da libertação acharam que a libertação do homem pouco ou nada tinha a ver com a salvação da alma, mas com a libertação social. Todos mergulharam na Bíblia e a interpretação do seu ponto de vista, não do que Deus havia escrito.
            Este é um dos maiores problemas na leitura e na interpretação da Bíblia, especialmente para os iniciantes. O leitor está passando por problemas pessoais e tem se sentido triste e oprimido. Ele então abre a Bíblia e busca nela textos que digam algo ao seu coração. Claro que encontrará, mas nem sempre será o texto correto. Sempre nos aproximaremos da Palavra de Deus em busca de respostas para as nossas dores e crises existenciais, o que não é errado. Mas é necessário fazer uma interpretação correta antes de aplicarmos qualquer texto à nossa vida pessoal. Esse movimento errôneo ao qual estamos nos referindo chama-se “eisegese”. Em seu livro, Correia Júnior (2006, p. 9), traz como primeiro passo da análise do texto bíblico a eisegese. Ele explica que esta palavra vem do grego, sendo formada por eis (“para dentro”) + egese (“movimento”, “condução”). É aquilo que, segundo o autor, motiva-nos a buscar o texto bíblico, o interesse que nos impulsiona às Sagradas Escrituras. Embora seja verdade que ninguém se aproxima do texto sem fazer questionamentos da vida cotidiana, o autor erra ao afirmar que “São nossos interesses hermenêuticos que darão início à análise e, provavelmente, percorrerão todo o trabalho até a reflexão hermenêutica final” (idem). Essa forma equivocada de interpretação bíblica é que tem gerado inúmeros equívocos interpretativos e não poucas heresias. Quem assim procede, não está interessado em conhecer o que a Bíblia diz, mas encontrar apoio bíblico para aquilo que se quer dizer. Então, o que é correto fazer ao abrirmos a Bíblia para lê-la e interpretá-la? O correto é fazer a “exegese”, como veremos mais adiante.


A Bíblia serve ao que ela se propõe

            A Bíblia trata sobre a Revelação de Deus, aquilo que Ele escolheu nos revelar acerca da sua pessoa e da sua vontade. Nela encontraremos a direção de Deus para todas as áreas da nossa vida e até para a nossa eternidade. Logo, a Bíblia contém respostas para tudo dentro daquilo que ela se propõe a responder. Não adianta buscarmos na Palavra de Deus explicações para eventos científicos, pois não encontraremos. De onde vêm os dinossauros? A Bíblia não explica.
            A Bíblia também não se propõe a ser um livro de sortes. Não existe nada de místico nela. Ela não é um talismã. Algumas pessoas abrem a Bíblia a esmo, apontam para ela, lendo o primeiro versículo onde o dedo tocar. Ao fazerem isso, creem que Deus está falando com elas naquele momento. Não importa o tempo e o texto, a Bíblia sempre será Deus falando conosco, mas não é assim que devemos fazer. Não podemos escolher um texto aleatoriamente para segui-lo sem estudá-lo primeiramente, pois corremos inúmeros riscos. O primeiro é de não ter a real vontade de Deus para nós naquele momento, o segundo é fazer a coisa errada, dependendo do texto que escolhemos. Costuma-se dizer que uma pessoa que estava passando por terríveis problemas pegou a Bíblia e a abriu aleatoriamente, lendo o versículo em que o seu dedo pousou. Ela leu Mateus 27:5: “Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo e, saindo, foi e enforcou-se”. Julgando ter lido o texto errado, fez nova tentativa. O seu dedo caiu em Lucas 10;37, bem onde diz “Vá e faça o mesmo”.
            Não adianta ter a Bíblia aberta em casa no Salmo 91, porque ela não vai proteger o nosso lar contra coisa alguma. Não adianta recitar o Salmo 23 (ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum...) ao passar por uma rua escura de madrugada, porque isso não vai nos proteger contra assaltos. Não resolve nada, no momento da aflição, dizer: Tudo posso naquele que me fortalece. Os textos bíblicos não são mantras! A Palavra de Deus foi escrita para ser lida, estudada, compreendida e obedecida, isto é: ela precisa se transformar em prática na nossa vida. Muitos leitores se atém somente ao livro dos Salmos, enquanto outros preferem ler apenas os Evangelhos. Tanto um quanto outro estão em busca daquilo que é do seu interesse. Mas a Bíblia deve ser entendida como um todo. Os Evangelhos são o cumprimento do que foi escrito nos outros livros do Antigo Testamento. As epístolas são as diretrizes para a Igreja. muitos pregadores se atém apenas aos livros do Antigo Testamento e sustentam a fé da Igreja apenas com eles, acima de tudo os textos que falam de promessas. Mais adiante veremos mais a fundo essa questão.
            Outra forma errada de lidar com a Palavra de Deus é explicá-la baseados em “achismos”. Já participei de alguns cursos bíblicos onde as pessoas eram indagadas a respeito de algum tema bíblico e iniciam as suas explicações afirmando categoricamente: “Eu acho...”. Após essa declaração, as explicações que se seguem não são acompanhadas de qualquer base bíblica. Por exemplo: “Eu acho que após a morte ficamos num estado de suspensão espiritual aguardando a volta de Jesus”; “Eu acho que ninguém pode afirmar que é salvo”; “Eu acho que a pessoa não peca nunca mais depois de convertida”, “Eu acho que a salvação está só em Jesus”. São muitas afirmações, algumas verdadeiras, outras falsas, mas todas desprovidas dos devidos textos bíblicos. Tudo o que afirmamos, falamos, escrevemos ou ensinamos a respeito da Palavra de Deus deve ter base bíblica sólida. Não basta dizermos que achamos que vamos para o céu, é preciso comprovar isso através da Bíblia.


O perigo da leitura tendenciosa

Certo dia, ao orar, veio-me à mente o livro do profeta “Jeremias 33 e 34”. Após terminar a oração, peguei a Bíblia para ler e constatei que não existia versículo 34 no capítulo 33 e que este só ia até o versículo 26, mas o versículo 3 do capítulo 33 estava sublinhado. Está escrito: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes”. Somente este versículo bastaria para me alegrar durante o dia inteiro e me colocar a espera da minha “vitória oculta” que o Senhor iria me trazer. Mas eu sabia que o que Deus queria era que eu lesse os capítulos 33 e 34 inteiros. E foi o que eu fiz. Descobri que as coisas ocultas que Deus queria revelar ao profeta Jeremias eram, na verdade, o pecado do povo de Israel e a forma como o Senhor os entregaria nas mãos dos caldeus, por conta da sua desobediência aos seus mandamentos. Com o objetivo santo e soberano de corrigir e purificar o seu povo, Deus retribuiria com juízo o mal que eles estavam causando. O Senhor diz a Jeremias: “Eis que darei ordem, diz o Senhor, e os farei tornar a esta cidade, e pelejarão contra ela, tomá-la-ão e a queimarão a fogo; e as cidades de Judá porei em assolação, de sorte que ninguém habite nelas” (34:22).
Essa experiência me lembrou o quanto somos tendenciosos a buscar versículos na Bíblia que vão ao encontro das nossas necessidades, e dizemos que Deus falou, revelou e confirmou nossos anseios e questionamentos. Mas a Bíblia deve ser lida em todo o seu contexto e o versículo que escolhemos deve dizer aquilo que ele realmente diz e não o que queremos que ele diga. Deus não vai usar a sua Palavra de forma equivocada e até mesmo deturpada para nos comunicar algo. Pecamos por nossa ignorância ou por má fé. Além de contar com a iluminação do Espírito Santo na nossa leitura da Bíblia, é muito interessante aprendermos uma ciência interpretativa chamada Hermenêutica, que nos ensina como fazer a correta interpretação de um texto bíblico.



REFORÇANDO O APRENDIZADO


1) Busque em dicionários bíblicos ou na Internet o significado do seguintes termos: alegoria, deísmo (deísta), ortodoxia, nascimento virginal, eutanásia, pós-neoliberal, ceticismo, paradoxo.

2) O que é a eisegese e qual o seu risco para o estudo da Bíblia?

3) Por que o liberalismo é nocivo ao estudo das Sagradas Escrituras?

4) Qual a visão neo-ortodoxa da Bíblia?

5) Quê textos bíblicos você sempre leu ou escutou alguma pregação de forma espiritualizada e fora do contexto?

6) Quais os benefícios de uma leitura fundamentalista da Bíblia?

7) Na sua opinião, qual a maneira mais incorreta de se estudar a Bíblia?

NÃO PERCA O LIVRO:




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

NEEMIAS: LIDERANÇA E INTEGRIDADE




Introdução[1]
2 Coríntios 8:21

Líderes íntegros usados por Deus, esta é uma das grandes necessidades da Igreja nos dias de hoje. Vemos homens e mulheres à frente de grandes denominações, preocupados em lotar templos e em oferecer a sua própria imagem e carisma como porto seguro para a fé dos seus congregados. Vemos grandes oradores que arrastam multidões com o poder da neurolinguística e com a oferta de uma teologia pobre e egocêntrica, que molda uma imagem destorcida de Deus e faz com que as pessoas acreditem que elas mesmas são deuses. Vemos também pastores doentes e desanimados por não se dobrarem a esse tipo de liderança e ao mesmo tempo encontrarem barreiras para continuar pregando e vivendo o verdadeiro Evangelho de Cristo. Vemos, ainda, aqueles que jamais se deixam desanimar e enfrentam o inimigo com a força da sua fé e do seu caráter cristão, entendendo que quantidade não é qualidade e que meia dúzia de pessoas reunidas num templo é a Igreja do Senhor. Mas também vemos depravação, corrupção, estelionato, adultério, demonstrando uma total falta de referenciais, o desprezo às Escrituras, um viver carnal e distante do Espírito Santo.
Precisamos de lideranças que se deixem impregnar totalmente com a santidade da Palavra de Deus, que sejam pessoas íntegras e guerreiras, que entendam que a soberania de Deus não é negociável e que não tenham o caráter moldado pelo mundo, mas pela cruz de Cristo. Temos na Bíblia grandes exemplos de líderes moldados por Deus e poderosamente usados. Não eram super-humanos, mas pessoas comuns que possuíam algo incomum: a vontade de servir àquele que os comissionara. Neemias foi um desses grandes líderes. A sua história e o seu caráter nos ajudarão a pensar sobre que tipo de líderes somos e que tipo de líderes Deus espera que sejamos, líderes íntegros usados para os propósitos eternos do seu Reino.

Leitura complementar: Lucas 16:10,11; Provérbios 10:9; 11:3; 1 Pedro 3:16; Colossenses 3:23.


Liderança e influência
Neemias 1:1-3

Falar sobre liderança envolve questões complexas e profundas. Além da Palavra de Deus como supremo referencial, temos uma variedade imensa de autores que pesquisaram e escreveram sobre o tema; muitos deles, líderes que produziram ótimos estudos a partir da sua própria vivência, como John Maxwell. Um dos conceitos básicos sobre o que é ser um líder é: líder é aquele que faz as coisas através das outras pessoas. Maxwell resumiu a essência da liderança em “influência”. Ambas as definições estão corretas, tendo em vista que o líder deve ser capaz de influenciar os outros a agirem em prol da construção de algo. Esse tipo de atitude é o que vemos claramente no líder Neemias. A história de Neemias é uma história que traz lições profundas para aquele que deseja exercer liderança na obra do Senhor. O líder Neemias se destaca por dois aspectos muito importantes entre aqueles que iremos estudar: ele era um homem de oração e de confiança em Deus.
Neemias exercia uma importante posição trabalhando para o rei da Pérsia (445 a.C.), mas abriu mão dela ao saber que os judeus estavam sofrendo e que a cidade de Jerusalém estava destruída, os seus muros derrubados e as suas portas queimadas (1:1-3). Analisando os principais fatos da vida de Neemias, observando a sua constante dependência de Deus, sua inteireza de caráter e sua firmeza na obra do Senhor, certamente nos animaremos a viver uma liderança voltada para o princípio da fé e da esperança. Assim como Neemias, a primeira pessoa a ser influenciada por uma visão transformadora da realidade deve ser o próprio líder. Se ele não estiver motivado a agir, se a missão que Deus lhe deu não irradiar a sua mente e o seu coração, dificilmente contagiará os outros e os influenciará a agir. Neemias era um líder convicto do seu propósito e sabia que o sucesso não estava em suas mãos, mas nas mãos do Deus de Israel!

Leitura complementar: Mateus 20:20-28; Lucas 5:1-11; Filipenses 2:8; João 8:14; Colossenses 3:1.


Paixão e zelo pela glória de Deus
Neemias 1:4

Logo no início da narrativa do livro de Neemias encontramos aquilo que motivou as suas ações dali por diante: a paixão e o zelo pela glória de Deus (1:4). O que tocou o coração de Neemias não foi a necessidade de um grande empreendimento, nem tampouco a ambição de entrar para a História do seu povo como o homem que reconstruiu os muros de Jerusalém, embora consequentemente isso tenha acontecido. Sua motivação era a paixão pela glória de Deus. Jerusalém era a cidade de Deus e o templo, o símbolo da sua presença. O zelo de Neemias era muito mais pela reconstrução dos muros, era pelo que ela representava em matéria de glória de Deus. Este zelo se demonstrou mais tarde na expulsão de Tobias do templo (13:4-9), e no cuidado com a guarda do sábado, que era o dia do Senhor (13:15-22). Neemias traça, então, um parâmetro essencial para a liderança: ele deve ser para a glória do Senhor.
Mesmo que o líder seja alguém proeminente entre os seus, capacitado, inteligente; mesmo que suas obras sejam grandiosas e seu exemplo de liderança seja padrão para os seus liderados, ele não está interessado senão em glorificar a Deus. A paixão por Deus e pela sua obra o consome. A indignação contra tudo aquilo que afeta a santidade de Deus provoca zelo nele. O líder usado por Deus não consegue ficar parado enquanto não completar a obra para a qual foi chamado, sem requerer qualquer crédito por ela. Esse tipo de liderança tem sido trocado pela influência através da propaganda e do marketing religioso, cuja finalidade não está em glorificar a Deus nem em preservar a santidade da Igreja, mas divulgar o poderio abençoador da denominação e o carisma dos seus líderes. Em algumas fachadas de templos, a foto do seu líder fundador é posta em evidência. Quem está sendo glorificado: Deus ou os que se dizem seus servos e obreiros?

Leitura complementar: Mateus 4:23; 22:34-40; Marcos 10:21; João 13:14,15; 6:66-71; 11:33-35.


Sensibilidade
Neemias 1:5,6

O que falta em muitos líderes da atualidade, acima de tudo aqueles que possuem grandes ministérios, isto é, um número muito grande de almas para cuidar, é a capacidade de estar ao lado do outro, ouvir as suas queixas, entender as suas dores, socorrê-lo nos seus problemas. Neemias demonstrava essa sensibilidade tão importante ao líder. Podemos crer que as palavras de Hanani também despertaram em Neemias profunda comoção pelos seus irmãos que padeciam no exílio ou dispersos (1:3-4). Logo, Neemias era sensível às necessidades das pessoas. Uma prova disso é a sua oração, onde ele ora pelos filhos de Israel (vs. 5,6). A paixão e o zelo por Deus devem despertar no líder uma profunda preocupação com as pessoas. O objetivo de Neemias era glorificar a Deus, mas isso é algo que necessariamente passa pelas pessoas. Um líder que não se compadece com o sofrimento dos outros jamais poderá servir plenamente a Deus.
O desejo e o chamado de Neemias era, além de reconstruir os muros, reunir os judeus como uma nação. No curso sobre liderança e integridade, o Dr. Shedd ensinou que ser líder é exercer deliberadamente influência dentro do grupo em direção ao alvo que soluciona problemas e necessidades dentro desse grupo. Disse, ainda, que a melhor maneira de exercer liderança não é pagando pra as pessoas virem para a Igreja, mas ajudando pessoas que não têm motivo para viver a descobrir soluções para a vida delas. Um bom líder consegue fazer isso. Para se envolver com as pessoas, cuidar delas e levá-las de um ponto a outro, líder precisa ter a habilidade de desenvolver bons relacionamentos, estimulando os outros a se motivarem a gastar tempo, estudo e esforço em seu crescimento espiritual e ministerial. Um líder sensível às pessoas é aquele que é sensível à voz do Espírito Santo e que tem o seu coração repleto do amor de Deus.

Leitura complementar: Marcos 2:27; 10:21; Mateus 23:3; 28:18-20; Lc 9:22-27; 18:29,30.


Confissão de pecados
Neemias 1:6-11

Mas Neemias não escondia o seu erro, ao contrário, ele estava pronto para reconhecer o seu pecado, confessá-lo e deixá-lo (vs. 6-11). Ele aprendeu um princípio importante para o líder: admitir os erros presentes para ter sucesso no futuro. E os próximos capítulos deixam bem claro que Neemias alcançou o sucesso no seu ministério e concluiu a obra para a qual Deus lhe convocara. Reconhecer seus erros e ser capaz de abandoná-los faz do líder uma pessoa com autoridade. Muitos pensam que reconhecer os próprios erros é sinal de fraqueza, e muitos líderes vivem uma vida hipócrita por medo de perder a autoridade diante dos seus colaboradores e a confiança deles. Mas com Neemias aconteceu o inverso. O capítulo 2 mostra que esse grande líder motivou as pessoas com o seu caráter e a sua visão contagiante, como veremos mais adiante.
Como líderes, possuímos um caráter que iremos passar adiante, seja no lar ou na Igreja. Se não aprendemos a valorizar e a praticar os valores eternos da Palavra de Deus, como esperamos que as pessoas vejam Cristo em nós ao ponto de reconhecerem a nossa autoridade como líderes? Reconhecimento e confissão de pecados é sinal de maturidade.  Líderes imaturos são pessoas em quem não podemos confiar. Os líderes maduros, espirituais, aceitam a Palavra do Senhor (1 Co 3:1-3). Os mestres serão avaliados por Deus com maior rigor (Tg 3:1), logo, a maturidade treinada e experimentada é fundamental para liderar. Um dos grandes líderes da Bíblia, o apóstolo Paulo, era alguém que possuía um conceito bastante equilibrado acerca de si mesmo. Ele tinha autoridade espiritual para oferecer-se ao mesmo como modelo a ser seguido pela Igreja (1 Co 4:16), mas também reconhecia a sua limitação humana e a sua propensão a pecar (1 Tm 1:15; Rm 7:12-25). Isso em nada diminuiu a autoridade de Paulo e o amor que lhe era devotado.

Leitura complementar: Filipenses 3:17; 1 João 1:8,9; Provérbios 28:13; Lucas 17:3,4; Tiago 5:16.


Vida de oração
Neemias 2:4

Neemias possuía o que falta a muitos líderes: uma vida dinâmica de oração. Desde o inicio do seu chamado, ele se colocou diante de Deus nas mais diversas situações (1:5-11; 4:9). Em suas orações Neemias lembra a Deus das suas promessas e intercede pelo povo (1:4-11). Diante do rei Artaxerxes, ele expôs a sua necessidade e, numa oração rápida, ele intercede pela resposta que receberia do rei ao seu pedido de ir reconstruir os muros de Jerusalém (2:4). Quando sitiado pelos seus adversários, Neemias ora mais uma vez pedindo auxílio (4:8,9). Posteriormente, encontramos toda a nação de Israel envolvida em oração de arrependimento e confissão dos seus pecados (cap. 9). Um líder que ora reconhece a sua dependência de Deus e contagia aqueles que com eles estão a orarem também.
Os apóstolos desde o início da sua caminhada pós-ascensão de Jesus demonstraram grande dependência de Deus, o que podemos ver na escolha de Matias como substituto de Judas (At 1:23-26). Em Atos 13:1-5 vemos como não se escolhe líderes sem a direção do Espírito Santo. Essa dependência nos ajuda a escolher pessoas de boa reputação, aprovadas pela Igreja e pela sociedade (At 16:12). Quando não oramos, quando tomamos decisões arbitrárias baseadas nos nossos interesses institucionais, surgem os problemas. A oração, a busca incessante pela direção de Deus, traz a segurança que o líder precisa de estar fazendo a coisa certa. As suas metas precisam estar alinhadas com os planos de Deus para a sua Igreja, alicerçadas sobre a Bíblia, de modo que as pessoas se sintam seguras em segui-lo. Sem intimidade com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, o que resta é a sabedoria e o poder humanos. A oração nos conforma aos valores e aos desígnios de Deus, uma vez que nos despimos das nossas barreiras pessoais e permitimos que Ele trabalhe na nossa vida por completo.

Leitura complementar: Salmo 4:3; 37:7; 65:2; 66:18; Isaías 65:24; Mateus 7:8; 21:22; Lucas 18:1-8.


Vida sacrificial
Neemias 2:5

A vida de Neemias nos traz um princípio importante para a nossa liderança atual: o líder precisa ter uma vida sacrificial. Neemias saiu de uma alta e bem paga posição no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, para implementar a visão que Deus lhe dera num terreno totalmente adverso, sem conforto, repleto de dificuldades, sofrendo perseguições, tendo de lutar contra o inimigo que o perseguia. Que líder hoje aceitaria deixar o conforto do seu lar, a prosperidade do seu emprego, uma posição confortável na sua congregação para seguir uma visão que certamente lhe traria dor e sofrimento? Poucos. Mas Neemias o fez, porque o que estava em questão não era a sua realização pessoal, mas a glória de Deus. Neemias confiava no Deus que lhe chamara, sabia que Ele não o abandonaria, que estaria sempre presente em todos os momentos, bons ou ruins. Neemias se sacrificou para que o Nome do Senhor fosse exaltado.
O problema de muitas pessoas que não possuem essa visão sacrificial, que não se entregam totalmente à obra de Deus é porque não são vocacionadas para a área em que estão atuando. Aquele que é vocacionado, que possui o chamado para liderar, faz por querer e por reconhecer o valor da obra que realiza. Quando não vocacionados, desistimos assim que os problemas começam a surgir. Paulo não somente era um líder vocacionado, como conhecia a natureza da sua vocação e não abria mão da sua missão, por maiores que fossem as suas tribulações (2 Co 4:16). É necessário permanecer firmes para produzir frutos (Lc 12:45; Ef 6:13; At 20:24). Nós seremos recompensados de acordo com o sacrifício e fidelidade com que servimos o Senhor, de modo que a nossa recompensa será diferente na eternidade. O tanto que nos sacrificamos seremos galardoados. Investir no hoje é um investimento para o futuro, embora não devamos jamais esperar algo em troca da parte de Deus.

Leitura complementar: 1 Pedro 2:24; 3:15; Salmo 44:22; 1 Coríntios 15:31; 2 Coríntios 4:10.


Planejamento
Neemias 2:4-8

Diante da necessidade apresentada e da possibilidade de empreender uma grande obra para a glória de Deus, Neemias apresentou ao rei os seus planos (2:4-8). Neemias não sairia dali sem saber o que fazer, sem ter uma estratégia montada para a implementação da visão que Deus lhe dera. Ele possuía planos bem definidos e implementou todos eles ao reconstruir os muros de Jerusalém. Isso nos mostra que não basta ter uma visão correta daquilo que precisa ser feito, é preciso planejar. O planejamento não envolve apenas o “como” fazer, mas também diz respeito a todas as implicações e as consequências daquilo que faremos. Muitos líderes não pesam esses dois fatores e se lançam na obra sem contar com o que encontrarão pela frente. Além de muitas vezes tecnicamente despreparados, também são espiritual e moralmente frágeis. Além de estar disponível, é preciso conhecer a natureza da obra. Quando um jovem demonstrou vontade de seguir a Jesus, logo foi informado das circunstâncias presentes no ministério (Lc 9:57,58).
Sem planejamento, corremos o risco de soltar o arado e olhar para trás, o que não é uma atitude correta para o Reino de Deus (Lc 9:61). O líder que é aprovado por Deus está sempre disponível e pronto para se encaixar na posição que Deus o colocou. Ele não vai forçado, mas faz por amor. Sabe das consequências, mas planeja o seu caminho sob a direção do Espírito Santo. Neemias sabia para onde estava indo, as condições do ambiente, a situação caótica que encontraria pela frente. Mas ele planejou ser vitorioso porque estava comprometido com algo muito maior que ele e tinha fé naquele que ia adiante. Um erro grave é achar que não precisam planejar, porque o crente não deve se preocupar com o dia de amanhã, porque o Espírito Santo trará a direção certa. O que acontece? Resultados medíocres, frutos da falta de planejamento.

Leitura complementar: 1 Coríntios 12:16; Filipenses 2:19,20; Lucas 14:28,29; Salmo 37:3-7.


Visão contagiante
Neemias 2:11-16

Uma das maiores características da liderança de Neemias era a sua visão contagiante. Ao chegar a Jerusalém, Neemias encontrou uma cidade assolada e um povo disperso, dividido e desanimado; muitos estavam no cativeiro e os que ali se encontravam, tentavam levar a obra adiante. Mas está claro que aquele povo não contava com uma liderança eficaz (2:11-16). Neemias expôs a situação (v. 17) e convocou o povo a agir. A visão que Deus dera a Neemias era contagiante e por isso o povo respondeu positivamente a sua convocação (cap. 3). Este é um exemplo para a nossa liderança: uma visão contagiante e apaixonada, baseada em fé e esperança, em uma vida de amor a Deus e à sua obra. Esse é o tipo de líder que as pessoas seguem de boa vontade. Neemias é um grande exemplo de esperança e ânimo, mesmo diante das dificuldades. Mesmo com toda a oposição que enfrentou, jamais desanimou, muito pelo contrário: estava sempre firme para motivar seus companheiros a prosseguirem na edificação.
Assim como Neemias, um líder da igreja do Senhor precisa ter esperança para repassá-la aos seus colaboradores. É fácil ter esperança quando tudo vai bem, quando as coisas estão saindo conforme o planejado, quando todas as metas e objetivos estão sendo alcançados e não há oposição por parte de nada ou ninguém. O apóstolo Paulo enfrentou grande dificuldade na igreja da Galácia, lutando contra a heresia judaizante que estava colocando a perder todo o seu trabalho de ensino (Gl 3:4; 4:11). Além disso, a luta com a igreja de Corinto era constante. Mas Paulo sabia que a obra era do Senhor e por isso não desanimava (2 Co 4:1,16). Além disso, ele conseguia enxergar por entre as nuvens e ver que a suprema meta superava todo e qualquer sofrimento (v. 17). Neemias era um homem de oração e confiava no cumprimento da Palavra de Deus para a sua vida.

Leitura complementar: João 8:14; Colossenses 3:1; Mateus 28:19,20; 1 Coríntios 11:1; Lucas 5:10.


Compromisso incondicional
Neemias 2:19,20

Outro princípio da liderança de Neemias era o compromisso incondicional com a obra do Senhor, o que fez com que ele agisse com firmeza diante dos seus adversários. Desde o início Neemias encontrou pessoas que se opunham a ele, apresentando-lhe dificuldades, chamando-o de irresponsável (2:19). Mas ele não estava ali sozinho, Deus estava com ele, não havia o que temer (2:20). Seu principal adversário, Sambalaque, de modo algum estava satisfeito com a reedificação dos muros e passou a representar forte oposição à obra de Neemias (cap. 4). Durante a edificação, Neemias encontrou várias ameaças : o desencorajamento, (4:1-6), o ataque dos seus inimigos (4:7-23), a desunião interna (5:1-9) e acusações falsas (6:1-14) . Mas ele não se deixava intimidar e prosseguiu até terminar o muro (6:15; 7:4). Nem todos os personagens bíblicos terminaram bem a sua carreira, muitos foram mortos de forma cruel, como lemos em Hebreus 11. Apenas 15% terminaram de forma tranquila.
Sempre haverá tribulação, perseguição, barreiras, principalmente no início. Para Deus não importa tanto como começamos, mas como iremos terminar. O que decidirá o nosso sucesso será o nível de compromisso com a obra de Deus e a nossa integridade. Assim como Neemias, José enfrentou duras penas até chegar ao ponto planejado por Deus. Mesmo diante de todas as circunstâncias adversas, ele não se dobrou, não negociou os seus valores. Temos uma reação natural de pagar o mal com o mal, entretanto Deus nos convoca a uma resignação santa, fruto de uma fé confiante, tendo a certeza de que Ele está no controle (Rm 8:28). A Igreja precisa de muitos Neemias e muitos Josés, líderes bons que glorificaram a Deus. O líder só será bom se estiver sendo liderado pelo Senhor. O seu primeiro compromisso é com Jesus e a sua Palavra. Assim, poderá reconstruir o que foi derrubado e construir coisas ainda melhores.

Leitura complementar: 1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-10; Romanos 3:23; 5:12; 1 Coríntios 6:9-11; Gálatas 5:17.


Estratégia
Neemias 4:16-23

O que leva muitos ministérios ao fracasso e diversos pastores ao estresse e ao esgotamento físico e mental é a falta de uma estratégia que lhes garanta a segurança de estar fazendo tudo da maneira correta, encaminhando-se para o alcance dos objetivos. Outro princípio forte da liderança de Neemias estava na sua capacidade de liderar estrategicamente. Ele mostrou ao rei a sua estratégia para socorrer o seu povo e reedificar a sua cidade (2:1-8). Diante da investida dos seus adversários, Neemias tomou decisões estratégicas para proteger a cidade (4:16-23). Ele também tomou medidas contra a usura (5:1-12). O líder não pode prosseguir sem uma estratégica que garanta segurança na execução da obra do Senhor. Muito mais que boa vontade, é necessário saber como fazer as coisas. Vemos como Neemias delegou tarefas e colocou cada pessoa no seu lugar, aproveitando todos os talentos disponíveis. Deus deu talentos e dons à sua Igreja para treinar e capacitar os seus membros para o ministério (Ef 4:7-16).
O líder precisa treinar os seus liderados. Pessoas treinadas para exercer qualquer função no corpo de Cristo serão mais bem sucedidos que aquelas que não foram. Se existe a vocação, deve existir o desenvolvimento dessa vocação por meio de treinamento. Alguns recebem o talento e o enterram (Mt 25:14-31). Algo que deve estar sempre em mente é: um lugar para cada pessoa, cada pessoa no seu lugar. Colocar as pessoas certas nos lugares certos é o primeiro passo para pensar estrategicamente. Após isso vem a avaliação das necessidades, a organização dos meios (pessoas, estruturas, finanças, etc.) e a implementação. Jesus cuidou de todas as etapas do seu ministério, separando e ensinando homens, capacitando-os, dando-lhes uma missão e garantindo que eles a cumpririam. O mesmo fizeram os seus apóstolos e tem sido assim até aos dias de hoje.

Leitura complementar: Atos 2:42; 1 Timóteo 2:4; Lucas 14:28-33; 16:1-8; Mateus 13:44-52; Lucas 19:11-26.


Vida exemplar
Neemias 5:1-19

Neemias tinha uma vida reta e exemplar. Ao definir medidas contra a usura, Neemias tratou logo de ser exemplo aos seus companheiros (5:1-19). Ele não era como muitos líderes que não pautam sua liderança pela integridade, antes se tornam pessoas sem confiança, incapazes de ter por muito tempo as pessoas ao seu lado. Mesmo diante das investidas dos seus inimigos e do descrédito, Neemias podia contar com a participação de todos naquela obra, porque era uma pessoa íntegra e inspirava confiança. O que fazia de Neemias um líder excepcional era a consciência da sua vocação. Ele se destacava como líder e como exemplo de caráter porque sabia em quem cria, conhecia o valor da Lei de Deus e estava certo de que havia uma missão divina para a sua vida. As pessoas que mais se destacam no ministério são aquelas que sabem que Deus as escolheu com um propósito. Assim como Cristo, elas vivem uma vida útil, perseverante, sendo responsáveis e fiéis (Rm 5; 2 Tm 2:2). O fruto do Espírito é percebido em suas atitudes.
O líder que possui uma vida exemplar é alguém que deixa um legado, um chamado a utilizar bem a nossa vida, a não desperdiçá-la, mas a olhar para Cristo (Hb 13:7). Aquilo que eles fizeram deixa consequências após subirem para a glória. O que temos deixado? Devemos obediência àqueles líderes que merecem ser obedecidos, pois muitos não possuem caráter nem autoridade para nos servir como exemplo. Jesus é digno de ser imitado em todas as coisas. Ele possuía equilíbrio entre autoridade e poder. Só podemos ser líderes se tivermos autoridade, mas todos querem apenas o poder. Não vamos entrar no céu pelo poder que temos, mas pela nossa obediência à Deus (Mt 7:21). Líderes que glorificam a Deus jamais se esquecem do equilíbrio entre autoridade e poder. Do seu exemplo nascem crentes inspirados a dar a vida pela obra do Senhor.

Leitura complementar: 2 Coríntios 3:2,3; Mateus 5;16; Salmo 139:23,24; 1 Timóteo 4:12; 1 Pedro 2:12.


Líder educador
Neemias 8:1-12,18

Neemias era um líder educador. A reconstrução de Jerusalém não era apenas um trabalho estrutural e físico, mas espiritual. Muitas vezes queremos melhorar as nossas estruturas e nos esquecemos do fundamental: o ensino da Palavra de Deus. Qualquer estrutura só estará bem firme se estiver fundamentada na Bíblia. Neemias fez o povo lembrar a lei do Senhor (8:1-12,18). Um povo sem educação estará fadado a repetir sempre os mesmos erros. É preciso que o líder esteja sempre disposto a educar, a lembrar aos seus liderados da vontade de Deus para a Igreja. A falta de conhecimento da Palavra é o que leva muitas pessoas a pecarem e se distanciarem do ideal de Deus (Salmos 119:11). Jesus foi um Líder educador por excelência. Ele chamou 12 homens improváveis, dentre as pessoas comuns e os ensinou. Se Jesus não tivesse chamado aqueles homens, eles teriam sido totalmente esquecidos na história.
O líder é aquele que pega uma pessoa comum e transforma a sua realidade, estimulando-a a realizar grandes coisas para Deus. Ele precisa investir em pessoas, capacitando-as para a obra do Senhor. O fracasso de alguns liderados pode estar ligado a tipo de educação dada pelo seu líder. Além do conhecimento, o líder precisa ter o respeito dos seus liderados. Muitos líderes não são seguidos nem obedecidos porque não criam uma unidade entre seus liderados, não são um com eles e não servem como modelo de vida cristã. Se o conhecimento não gerar comunhão entre as pessoas, não terá surtido o efeito esperado. O líder precisa estar apto para ensinar, o que pressupõe aptidão para aprender. E não há ensino melhor que o testemunho de uma vida coerente com aquilo que ensina. Quanto tempo passamos com aqueles que lideramos? O que sabemos sobre seus problemas e seus sonhos? Que exemplo lhes temos dado? O líder educador é aquele que fará a diferença.

Leitura complementar: 1 Timóteo 3:2; Romanos 12:6-8; Mateus 28:20; Provérbios 9:10; Deuteronômios 6:5-7; 2 Timóteo 3:16,17.


Aversão ao pecado
Neemias 13:23-29

Por ter no coração a Palavra de Deus como bússola para a sua vida e o seu ministério, Neemias era alguém que tinha aversão ao pecado (13:23-29). Neemias faz o povo lembrar de Salomão para que desista de pecar contra Deus. Um líder não pode ser conivente com o pecado, não pode permitir que no meio dos seus colaboradores existam pessoas que estejam contaminando os outros com práticas contrárias ao ideal de Deus. Um pouco de fermento leveda toda a massa (Gálatas 5:9). Para controlar o ambiente em que atua e influenciar de maneira positiva as pessoas, o líder precisa reparar as falhas no se caráter mediante a atuação do Espírito Santo e a prática da Palavra de Deus. Em Mateus 13:1,14, vemos que a falha dos líderes não está no seu conhecimento, pois existem muitos homens sábios na Palavra de Deus que caem em pecado e são péssimos exemplos de liderança.
O problema real está no caráter, nos valores pessoais que nem sempre são valores bíblicos. Podemos lembrar aqui de outro grande líder: Moisés. Sendo criado e educado no palácio do faraó, chegou um momento na vida de Moisés em que ele precisava escolher o tipo de líder que gostaria de ser. Ele escolheu não ser faraó com todo o poder e as regalias que o cargo lhe confeririam, mas ser desprezado e maltratado guiando o povo de Deus (Hb 11:23-29). Moisés não tinha em vista o que era propriamente seu, não atentou para a lógica mundana da carne, mas anelava por uma recompensa superior (Hb 11:39,40). A aversão ao pecado é consequência do viver no Espírito e possui duas mãos: a primeira é deixar de fazer o que é errado; a segunda é passar a fazer o que é certo. O líder precisa escolher onde ele lançará a sua semente: na carne ou no Espírito: “Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 6:8).

Leitura complementar: Romanos 3:23; 7:14-17; Isaías 64:6; 1 João 3:4-8; Salmo 32:1-5; Efésios 4:26.




[1] Parte das considerações feitas aqui são fruto do curso Liderança e Integridade, ministrado em 07 de abril de 2008, na Igreja de Cristo no Brasil, em Natal, Rio Grande do Norte, com a participação do Dr. Russel Shedd e outros preletores.





terça-feira, 11 de outubro de 2016

A ORAÇÃO E AS BASES DE FÉ DA IGREJA DE CRISTO NO BRASIL



Aquilo que nós cremos a respeito de Deus e da sua Palavra influencia diretamente na nossa oração. Se a nossa oração não possuir fundamento bíblico, se não respeitar o padrão de Deus, não será ouvida. Então, para que nos animemos sabendo que Deus estará nos ouvindo e assim podermos ter esperança de sermos atendidos, precisamos pensar até que ponto estamos orando da maneira correta.

O que pode nos estimular mais, motivar, animar e alegrar quando oramos que saber que Deus está ouvindo as nossas orações?


Base 1: A inspiração divina e autoritativa da Bíblia
(2 Tm 3:16; Hb 4:12; 2 Pe 1:20,21)

Se a Bíblia é para nós a suprema autoridade em matéria de fé e de conduta prática, em que isso tem contribuído para estabelecer critérios à nossa vida de oração? Entendemos o que é a oração de acordo com a Palavra de Deus? Sabemos através da Bíblia que padrões de conduta devem acompanhar a vida daquele que se aproxima de Deus em oração? O que buscamos na Bíblia e que nos move a orar: a vontade de Deus para a nossa vida ou apenas as promessas?


Base 2: A fé em um único e trino Deus
(Jo 14:8-11; 1 Jo 5:5-8; Ef 4:4-6; 1 Tm 2:5)

Qual tem sido a nossa relação com esse Deus trino? Ele é apenas um papaizinho que nos pega nos braços e nos coloca no colo ou é também Senhor da nossa vida? Quando oramos desejamos mais absorver as bênçãos do Senhor ou submeter a nossa vida à sua autoridade? Temos mantido comunhão com seu Santo Espírito e frutificado?


Bases 3 e 4: A pecaminosidade humana e a redenção em Cristo
(Rm 3:9-23; 3:24; 8:1)

Se reconhecemos a nossa culpabilidade diante de Deus e a sua graça que nos salvou, como isso tem afetado o conteúdo da nossa oração? Agimos de forma arrogante exigindo de Deus uma resposta ou entendemos que nada merecemos e tudo só recebemos pela sua graça? Oramos pelos perdidos para que também venham a crer ou apenas pelos nossos interesses?


Bases 5, 11 e 13: A ressurreição de Cristo e a sua vinda gloriosa para levar a sua Igreja e julgar a humanidade
(Rm 4:25; 1 Ts 5:1-11; Ap 20:11-15)

Se cremos num reino celestial e na esperança eterna com a vinda do Senhor e a subida gloriosa da igreja, as nossas orações tem demonstrado o nosso anseio pelo céu ou a nossa preocupação com este mundo? Oramos clamando pela volta do Senhor? Os valores presentes na nossa oração são os valores do Reino de Deus ou os nossos próprios? Queremos que as demais coisas nos sejam acrescentadas, mas estamos buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça?


Base 14: A vigência do exercício dos dons espirituais
At 1:8; 2:1-13; Rm 12:3-8; Ef 4:11-14;

Cremos na vigência dos dons espirituais. O que eles têm representado na nossa vida de oração? Oramos apenas para receber os dons de poder ou também clamamos que Deus nos cubra com o dom de servir, de misericórdia, de contribuir, de exortação, de ensino para servirmos a Deus através das pessoas e edificarmos o corpo de Cristo? Além dos dons, a nossa vida de oração manifesta o fruto do Espírito?


Conclusão


Como todas as coisas na nossa caminhada com Cristo, a nossa oração também deve refletir o seu caráter santo e justo, deve estar alicerçada sobre a sua Palavra, deve transcender o nosso eu e nos projetar na direção do próximo, não tendo em vista o que é propriamente nosso (Fp 2:4). Também quando oramos somos despenseiros da multiforme graça de Deus (1 Pe 4:10), proclamadores das suas virtudes (1 Pe 2:9), testemunhas do seu Evangelho (At 1:8). Ao orar, jamais devemos esquecer as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20:35). Como as nossas orações têm chegado diante de Deus, como muitos “eu” ou com muitos “nós”? Com muitos “meu” ou com muitos “nossos”? Pense sempre nessas coisas antes de orar.


MIZAEL DE SOUZA XAVIER