domingo, 28 de agosto de 2016

O CRISTÃO E A ORAÇÃO



Parte 1: Introdução
Salmo 65:2

A oração é um dos temas mais complexos do ensino cristão. Cada seguimento do cristianismo possui as suas formas de buscar a Deus, de orar. No catolicismo romano, por exemplo, pratica-se a oração pelos mortos. O cristianismo protestante aboliu essa prática por entender que não é bíblica. São muitas as teorias que explicam o que é a oração e que demonstram como o cristão deve orar, quais os benefícios da oração e que tipo de oração surte maior efeito diante de Deus. Existem orações já prontas, rezadas de forma repetitiva; e existem orações que são verdadeiros diálogos com Deus. Algumas, porém, parecem monólogos, onde apenas o cristão fala e Deus só escuta. Existe oração de fogo, oração de poder, oração ungida. Algumas orações desejam atrair bênçãos, outras expulsar os demônios. Alguns oram baixo, enquanto outros gritam a plenos pulmões. Alguns usam palavras simples e diretas, enquanto outros transformam a oração num tratado de teologia, citando diversos versículos e explicando cada um enquanto fala com Deus. Ao orar, alguns buscam diretamente a Deus, por meio de Cristo, enquanto outros suplicam pela intercessão dos santos. Vemos como este é um tema bastante complexo e que dependerá do nosso cuidado em compreender o que a Bíblia tem a nos ensinar, independente das doutrinas humanas. A oração é, acima de tudo, um ato de gratidão. Quando nos aproximamos de Deus, reconhecemos quem Ele é, o que tem feito e o que ainda poderá fazer por nós. Mas não é só isso: a verdadeira oração busca a Deus não para obter respostas, mas simplesmente porque Ele é Deus e merece o nosso louvor e a nossa adoração. Se pararmos para pensar, já temos o suficiente para transformarmos a nossa oração em um eterno momento de agradecimento, a começar pela salvação que Ele nos deu. Aprendamos, então, um pouco mais sobre a oração cristã.


Parte 2: O que é oração?
Isaías 56:7

A primeira lição que devemos aprender sobre oração é que Deus não precisa da nossa fé e das nossas súplicas para operar qualquer tipo de obra no mundo. Tudo Ele faz desde o início sem o nosso consentimento e independente da nossa vontade. Ele é soberano. A oração é nossa resposta ao Deus que se revela a nós e o reconhecimento da nossa dependência dele. Deus pode realizar o impossível sem a nossa intercessão, mas espera que o busquemos para que demonstremos que precisamos dele. Oração é muito mais que uma conversa, ela é um momento de comunhão com Deus restabelecida por Cristo na cruz. Sem esta comunhão não poderíamos nos aproximar dele (Is 59:2). Orar não é rezar, não é repetir fórmulas pré-estabelecidas, mas manter um diálogo aberto e sincero com Deus (Dt 5:24; I Sm 3:10), onde Cristo é o canal que nos liga a Ele. Orar também é uma ordem, embora não devamos orar apenas por cumprir um mandamento, mas pelo prazer de conversar com Deus (Lc 18:1; I Sm 12:23). A oração do crente não é algo esporádico, que ele faz quando dá vontade ou quando necessita de algo, mas deve se tornar uma prática constante (I Ts 5:17). É preciso investir tempo de qualidade nessa comunhão abençoada com o Pai. Oração também é fortalecimento (Ef 3:14-21; Tg 5:13-16). Aliado à leitura da Bíblia, o diálogo com Deus nos esvazia de nós mesmos e nos enche de graça, dando-nos forças para enfrentar os revezes diários. Uma vida de oração se transforma em arma contra Satanás (Mt 17:21). Quando o crente ora segundo a vontade de Deus, o diabo treme. Oração é, também, um canal de benções. Deus tem prazer em nos abençoar, em derramar sobre nós coisas boas (1 Jo 5:14,15). Mas nada devemos exigir, apenas pedir em Nome de Jesus e que seja feito segundo a sua vontade. Orar precisa ser como o ar que respiramos e o chão que pisamos.


Parte 3: Como devemos orar?
Mateus 5:23,24

Quando nos indagamos sobre a forma correta de oração, podemos pensar na estética da oração ou na nossa posição física ao orar: sentado, ajoelhado, de pé, prostrado, etc. Todavia, o que mais importa na oração não são as suas formas exteriores, mas o seu conteúdo espiritual. Como devemos orar então? Em primeiro lugar é preciso ter fé em Deus e confiança na sua resposta (Hb 11:1,6). Impossível haver oração verdadeira se não for acompanhada de fé. É preciso sempre pedir em Nome de Jesus (Jo 14:13), com pureza de coração (Mt 5:8) e reconhecendo a nossa dependência de Deu (Sl 23). Se não reconhecermos essa dependência, Ele jamais será o centro da oração (Sl 25:1). Se Deus é o centro a nossa oração será segundo a sua vontade (1 Jo 5:14). Não devemos exigir nada de Deus nem decretar coisa alguma, mas manter espírito de humildade (Lc 18:9-14). A nossa oração deve ser o mover do Espírito em nós (Jd 20,21; Rm 8:26), direcionando-nos com amor altruísta na direção das necessidades dos outros (1Pe 2:17). Ela não é somente vertical, mas igualmente horizontal. A oração deve ser, também, precedida de arrependimento (Mt 6:12). Se não nos arrependermos e confessarmos os nossos pecados, a nossa oração será vã. Devemos orar, ainda, confiando em Deus (Sl 37:5 ; Fp 4:6 ; Sl 55:22) e apropriando-se das suas promessas (Sl 37 ; Rm 10:9; Nm 23:19 ; Ef 3:20), lendo a Bíblia e avaliando quais promessas são para nós de fato. Por fim, devemos orar ouvindo a voz de Deus (Dt 13:14; Ez 3:27; Jo 8:47; Tg 1:22). Onde? Na Bíblia. A oração deve sempre nos direcionar à Palavra. Orar não é “sentir” Deus falar, mas conversar com Ele e depois escutá-lo na sua Revelação específica: as Sagradas Escrituras. Quando o nosso eu sair de cena, saberemos ouvir a voz suave do Senhor. Que a nossa mente e no nosso coração estejam sempre abertos para receber Deus em nós.


Parte 4: As relevâncias na oração
Salmo 26:2

Existem alguns fatores relevantes que precisamos saber para orar da maneira correta e termos a certeza de estarmos orando segundo a vontade de Deus. Em primeiro lugar, é preciso ter certeza da aceitação de Deus(Is 6:5-7). Mesmo sendo pecadores miseráveis, em Cristo somos aceitos por Deus por sua maravilhosa graça. Entendendo isso e sabendo que Deus sonda os corações, precisamos ter uma transparência total do nosso ser, rasgar nosso coração diante de Deus e reconhecer quem somos (Sl 139:1,2). Não adianta tentar fingir nada quando nos colocamos diante do Pai. Outro fator relevante é a revelação de nossas necessidades (Fp 4:6). Quando pensamos em pedir, Deus já tem a resposta para nos dar, mas deseja que peçamos, que nos submetamos à sua vontade. Na oração, também, é de extrema importância um coração aberto para Deus (Mc 12:30): aberto para dar e para receber, para falar e para ouvir, para ser trabalhado e transformado; aberto para o sim e para o não. Ainda outro fator relevante é a ausência de sentimentos contrários à justiça (1 Jo 4:20). Tais sentimentos só produzem orações egoístas, impedem que nos reconciliemos com alguém e nos levam a desejar a vingança de Deus ao invés de clamar por sua misericórdia. O reconhecimento do pecado também é fator decisivo para quem busca a face de Deus. Ele sabe da nossa condição, não adianta esconder. Orando, precisamos ser sinceros e pedir perdão (1 Jo 5:18) O desinteresse pelo mundo também deve acompanhar a nossa oração, levando-nos a nos desprender do materialismo para buscar as coisas do alto (1 Jo 2:15). Por fim, a oração verdadeira parte de um coração fiel a Deus (Rm 3:3,4). Se formos infiéis, Ele permanece fiel, mas fomos salvos para sermos fiéis a Ele, à sua Palavra, à sua vontade. Que a nossa oração seja o reflexo de um coração fiel, obediente e submisso a Deus e à sua obra.


Parte 5: Vários aspectos da oração
1 Samuel 12:23

A oração é algo bastante pessoal, um diálogo íntimo com Deus, mas ainda assim possui alguns aspectos gerais que precisam ser observados. Esses aspectos estão presentes nas orações descritas na Bíblia e demonstram a forma como homens de Deus se dirigiam ao Pai. Moisés e os profetas foram grandes homens de oração, que estavam constantemente buscando a face de Deus, sua direção, seu favor. Jesus orava constantemente. Em varias de suas epístolas o apóstolo Paulo comenta sobre a sua oração pelos cristãos. O primeiro aspecto é a ação de graças (1 Ts 5:18). Ao nos aproximarmos de Deus, precisamos ter o coração agradecido por todas as suas obras, não somente pelo que Ele tem feito, mas por tudo aquilo que Ele é. Outro aspecto é o louvor (Tg 5:13). Deus é digno de ser louvado por seu amor, sua misericórdia, sua graça, sua salvação. Nós o louvamos porque reconhecemos o quão grande Ele é. A súplica e a petição também são aspectos importantes (Tg 5:16). Quando suplicamos algo a Deus, quando colocamos diante dele nossas petições, reconhecemo-lo como único que pode nos atender e decretamos a nossa submissão a Ele. Somos estimulados a pedir (Lc 11:5-13). Ao orar, somos também intercessores. A intercessão é um aspecto importante da oração, pois é quando clamamos a Deus pela vida de outras pessoas, como familiares, amigos, a igreja, os missionários, o nosso país, os pobres, etc. Intercessão é sinônimo de amor, um sinal de que nos importamos com os outros e os amamos (2 Ts 3:1-5). Além de orar, precisamos vigiar (Mt 26:41), estar atentos às tentações e às investidas do diabo. O simples fato de orar não nos isenta de certas situações, mas é preciso viver no Espírito, em santidade. Oração e ação são duas coisas que andam juntas. A vida nos impele a orar e a oração nos impele a viver e transformar a vida.


Parte 6: O que há numa oração bem sucedida?
Salmo 51:17

O conceito de oração varia de acordo com a ideia que se tem de Deus e da sua Palavra. Isso também definirá as regras para medir o sucesso de uma oração. Nas igrejas neopentecostais que pregam a Teologia da Prosperidade, uma oração bem sucedida é aquela oração de fogo, onde o crente dizimista fiel decreta as bênçãos que deseja e toma posse das promessas de Deus, exigindo seus direitos às conquistas de Jesus na cruz. A teologia ortodoxa e tradicional, todavia, anda de acordo com a Palavra de Deus. Podemos destacar algumas marcas de uma oração bem sucedida, que chega até o céu e toca o coração de Deus, o que não necessariamente significa  que ela seja atendida conforme imaginamos. A primeira marca é o quebrantamento total do nosso ser, desnudando-nos diante de Deus com humildade no reconhecimento da nossa incapacidade de agradá-lo (2 Cr 7:14). Um coração quebrantado Deus não rejeita (Sl 34:18). Um coração quebrantado é sincero, não se deixa levar pelo orgulho nem se recusa a receber a correção (Jr 29;13). Outra marca importante é o exercício da fé (Mc 11:24), o que envolve muito mais que crer e confiar, mas nos leva a viver uma vida prática, coerente com a fé que professamos. Essa fé nos leva à marca da obediência (1 Jo 3:22). Um coração obstinado não é aceito por Deus. Como oraremos se permanecemos nos mesmos erros sem reconhecê-los? Então é necessária a marca da vida reta (Hb 10:22). Não podemos orar de Deus com as mãos sujas, a não ser para reconhecer a nossa sujeira e pedir perdão. Precisamos desenvolver a nossa santidade. Ainda outra marca é o perdão. Uma oração uma oração bem sucedida vem acompanhada do perdão. Sem perdão não há oração (Mc 11:25,26). O sucesso da nossa oração está na nossa vida santa diante de Deus e na submissão à sua vontade.


Parte 7: Fatores importantes na oração
Atos 12:5

Existem fatores que não possuem tanta importância quando oramos. O local da oração, a roupa que se está vestindo, a formalidade nas palavras, o nível da oratória, a posição física, o tom da voz. Todos esses são fatores externos que em nada influenciam na oração, porque ela é algo que flui de dentro para fora. Não podemos ser desrespeitosos contra Deus nem atrapalhar a vida das pessoas quando oramos, mas o que importa mesmo é que a nossa oração contenha verdade. Podemos listar três fatores importantes à nossa vida de oração. O primeiro é a persistência. Devemos literalmente “incomodar” a Deus como ensina Jesus em Lucas 18:1-8. Algumas pessoas desistem de orar tão logo achem que a resposta está demorando a chegar. Todavia, independente da resposta, devemos persistir, até que Deus nos mande parar. Oração é luta! Outro fator é a objetividade. Embora Deus saiba bem do que precisamos e o que iremos pedir, é interessante que sejamos bastante específicos naquilo que queremos (Lc 11:9-13). Isto não significa determinar o que, como, quando e onde Deus irá nos abençoar, mas expor as nossas necessidades de forma sincera àquele que deseja nos dar coisas boas. O terceiro fator é a perseverança. Não devemos esmorecer nas nossas orações, esquecer ou desistir de orar. Esse é um diálogo que precisa ser constante, diário, ininterrupto. A perseverança demonstra a nossa dependência de Deus. Mesmo diante das tribulações, mesmo quando a resposta parece não vir, mesmo quando ouvimos um “não” enfático de Deus, precisamos perseverar. A oração deve ser um hábito, deve estar arraigada à nossa vida como a necessidade de alimento. Jesus orou até o último instante na cruz, clamando por misericórdia para os seus algozes. Ele sempre teve certeza de ser atendido e nos dá esta certeza, porque nos ama e cuida de nós. Ele é Deus!


Parte 8: Principais atitudes na oração
Lucas 18:9-14

O Senhor Jesus contou uma parábola envolvendo dois personagens: um era fariseu e o outro, publicano. Enquanto os fariseus eram considerados modelos de religiosidade, os publicanos eram desprezados e considerados corruptos. Estando a orar, o fariseu orava de si para si enquanto se gabava das suas boas ações; o publicano, porém, sequer ousava erguer a cabeça, mas apenas batia no peito e clamava pela misericórdia de Deus. Duas atitudes: uma incorreta e outra abençoada. Existem três atitudes que devem fazer parte da nossa oração. A primeira é vida. Ter vida significa estar em Cristo, a verdadeira vida. Mas também quer dizer viver a nossa fé de maneira prática e não apenas discursiva. Muitas pessoas parecem vivas, mas estão mortas em sua fé, pois não possuem obras (Tg 2:17). A segunda atitude é a ação. Orar não significa esperar que tudo caia do céu, mas envolve atitudes com relação àquilo que temos colocado diante de Deus. Sentar-se debaixo do alpendre, contemplar o campo e não plantar a semente nem regá-la, não trará a colheita. Oração e ação precisam caminhar juntas. A terceira atitude é a reflexão. A nossa vida de oração deve ser o reflexo de uma vida comprometida com Deus e com a sua palavra (Tg 1:22). Num outro sentido, devemos refletir sobre a nossa fé, as 18nossas atitudes e a essência daquilo que temos colocado diante de Deus. a nossa oração não pode vir carregada de hipocrisia e de soberba. Se não formos humildes, Deus não nos ouvirá. Jesus diz que o publicano saiu com a resposta da sua oração, saindo justificado para casa, enquanto o fariseu, não. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha, será exaltado. Quanto mais nos esvaziarmos de nós mesmos para nos enchermos de Deus, mais iremos agradá-lo e com mais fé oraremos. O que tem impedido que as nossas orações cheguem a Deus? Façamos o retorno para a estrada certa.


Parte 9: Quando nossas orações não são ouvidas?
Salmo 143:10

O Senhor Jesus nos ensinou a pedir com fé em seu Nome para sermos atendidos. Ele nos disse que quando batermos, a porta nos será aberta; quando pedirmos, receberemos; e quanto buscarmos, encontraremos. Tomando este ensino ao pé da letra e sem levar em conta o ensino geral das Escrituras, acreditaremos que basta crer, pedir e receberemos. Todavia, nem todas as nossas orações recebem uma resposta positiva de Deus, o que deve ser motivo de alegria e alívio para nós. Existem ao menos três razões para isso. Primeira: quando não pedimos conforme a vontade de Deus. Ele nos ouve se pedirmos alguma coisa conforme a sua vontade e não a nossa (1 Jo 5:14,15). A melhor maneira de saber se estamos orando segundo a vontade de Deus é conhecendo a sua Palavra e sempre colocarmos a frase “seja feita a vossa vontade” no final de cada oração. Segunda razão: quando pedimos mal (Tg 4:1-5). A motivação ao orar influencia no tipo de resposta que teremos de Deus. Ele conhece o nosso coração, nossos desejos, nossos pecados e sabe se aquilo que almejamos tem uma motivação santa ou egoísta. Se não for para a glória do seu Nome, Deus com certeza não nos atenderá naquilo que lhe pedimos. Isto nos leva à terceira razão: quando a oração não é sincera (Sl 24:4,5). Deus não ouve uma oração que não seja sincera, que diga algo contra a verdade, que esteja carregada de hipocrisia. Não podemos orar por perdão se não estamos arrependidos; por envolvimento na sua obra se não estamos dispostos; por provações se de fato não as desejamos. Por fim, a falta de fé no poder e na provisão de Deus afasta de nós os seus ouvidos (Tg 1:5-8). Como esperamos receber algo de Deus se não acreditamos que Ele possa nos dar? Sem fé as montanhas não se movem, a resposta não chega, a bênção não aparece. É preciso crer em Deus e desejar ardentemente a sua vontade.


Parte 10: Os obstáculos à oração
Provérbios 21:4

Por que nem sempre conseguimos manter uma vida constante de oração e acabamos passando dias sem orar, sem conversar com Deus? A falta de tempo e de oportunidade pode ser uma desculpa, as atividades diárias, os problemas a resolver. Existem, todavia, alguns motivos muito mais sérios e reais que nos afastam da intimidade com Deus. Podemos aqui citar alguns: ingratidão (Rm 1:21), Ídolos (Ez 14:1-11), desobediência à Palavra (Pv 28:9), orgulho (Jó 35:12,13), falta de perdão (Mt 5:21-26), vontade própria (Rm 12:2);  indiferença (Pv 1:24-28), pecado secreto (Sl 66:18,19); vida religiosa hipócrita (Is 1:10-17), dúvida da fidelidade de Deus (1 Co 1:9), avareza (Lucas 12:15)  Desinteresse (1 Ts 5;17), afastamento de Deus (Sl 73:27), egoísmo (Tg 4:3), falta de misericórdia (Pv 21:13), teimosia (Zc 7:8-13). Todos esses obstáculos também se apresentam no nosso envolvimento com o mundo e uma gama de ofertas que nos fazem não ter tempo para Deus. Passamos mais tempo na realidade virtual do que na verdade espiritual; gastamos mais tempo aproveitando as inovações dos jogos em rede do que criando uma rede de relacionamentos e de oração. Se não mantivermos o nosso foco no Reino dos céus, qualquer clamor da nossa carne ou demanda do mundo vai desviar-nos do alvo, que é o Senhor Jesus. Quanto mais cedo vencermos os nossos obstáculos pessoais, mais tempo de qualidade teremos com Deus. O que tem tirado o seu tempo de oração? Qualquer que seja o motivo, o resultado de uma vida aos pés da cruz te proporcionará momentos verdadeiramente significativos e te manterá firme espiritualmente. Deus deseja se relacionar conosco e nos dá a chance de um diálogo. Pensemos nisso: Deus quer conversar conosco e nos ouvir. Sejamos fiéis, quebremos todos os nossos ídolos, deixemos de lado a hipocrisia e a desobediência. Não existe lugar melhor que na presença de Deus.


Parte 11: Os inimigos do cristão e da sua oração
Mateus 6:13

A oração é ferramenta, arma, escudo. Quando oramos segundo a vontade de Deus, aquilo que Ele tem proposto para acontecer, acontecerá e não existe nada que possa impedir. Deus, mesmo sendo soberano e todo-poderoso, conta com as nossas orações, a nossa intercessão: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica dos justos” (Tg 5:16). A oração é algo tão significativo, que atrai inimigos. O diabo não sabe o que estamos pensando, mas percebe quando paramos para orar e entende que Deus agirá. Ele não quer isso e nos cerca por todos os lados a fim de minar a nossa comunhão com Deus (1 Pe 5:8; Ef 6:12-18). O sistema pecaminoso do mundo também tenta impedir as nossas orações, oferecendo-nos formas de desviar a nossa atenção para coisas irrelevantes (1 Jo 2:15). Quanto mais nos deixamos enredar pelo mundo, mas distantes ficamos do prazer de orar. Nós também, na nossa própria carne, nem sempre queremos orar, ficamos colocando empecilhos, inventado desculpas, criando barreiras para não orar. É uma luta constante, diária (Gl 5:17). As investidas de Satanás e as insinuações do mundo só podem causar dano à nossa vida se permitirmos, se não caminharmos em constante comunhão com Deus por meio da oração e da leitura da Palavra. Viver na dependência total do Espírito Santo nos faz compreender as coisas espirituais e nos dá a graça suficiente para dar uma resposta bíblia e santa a esses três inimigos. Não existe poder superior ao poder de Deus, a não ser a nossa decisão em desprezar este poder. Logo, quando mais submetidos ao Senhor, mais vitoriosos seremos nas nossas orações e oraremos com eficácia, porque saberemos ao certo o que o Senhor espera de nós. Que a nossa oração seja sempre a resposta de um coração quebrantado e desejoso da presença viva de Deus, por meio da prática da sua Palavra em cada instante da nossa vida.

Leia-Medite-Pratique: 2 Coríntios 7:10; 1 Co 7:3; 6:19; João 16:33; 1 João 5:4; Efésios 4:24; 6:16; 18:15; Hebreus 4;15; 12:1; Romanos 7:23; 8:13; 13:14; 5:13; 1:23; Colossenses 3:5; 1 Timóteo 6:11; Tiago 4:7.

Ação transformadora: Ore pelo desejo de orar cada vez mais.

Autor: Mizael de Souza Xavier



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