segunda-feira, 11 de julho de 2016

É VOCÊ QUEM ACEITA A JESUS OU É JESUS QUEM TE ACEITA?




A maioria das igrejas costuma fazer um apelo à conversão no final da pregação. Não importa se a mensagem era ou não evangelística, se confrontava o pecador com a sua condição de carente da glória de Deus. Muitas vezes, ela trata de temas específicos da igreja ou trazem mensagens de ânimo em meio às tribulações. Não importa, o apelo é sempre feito. Então pode ser que as pessoas não estejam se convertendo pela motivação correta, mas se "convencendo" por suas próprias motivações. O apelo toca o emocional, cria um clima propício a uma reflexão interior que objetiva convencer o ouvinte de que ele precisa daquela solução que o pregador apresentou. Confrontado com seus problemas e ansioso por vê-los solucionados com base nas promessas apresentadas, o ouvinte se rende e aceita a Jesus. Grande parte das conversões segue este princípio: começam do lado de fora, através de mecanismos humanos de convencimento, onde até mesmo a neurolinguística é utilizada como ferramenta de poder. Encontramos aqui dois problemas. O primeiro é que tais mecanismos não são bíblicos e não demonstram uma conversão genuína, isto é, pela motivação correta. Não podemos julgar a vida de todos os convertidos, saber da sua intimidade com Deus, ter absoluta certeza de que a sua conversão foi um mero convencimento e conhecer que planos Deus tem para a sua vida. Entretanto, a razão para aceitar a Jesus demonstrará que ideia ele tem do Evangelho, da vontade de Deus para o pecador, das consequências do pecado e da conversão, do compromisso com a obra de Deus e a sua Palavra posterior à conversão. Se o que o levou a aceitar a Cristo não foi o reconhecimento da necessidade de salvação baseada na Queda, na obra de Cristo e na realidade do céu e do inferno, provavelmente esse “convertido” não entendeu a mensagem genuína do Evangelho, mas apenas abraçou uma religião que prometera lhe ajudar em seus problemas, e é isso que ele viverá e buscará em sua vida cristã. Se ele não tomou conhecimento da importância e da eficácia da cruz de Cristo, não ouviu o Evangelho.
Podemos observar um segundo problema que envolve a questão dos apelos e das conversões durante o culto, o que nos leva a duas outras questões. Primeira: quem de fato tem poder para convencer o homem do seu pecado e conduzi-lo ao arrependimento e à conversão? E segunda: o ser humano caído, destituído da glória de Deus, morto em seus delitos e pecados e incapaz de buscar a Deus tem a capacidade de aceitar a Jesus? João 16:8 responde claramente a nossa primeira pergunta: é o Espírito Santo que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Não é o apelo do pastor, não é a música melancólica ou triunfalista de fundo, não é a eloquência do pregador, não é a necessidade de ver os seus problemas resolvidos para ser feliz. Quem convence o pecador da sua condição miserável e o conduz à dizer sim a Deus é o Espírito Santo. Quem se convence a si próprio ou é convencido pelo homem não foi convencido pelo Espírito Santo, logo não é convertido. Muitos pregadores deixam os ouvintes a vontade, não insistem e reconhecem que a conversão é uma atuação de Deus direta na vida do perdido. Se Deus quiser utilizar o momento do culto ou qualquer outro, Ele utilizará, mas com a mensagem correta. Outros pregadores são mais insistentes e não se conformam enquanto ao menos uma vida não aceitar a Jesus após a preleção. Esta aceitação é uma medalha de honra aos seus méritos de grandes pregadores, que convencem e arrastam multidões atrás de si; multidões que, muito provavelmente, eles terão pouco ou nenhum contato após aquele instante. Ninguém pode desejar fazer o papel do Espírito Santo, agindo com leviandade no trato com as coisas de Deus e as almas que Ele ama. Ninguém convence ninguém. Nenhuma programação, nenhum ambiente preparado, nenhuma programação neurolinguística é necessária: a obra é de Deus, é de Cristo, é do Consolador.
A última pergunta que precisamos responder é se o homem corrompido pelo verme do pecado original pode responder por sua própria capacidade o apelo à conversão. As estratégias que já comentamos parecem forçar uma situação, levar o indivíduo a se sensibilizar com sua condição – seja de pecador ou de pobre sofredor – até que entregue a sua vida a Jesus, levantando a mão e indo até à frente para receber uma oração. É preciso desconfiar da motivação de ambos os lados. O homem está irremediavelmente perdido, incapaz de produzir dentro de si qualquer motivação de buscar a Deus. É Deus quem dele se aproxima, quem o convence do pecado, da justiça e do juízo através da atuação do Espírito Santo. Se nós nos convencêssemos a nós mesmos da nossa condição de pecadores e da necessidade de Cristo para a nossa salvação, por que precisaríamos do Espírito Santo? O homem só busca a Deus quando Deus o busca. O pecador só aceita a Cristo quando já foi aceito por Ele. O Evangelho é o instrumento utilizado por Deus para acessar a mente e a alma do pecador, para mostrar-lhe a redenção e chamá-lo ao arrependimento. Esse processo começa e termina com o Espírito Santo. Escrevendo aos efésios, Paulo apresenta a adesão do pecador à fé em Cristo como iniciativa da graça de Deus. Em Cristo, Ele nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais (v. 3), elegeu-nos (v. 4), predestinou-nos segundo a sua vontade (v. 5) e nos selou com o Espírito Santo da promessa como penhor da nossa redenção e possessão sua (vs. 13,14). Assim como ninguém é capaz de “ganhar almas para Jesus”, nenhuma alma pecadora se aproxima de Deus se Ele não o atrair. A obra é de Deus, é a sua poderosa graça que opera em nós, não os mecanismos humanos ou o poder da retórica.

Leia e medite: Atos 3:19; João 16:8; Efésios 1:4-14.

Ação transformadora: Tenha certeza da sua conversão e da sua salvação.



Mizael de Souza Xavier

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, jamais comente anonimamente. Escrevi publicamente e sem medo. Faça o mesmo ao comentar. Grato.