quarta-feira, 3 de junho de 2015

O NEVOEIRO – Uma breve explicação histórica




Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Ela, porém, tem como pano de fundo um período negro da história da Igreja em diversos países, inclusive no Brasil: a “Santa Inquisição”, quando a Igreja Católica Apostólica Romana perseguia, torturava, condenava e assassinava pessoas contrárias à Santa Sé, incluindo judeus, protestantes e supostas bruxas. A Inquisição fez parte do movimento de contra-Reforma. O Concílio Ecumênico de Trento (1545-1563), trazia diversos cânones e anátemas contra as ‘inovações doutrinárias dos protestantes. Em sua sessão IV, cânones 785 e 786 sobre “A edição da Vulgata da Bíblia e o modo de interpretação”, o Concílio de Trento traz as seguintes afirmações:

785. Além disso, considerando que poderá resultar em não pequena utilidade para a Igreja de Deus, dando-se a conhecer qual de tantas edições latinas que correm dos Livros Sagrados se deve ter por legítima, esse mesmo sacrossanto Concílio determina e declara: que nas preleções públicas, nas discussões, pregações e exposições seja tida por legítima a antiga edição da Vulgata, que pelo longo uso de tantos séculos se comprovou na Igreja; e que ninguém, sob qualquer pretexto, se atreva ou presuma rejeitá-la.

786. Ademais, para refrear as mentalidades petulantes, decreta que ninguém, fundado na perspicácia própria, em coisas de fé e costumes necessárias à estrutura da doutrina cristã, torcendo a seu talante a Sagrada Escritura, ouse interpretar a mesma Sagrada Escritura contra aquele sentido, que [sempre] manteve e mantém a Santa Madre Igreja, a quem compete julgar sobre o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras, ou também [ouse interpretá-la] contra o unânime consenso dos Padres, ainda que as interpretações em tempo algum venham a ser publicadas. Os que se opuserem, sejam denunciados pelos Ordinários e castigados segundo as penas estabelecidas pelo direito. [Seguem uns preceitos sobre a impressão e aprovação dos livros, onde se estabelece entre outras coisas o seguinte:] que para o futuro a Sagrada Escritura, principalmente essa antiga edição da Vulgata, seja publicada do modo mais exato possível; e que a ninguém seja permitido imprimir ou fazer imprimir qualquer livro sobre assuntos sagrados sem o nome do autor, nem vendê-los ou retê-los consigo, se não forem primeiro examinados e aprovados pelo Ordinário…

            A sociedade européia e as demais sofreram por longos séculos as consequências da perseguição do Santo Ofício, e a História está aí para nos dar seus exemplos e provas. Apesar disso, a Reforma Protestante avançou e jamais retrocedeu. Muitos homens e mulheres comprometidos com a Palavra da verdade foram perseguidos e mortos. A Igreja de Cristo firmou suas raízes no mundo, a despeito da vontade de homens inescrupulosos e gananciosos, que tentaram a todo custo calar a voz do Espírito Santo na terra. Embora hoje convivamos com muitas seitas pentecostais e neopentecostais que se autointitulam igreja sem o ser, deturpando e envergonhando o Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, os verdadeiros cristãos permanecem firmes, pregando o Reino de Deus e espalhando pelo mundo inteiro a sua maravilhosa Palavra, confeccionando e distribuindo Bíblias.
            Se o leitor pesquisar na Internet sobre os objetos de tortura medievais utilizados pela Inquisição, ficará perplexo.
            Deus seja louvado pela liberdade conquistada!


Mizael de Souza Xavier

24, 25 e 26/05/2015

ALGUNS OBJETOS E SUAS RESPECTIVAS TORTURAS:









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