sexta-feira, 29 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 4 – O nevoeiro




Do oceano um vento quente soprou na direção da cidade
Encontrando-se com o ar frio daquela localidade
Condensando-se num nevoeiro denso como fumaça
Encobrindo aquelas vidas que não previam qualquer desgraça.

As cinzas do corpo da morta o nevoeiro dissipou
Pelos quatro cantos da cidade pouco a pouco se espalhou
Cobrindo todas as casas até a torre da igreja
Tornando ainda mais sombria aquela cidade malfazeja.

Deitado em seus aposentos guardado por dois cavaleiros
O Cardeal acordou assustado por um grito altaneiro
Percebeu que houvera sonhado e os gritos eram da mulher
Que ele condenara à fogueira sem misericórdia qualquer.

Levantou-se de sua cama ordenada de ouro e linho fino
Sentindo uma dor forte incomodando o seu intestino
Ordenou que lhe trouxessem uma xícara de chá de ervas
E acendeu uma vela para dissipar as trevas.

Enquanto o chá de ervas para ele era preparado
O Cardeal dirigiu-se a um baú guardado bem ao seu lado
Com uma chave que trazia consigo pendurada a um cordão
Abriu-o com cautela, sentindo arder o seu coração.

De dentro do grande baú um grande livro foi retirado
Era aquele que a mulher trazia e que ele dizia ser amaldiçoado
“Este livro é perigoso”, ele disse, “Jamais poderá ser lido
A minha própria vida darei para que ele fique escondido.”

O temido Cardeal Alexandre cumpria com a sua obrigação
Era homem exigente e cruel, refletia a sua geração
Numa época dominada pela cegueira e pelo império papal
Ele obedecia cegamente a Sé de forma insana e magistral.

Mas depois daquela noite e todos os fatos que se seguiriam
Perguntas que jamais foram feitas aos seus pés despejariam
Sobre aquela cidade pesaria a mão do Pai celeste
E resistir à verdade seria mais danoso que a peste.

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