domingo, 31 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 7 – O livro esconde a redenção




O Cardeal, em seus aposentos, acercava-se das notícias
Imaginando que atitude seria a mais propícia
O terror da sua alma fazia-o temer por seu destino
Se revelassem suas verdades juntamente com seu desatino.

“Preparem a minha carruagem, é necessário partir
Este lugar é perigoso, já não tenho negócios aqui.”
Os seus cavaleiros prepararam o transporte e a bagagem
O baú era o item mais precioso da sua viagem.

Não muito longe dali, reunidos em uma taberna
Alguns homens debatiam sobre sua desgraça hodierna
Buscavam explicações para maldição tão enfadonha
Que naquele dia apagara as suas caras risonhas.

“Agora me lembrei de algo, sei que vocês vão concordar”
Disse um homem velho encostado ao balcão do bar
“Toda essas desavenças que nos trazem grande desgraça
Aconteceram logo após aquele espetáculo na praça.”

“Depois que a bruxa foi queimada!”, exclamou outro cidadão
“Agora nós sabemos: ela nos lançou uma maldição!”
“Mas como nos livraremos do feitiço da besta-fera?
Morta está a bruxa e voltou ao pó que era.”

“O seu livro de bruxarias o Cardeal tem guardado
Aquele livro satânico deve conter um antídoto revelado
Que nos livre desta amargura e nos devolva a sanidade
Para de novo encher de paz a nossa tranquila cidade.”

Aqueles homens decididos correram até o delegado
E juntos chamaram o prefeito, que logo foi acordado
Conversaram sobre o assunto e chegaram à conclusão:
“Precisamos daquele livro para quebrar a maldição.”

Uma turbe de uns trinta homens se dirigiu até a igreja
Não sabendo que haveriam de encontrar grande peleja
Assim que lá chegaram o Cardeal já entrara na carruagem
E o cocheiro com um aceno pedia-lhes passagem.

“Esperem só um instante e não nos levem a mal
Temos um assunto urgente a tratar com o Cardeal
Peçam a ele que desça e aceite nos receber
Só ele tem a solução para a nossa alma devolver.”

O Cardeal contrariado e tentando conter o seu furor
Desceu da carruagem decidido a não ouvir tal clamor
“Senhores, ouçam o que vos digo, retornem aos seus lares
Lá estarão seguros na presença dos seus pares.”

“Perdão, vossa eminência”, disse sem temor o delegado
“Mas somente o senhor tem a cura para nosso mal logrado”
O que faria o Cardeal agora se era impossível mentir?
Se lhes desse o livro da bruxa tudo iriam descobrir.

“Eu de fato tenho a cura, mas será impossível lhes dar
Minha obediência é à Santa Sé e a ela devo respeitar.”
Então o Cardeal ordenou que seus homens fortemente armados
Abrissem caminho à espada contra o povo desesperado.

E no meio do nevoeiro, deu-se uma peleja fatal
Para voltarem às suas mentiras, lutou o mal contra o mal
Após mortos e feridos derramarem o seu sangue ao chão
O Cardeal sentindo-se acuado acabou perdendo a razão.

“Afastem-se, seus malditos, em nome do papa vos esconjuro
Se se aproximarem morrereis, pela minha alma juro!”
Mas sozinho diante do povo o seu poder já não valia nada
Embora tentasse lutar, morreu ferido por uma espada.

A carruagem foi vasculhada e o baú foi recuperado
Dentro dele estava a cura para o povo amaldiçoado
Que sentindo coceira nos ouvidos não suportava a verdade
Queria a sua vida de volta e esperava já não ser tarde.


CONTINUA...

sábado, 30 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 6 – Amaldiçoados pela verdade




O dia já ia morrendo e o nevoeiro não se ausentava
Presenciando a discórdia que aquela cidade tomava
Pessoas outrora direitas, religiosas e de alta moral
Agora estavam enterradas nas trevas do seu próprio mal.

O delegado logo enviou de casa em casa um aviso
Reunir o povo na igreja era urgentemente preciso
Juntos poderiam encontrar uma solução para tal dilema
Deveriam também e rezar e fazer uma novena.

Às sete horas da noite todos já estavam acomodados
Esperando a chegada dos guardas com o delegado
Todos vinham atordoados e, em silêncio, rangiam os dentes
Sentiam-se como vivendo em um mundo diferente.

Quando o delegado chegou e se colocou na frente do altar
Disse: “Povo desta cidade, chegou a hora de desvendar
Tais conflitos e revezes que perturbam a nossa paz
Este mal que nos assola de forma tão mordaz.”

A balbúrdia iniciou-se, todos falavam ao mesmo tempo
O delegado gritou: “Isto não está a contento!
Se todos não colaborarem não resolveremos o problema
Como pode tanta desgraça em cidade tão pequena?”

Um homem até então calado levantou-se e pediu a vez
O delegado deu um grande grito e o silêncio se fez
“Será que vocês não percebem o que existe na realidade?
O problema é somente um: só conseguimos dizer a verdade.”

O silêncio que já havia tornou-se ainda mais intenso
“Eu vou dizer a vocês o que sobre tudo isso penso
Não existem mais mentiras, só a verdade pode ser dita
Apenas mostramos quem somos, nossa existência maldita.”

“Você fala como um lunático”, disse uma senhora idosa
“Cale-se se não é capaz de dizer coisa proveitosa.”
“Não sou nenhum lunático, consulte a sua própria consciência
A senhora é capaz de dizer o contrário do que pensa?”

A idosa ficou calada, o homem estava certo
Se ela abrisse a boca, seus pecados seriam descobertos
Então todos se deram conta finalmente da situação
Só podiam dizer a verdade, como se fosse uma maldição.

“Então o que faremos?”, o delegado quis saber
Mas ninguém tinha coragem de qualquer coisa dizer
Aos poucos foram se retirando, cada um para o seu lar
Emudecidos pela verdade que estava a lhes torturar.

Naquela noite não houve rezas, nem diálogo entre as famílias
O padre não rezou a missa, não fez a sua homilia
Todos se trancaram em casa e não ousavam sair
Pois estavam certos de uma coisa: era impossível mentir.

Como conviver com isso e também manter as aparências
Sem revelar sentimentos maus, crueldades e indecências
Atitudes concupiscentes, desejos dos mais bestiais
Pais que maltratavam os filhos, filhos que odiavam os pais?

Religiosos que fornicavam e poderosos que oprimiam
Tantas famílias desajustadas que sempre à missa iam
Escondidos detrás das máscaras da sua religiosidade
Agora eram confrontados por sua ganância e maldade.

O nevoeiro dominava a vida daquelas pessoas
Que sempre se gabavam de fazerem coisas boas
E quando a noite cerrada caiu como um manto enegrecido
A cidade lembrava um cemitério há muito tempo esquecido.


CONTINUA...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 5 – Afogados no desespero




Quando o dia amanheceu, o sol não trouxe sua claridade
O grande nevoeiro abatera-se como a morte sobre a cidade
As pessoas, atordoadas, comentavam o acontecido
Mas não podiam imaginar que enfrentavam o desconhecido.

Bem em frente à igreja uma terrível cena se descortinou
Despencando de cima da torre ao solo alguém se lançou
Diante de um grupo de freiras o seu corpo chegou ao chão
Trazendo gritos aterrorizantes e grande desolação.

A guarda logo interveio enquanto o povo queria saber
Quem era aquela pobre alma que tal destino pôde ter
Ao virarem o corpo para cima, o espanto foi horrendo
O homem que ali jazia era o juiz sanguinolento.

Nem todos ficaram tristes com tal morte e tal horror
No fundo muitos abominavam aquele juiz inquisidor
Teria sido suicídio ou sua morte fora encomendada?
Ele tinha muitos inimigos que queriam sua alma desgraçada.

Pela brecha da porta da igreja o Cardeal observava
O juiz era o responsável pelas vítimas que ele assassinava
Que morte súbita e misteriosa, era melhor manter distância
Porque nada poderia atrapalhar a sua cega ganância.

Enquanto o delegado investigava as causas da morte do juiz
Coisas estranhas aconteciam bem longe da igreja matriz
Casais que outrora se amavam brigavam como inimigos
Tanto homens como mulheres afirmavam terem sido traídos.

Os filhos que eram exemplos de fé e de devoção
Agora brincavam nos bares e nos bordéis faziam sermão
As meninas que de tão recatadas lembravam seres angelicais
Desvairadas, gritavam pelas ruas: “Nós já não suportamos mais!”

O que estaria acontecendo àquela pacata cidade
Que aos poucos se transformava em grande calamidade?
Todos achavam que o mal havia batido em seus portões
Conturbando as suas famílias, dilacerando os seus corações.

Havia choro e gritos, pessoas estavam sendo mortas
As ruas ficaram desertas, o comércio fechou suas portas
O prefeito da cidade reuniu as autoridades presentes
Algo deveria ser feito e precisava ser urgente.

A algazarra era tanta na reunião apressada
Todos falavam ao mesmo tempo, ninguém entendia nada
“Silêncio, senhores, silêncio”, gritou da tribuna o prefeito
“Se não nos organizarmos, nada faremos a respeito.”

Disse o prefeito após todos finalmente silenciarem:
“Devemos tomar medidas com as forças que nos sobrarem
A situação é delicada e a cidade está em conflito
O nosso Cardeal Alexandre afirmou já estar aflito.”

“E quem terá condições de resolver tal empreitada?
O senhor, prefeito corrupto, cuja autoridade é questionada?”
“Cale-se ou se retire, você não passa de um embusteiro!”
“Se o cão deve ir embora, o porco precisa ir primeiro!”

A confusão só aumentava e ninguém se entendia
A cidade parecia uma fornalha que com muito fogo ardia
Na escola, os professores se declaravam ignorantes
As freiras tão recatadas se mostravam extravagantes.

No teatro os atores também não conseguiam se entender
Todos diziam ser estrelas e queriam aparecer
A ponto de o diretor cancelar o espetáculo
“A arte está esquecida, perdeu o seu sustentáculo.”


CONTINUA...

O NEVOEIRO - Parte 4 – O nevoeiro




Do oceano um vento quente soprou na direção da cidade
Encontrando-se com o ar frio daquela localidade
Condensando-se num nevoeiro denso como fumaça
Encobrindo aquelas vidas que não previam qualquer desgraça.

As cinzas do corpo da morta o nevoeiro dissipou
Pelos quatro cantos da cidade pouco a pouco se espalhou
Cobrindo todas as casas até a torre da igreja
Tornando ainda mais sombria aquela cidade malfazeja.

Deitado em seus aposentos guardado por dois cavaleiros
O Cardeal acordou assustado por um grito altaneiro
Percebeu que houvera sonhado e os gritos eram da mulher
Que ele condenara à fogueira sem misericórdia qualquer.

Levantou-se de sua cama ordenada de ouro e linho fino
Sentindo uma dor forte incomodando o seu intestino
Ordenou que lhe trouxessem uma xícara de chá de ervas
E acendeu uma vela para dissipar as trevas.

Enquanto o chá de ervas para ele era preparado
O Cardeal dirigiu-se a um baú guardado bem ao seu lado
Com uma chave que trazia consigo pendurada a um cordão
Abriu-o com cautela, sentindo arder o seu coração.

De dentro do grande baú um grande livro foi retirado
Era aquele que a mulher trazia e que ele dizia ser amaldiçoado
“Este livro é perigoso”, ele disse, “Jamais poderá ser lido
A minha própria vida darei para que ele fique escondido.”

O temido Cardeal Alexandre cumpria com a sua obrigação
Era homem exigente e cruel, refletia a sua geração
Numa época dominada pela cegueira e pelo império papal
Ele obedecia cegamente a Sé de forma insana e magistral.

Mas depois daquela noite e todos os fatos que se seguiriam
Perguntas que jamais foram feitas aos seus pés despejariam
Sobre aquela cidade pesaria a mão do Pai celeste
E resistir à verdade seria mais danoso que a peste.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 3 – A bruxa queima na fogueira




Durante o restante do dia todos estavam em seus afazeres
Felizes por resistirem a todos os seus prazeres
Eram pessoas santas que valorizavam as suas liturgias
Diferentes daquela mulher e das suas perversas bruxarias.

Já antes da meia-noite, a praça aos poucos se lotava
Curiosa pelo espetáculo macabro, a multidão se aglomerava
Ao centro havia uma estaca rodeada de toras de madeira
E carrascos seguravam tochas, esperando acenderem a fogueira.

À meia-noite daquela sexta-feira os sinos da igreja soaram
Uma por uma as pessoas com reverência se ajoelharam
Seguido de cavaleiros, religiosos e autoridades civis
O Cardeal entrou com pompa trazendo a mulher de atos vis.

Com um manto todo branco a perversa estava vestida
Mãos e pés amarrados, mas mantendo a face erguida
A multidão furiosa dava-lhe tapas, socos e pontapés
Jogavam-lhe pedras e paus: “Morte à prostituta dos infiéis!”

Chegando ao centro da praça, na estaca ela foi amarrada
E com óleo feito de oliva a sua roupa foi encharcada
“Queimem a bruxa!”, a plebe gritava desejosa por contemplar
Seu corpo ardendo na fogueira e sua alma no inferno a queimar.

A mulher olhou para o céu com o coração repleto de dor
Os seus olhos vertiam lágrimas diante de tanto terror
“Renegue a Satanás e reconheça a Santa Sé
Salve ao menos a tua alma e morra nos braços da fé.”

O Cardeal esperava ansioso ouvir a sua confissão
Mas a mulher disse apenas: “Eu creio na minha salvação
Se a Deus me aprouve o martírio, aceito carregar minha cruz
Mas saibam todos que a minha fé está firmada em Jesus.”

Um raio cortou o céu e nuvens pesadas pairaram
As pessoas indignadas ainda mais forte gritaram
“Heresia”, girou o Cardeal, “A sua alma condenada vai tarde
Acendam a fogueira, vamos ver como ela arde!”.

Os carrascos atenderam a voz do seu comandante
Após acenderem a fogueira, ouviram um grito cortante
A mulher, olhando pro céu, sentindo as chamas ardendo
Disse: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que estão fazendo.”

Logo morta estava a bruxa e o seu instinto satânico
Nunca mais ela infringiria terror, maldade ou mesmo pânico
Todos da cidade dormiriam sentindo paz no coração
“Está morta a semente do mal. Cumprimos nossa missão.”

Naquela noite fatídica em que a fogueira ainda ardia
E a pobre mulher sucumbira a tal ato de covardia
O silêncio foi tão profundo como nem na morte existe
Que se a alguém fosse revelado, deixaria a sua alma triste.

CONTINUA...

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 2 – Queimem a bruxa!




Num dia doze de dezembro, por perto do meio dia
Ouviu-se gritos na praça e depois grande correria
Dois cavalos puxando uma carruagem muito bem fortificada
Seguidos por dez cavaleiros faziam a sua entrada.

O Cardeal Alexandre comandava a guarnição
Vinha na frente de todos segurando uma espada na mão
Assim que parou seu cavalo todos os outros pararam
Sob o olhar estarrecido das pessoas que se aglomeraram.

“Moradores desta cidade, eu lhes trago boas-novas
Quem algum dia contestou a nossa fé, agora verá as provas
Vereis que não há mortal que atente contra a verdade
E que voltar-se contra a Sé é sinônimo de iniquidade!”

O Cardeal ordenou que abrissem a porta da carruagem
E trouxessem para que todos vissem o resultado da sua viagem
Acorrentada a grilhões uma mulher foi-lhes apresentada
O seu corpo estava sangrando e vinha muito assustada.

“Esta mulher que vedes”, bradou alto o cardeal
“É esposa de Satanás e prostituta de Belial
Ela foi presa em flagrante acusada de bruxaria!”
Naquele instante deu-se início a uma grande gritaria.

A mulher amarrada a correntes lutava para se libertar
Dizia: “Eu sou cristã! Vocês não podem me condenar
Nunca cometi sacrilégios nem jamais neguei a minha fé
Digam-me, acusadores, que pecados cometi contra sua Sé?”

“Cale-se, desafortunada, você é uma criatura maldita
Para trazer pragas ao mundo a sua existência já foi predita.”
O povo começou a gritar: “A bruxa deve ser queimada
Do nosso meio seja banida esta mulher amaldiçoada!”

O cardeal ficou satisfeito ao presenciar aquela reação
E aproveitou para proferir naquele instante a condenação:
A sentença da mulher era ser queimada à meia-noite
Após uma intensa sessão de torturas e açoites.

“Eu vos peço misericórdia, não me matem pelo amor de Deus
Vossa iminência declare quais são os pecados meus.”
“A bruxa tenta se defender e usa o nome de Deus em vão
Mas eu trago aqui comigo o motivo da sua prisão.”

O Cardeal ordenou que trouxessem o motivo daquela sentença
“Eis aqui meus irmãos diante de vossa presença
O livro infame que esta mulher mantinha em sua residência
Mesmo sabendo ser proibida até mesmo a sua existência!”

“Estás louco, eu declaro, há muito perdestes a sanidade!”
“Calem esta bruxa que atenta contra a verdade!”
Um cavaleiro agrediu a mulher com um soco em seu rosto
Fazendo que do próprio sangue ela sentisse o gosto.

“Esta escrava de Belzebul merece uma morte cruel!”
Gritou o Cardeal furioso erguendo o livro pro céu
“Vejam vocês que infâmia esta bruxa estava a portar
Um livro negro de Satã para as suas maldades tramar.”

As pessoas davam gritos e urravam diante de tal heresia
Rasgavam as suas vestes como há muito não se fazia
Aquela mulher tinha em mãos um livro proibido
Que o Cardeal afirmava ser o livro de feitiços malditos.

O Cardeal ordenou que a levassem para a prisão
E após combinar os detalhes, despediu a população
Todos deveriam se preparar para aquela meia-noite sangrenta
A turbe estava ansiosa, de justiça bufava sedenta.

CONTINUA...

terça-feira, 26 de maio de 2015

O NEVOEIRO - Parte 1 – Uma cidade cheia de fé



No ano de 1685, numa cidade situada no interior
As pessoas não imaginavam que viveriam grande terror
Existindo em suas vidas normais nem podiam perceber
Que coisas muito estranhas estavam por acontecer.

Havia ali uma igreja onde o padre celebrava a missa
Seguir cegamente a Sé, esta era a sua premissa
Também havia uma delegacia com guardas e suas espadas
Encarregados de manter tudo em suas coordenadas.

Nesta cidade pacata havia um pequeno hospital
Para onde todos os doentes iam se tratar de algum mal
O comércio não era grande e pouco era o necessário
As pessoas naquela cidade se contentavam com o ordinário.

O prefeito da cidadezinha era de uma família abastada
Revezando-se na política e com o poder acostumada
O juiz era apelidado de “homem sanguinolento”
Julgava ricos e pobres segundo o seu entendimento.

Diferente de outras cidades pequenas daquelas redondezas
Ali havia um teatro, com artistas e suas proezas
Também havia uma praça que à noite era muito frequentada
Aos domingos, no fim da missa, sempre estava lotada.

Nada podia ser mais normal na vida daqueles moradores
Com a rotina jamais invadida, com suas alegrias e suas dores
Absortos em suas preocupações, entretidos em seus afazeres
Executando as suas tarefas, satisfazendo os seus prazeres.

Naquela cidade pequena havia uma peculiaridade:
As pessoas eram sérias e zelosas em sua religiosidade
Defendiam os bons costumes, a família e a moral
Consideravam-se pessoas boas, desprezavam todo o mal.

Honravam as suas tradições e seus rituais religiosos
Puritanos e ascéticos, da pureza eram desejosos
Não toleravam qualquer novidade que atentasse contra sua crença
Rechaçavam os presunçosos, condenavam a descrença.

As autoridades da cidade, embora justamente empoçadas
Não tinham a última palavra, estavam sempre devotadas
A um homem cuja tirania fazia do povo o seu serviçal
O seu nome era Alexandre, mais conhecido como Cardeal.

Eram tempos tenebrosos onde a superstição dominava
O medo subjugava as almas, embora a fé se declarava
Mas todos viviam bem se todas as regras fossem seguidas
Caso contrário podiam considerar suas almas perdidas.

E assim todos iam vivendo em uma aparente perfeição
Sufocando as suas angústias, adornando o seu coração
Era preciso manter a paz, a calma e a normalidade
O viajante que ali chegava não encontrava nenhuma maldade.

CONTINUA...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

JESUS CRISTO É JEOVÁ: a natureza de Cristo





A) Nomes Divinos: 

1) Deus (Jo.1:1; Jo.1:18(ARA); Jo.20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8). 
2) Filho de Deus (Mt.8:29;16:16;27:40; Mc.14:61,62; Jo.5:25;10:36; 
3) Alfa e Ômega (Ap.1:8,17;22:13; Is.44:6). 
4) O Santo (At.3:14; Is.41:14; Os.11:9). 
5) Pai da Eternidade e Maravilhoso (Is.9:6; Jz.13:18). 
6) Deus Forte (Is.9:6; Is.10:21). 
7) Senhor da Glória (ICo.2:8; Tg.1:21; Sl.24:8-10). 
8) Senhor (At.9:17;16:31; Lc.2:11; Rm.10:9; Fp.2:11). O termo "Senhor" em grego é Kúrios, e significa Chefe superior, Mestre, e como tal era empregado à pessoas humanas, aos imperadores de Roma. Entretanto eles eram considerados deuses, e somente à eles era permitido aplicar este título, no sentido de divindade (At.2:36; IICo.4:5; Ef.4:5; IIPe.2:1; Ap.19:16).

B) Pelo culto divino que Lhe é atribuido: 
1) Somente Deus pode ser adorado (Mt.4:10). 
2) Jesus aceitou e não impediu Sua adoração (Mt.14:33; Lc.5:8;24:52). 
3) O Pai deseja que o Filho seja adorado (Hb.1:6; Jo.5:22,23; compare Is.45:21-23 com Fp.2:10,11). 
4) A Igreja primitiva o adorou e orava Ele (At.7:59,60; IICo.12:8-10). 

C) Pelos ofícios divinos que Lhe foram atribuídos: 

1) Criador (Jo.1:3; Hb.1:8-10; Cl.1:16). 
2) Preservador (Cl.1:17). 
3) Perdoador de pecados (Mc.2:5,7,11; Lc.7:49).
4) Jesus é Jeová Encarnado (Compare Is.40:3,4 com Jo.1:23; Is.8:13,14 com
IPe.2:7,8 e At.4:11; IPe.2:6 com Is.28:16 e Sl.118:22; Nm.21:6,7 com
ICo.10:9(ARA = Senhor; ARC = Cristo; no grego = Criston); Sl.102:22-27 com
Hb.1:10-12; Is.60:19 com Lc.2:32; Zc.3:1,2). 

D) Pela associação de Jesus, o Filho, com o nome de Deus Pai (IICo.13:14;  ICo.12:4-6; ITs.3:11; Rm.1:7; Tg.1:1; IIPe.1:1; Ap.7:10; Cl.2:2; Jo.17:3; Mt.28:19).

E) Atributos divinos Lhe são atribuídos: 

1) Atributos Naturais: 
a) Onisciência (Jo.1:47-51;4:16-19,29;6:64;16:30;8:55; Jo.10:15;21:6,17;
Mt.11:27;12:25;17:27; Cl.2:3). 
b) Onipresença (Jo.3:13;14:23 Mt.18:20;28:20; Ef.1:23). 
c) Onipotência (Mt.8:26,27;28:28; Hb.1:3; Ap.1:8). 
d) Eternidade (Jo.8:58;17:5,24; Cl.1:17; Hb.1:8;13:8; Ap.1:8; Is.9:6; Mq.5:2). 
e) Vida (Jo.10:17,18;11:25;14:6). 
f) Imutabilidade (Hb.1:11;13:8; Sl.102:26,27). 
g) Auto-Existência (Jo.1:1,2). 
h) Espiritualidade (IICo.3:17,18).
2) Atributos Morais:
a) Santidade (At.3:14;4:27Jo.8:12; Lc.1:35; Hb.7:26; IJo.1:5; Ap.3:7;15:4;
Dn.9:24). b) Bondade (Jo.10:11,14; IPe.2:3; IICo.10:1). c) Verdade (Mt.22:16;
Jo.1:14;14:6; Ap.19:11;3:7; IJo.5:20). 

F) Títulos dados igualmente a Deus Pai e a Jesus Cristo: 

1) Deus: Deus Pai (Dt.4:39; IISm.7:22; IRs.8:60; IIRs.19:15; ICr.17:20; Sl.86:10; Is.45:6;46:9; Mc.12:32), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Jo.1:23 e 3:28; Sl.45:6,7 com Hb.1:8,9; Jo.1:1; Rm.9:5; Tt.2:13; IJo.5:20). 
2) Único Deus Verdadeiro: Deus Pai (Jo.17:3), Jesus Cristo (IJo.5:20). 
3) Deus Forte: Deus Pai (Ne.9:32), Jesus Cristo (Is.9:6). 
4) Deus Salvador: Deus Pai (Is.45:15,21; Lc.1:47: Tt.3:4), Jesus Cristo (IIPe.1:1; Tt.2:13; Jd.25). 
5) Jeová: Deus Pai (Ex.3:15), Jesus Cristo (Compare Is.40:3 com Mt.3:3 e Jo.1:23). 
6) Jeová dos Exércitos: (ICr.17:24; Sl.84:3; Is.51:15; Jr.32:18;46:18), Jesus Cristo (Compare Sl.24:10 e Is.6:1-5 com Jo.12:41; Is.54:5). 
7) Senhor: Deus Pai (Mt.11:25;21:9;22:37; Mc.11:9;12:29; Rm.10:12; Ap.11:15), Jesus Cristo (Lc.2:11; Jo.20:28; At.10:36; ICo.2:8;8:6;12:3,5; Fp.2:11; Ef.4:5).
8) Único Senhor: Deus Pai (Mc.12:29; Dt.6:4), Jesus Cristo (ICo.8:6; Ef.4:5). 
9) Jeová e Salvador, Senhor e Salvador: Deus Pai (Is.43:11;60:16; Os.13:4), Jesus Cristo (IIPe.1:11;2:20;3:18). 
10) Salvador: Deus Pai (Is.43:3,11;60:16; ITm.1:1;2:3; Tt.1:3;2:10;3:4; Jd.25), Jesus Cristo (Lc.1:69;2:11; At.5:31; Ef.5:23; Fp.3:20; IITm.1:10; Tt.1:4;3:6). 
11) Único Salvador: Deus Pai (Is.43:11; Os.13:4), Jesus Cristo (At.4:12; ITm.2:5,6). 
12) Salvador de todos os homens e do mundo: Deus Pai (ITm.4:10), Jesus Cristo (IJo.4:14). 
13) O Santo de Israel: Deus Pai (Sl.71:22;89:18; Is.1:4; Is.45:11), Jesus Cristo
(Is.41:14;43:3;47:4;54:5). 
14) Rei dos reis, Senhor dos senhores: Deus Pai (Dt.10:17; ITm.6:15,16), Jesus Cristo (Ap.17:14;19:16). 
15) Eu Sou: Deus Pai (Ex.3:14), Jesus Cristo (Jo.8:58).
16) O Primeiro e O Último: Deus Pai (Is.41:4;44:6;48:12) Jesus Cristo (Ap.1:11,17;2:8;22:13). 
17) O Esposo de Israel e da Igreja: Deus Pai (Is.54:5;62:5; Jr.3:14; Os.2:16),
Jesus Cristo (Jo.3:9; IICo.11:2;; Ap.19:7;21:9). 
18) O Pastor: Deus Pai (Sl.23:1), Jesus Cristo (Jo.10:11,14; Hb.13:20).
1) Criou o mundo e todas as coisas: Deus Pai (Ne.9:6; Sl.146:6; Is.44:24;
Jr.27:5; At.14:15;17:24), Jesus Cristo (Sl.33:6; Jo.1:3,10; ICo.8:6; Ef.3:9;
Cl.1:16; Hb.1:2,10). 
2) Sustenta e preserva todas as coisas: Deus Pai (Sl.104:5-9; Jr.5:22;31:35),
Jesus Cristo (Cl.1:17; Hb.1:3; Jd.1) 
3) Ressuscitou Cristo: Deus Pai (At.2:24; Ef.1:20), Jesus Cristo
(Jo.2:19;10:18). 
4) Ressuscitou mortos: Deus Pai (Rm.4:17; ICo.6:14; IICo.1:9;4:14), Jesus Cristo (Jo.5:21,28,29;6:39,40,44,54;11:25; Fp.3:20,21). 

5) É o Autor da regeneração: Deus Pai (IJo.5:18), Jesus Cristo (IJo.2:29).