quinta-feira, 23 de abril de 2015

EVANGELII GAUDIUM E A INCLUSÃO SOCIAL DOS POBRES




OBSERVAÇÃO: O presente texto faz parte do livro "Missão Integral: evangelismo e responsabilidade social na dinâmica solidária do Reino de Deus", de minha autoria. Ainda a publicar.


       A exortação apostólica Evangelii Gaudium – A alegria do Evangelho – do papa Francisco, ao episcopado, ao clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, redigida em 2013, é o documento oficial mais recente da Igreja Católica que trata a respeito do evangelismo e sua dimensão social. Vamos nos ater à dimensão social da evangelização que transporta a Igreja para a realidade da Missão Integral. É importante deixar clara essa dimensão social da evangelização, uma vez que erros de interpretação podem levar a práticas erradas ou a falta delas. A presente exortação demonstra essa preocupação do risco de se “desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora” (n. 176)[1].
            Além da dimensão social da evangelização, que será exposta na quinta parte deste estudo, a Evangelii Gaudium expõe a inclusão social dos pobres. Inclusão social é um termo que deduz uma prática bem mais abrangente que o assistencialismo social e a própria ação social. Ambas podem ser praticadas sem a transformação integral que garanta ao pobre a inclusão no desenvolvimento econômico da sociedade, podendo atuar como protagonista da sua própria libertação. Muitas ações em favor dos pobres acabam por excluí-los ainda mais, mantendo-os presos a uma rede de caridade e assistencialismo castradores e mantenedores da desigualdade social. Sobre isso estudaremos posteriormente. O que a Missão Integral sugere e que encontra eco na Evangelii Gaudium, é a preocupação com o desenvolvimento integral dos pobres que “Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados” (n. 186).


O clamor dos pobres

            Assim se expressa a Evangelii Gaudium: “Cada cristão e cada comunidade são chamados a serem instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade” (n. 154). O relato bíblico demonstra de maneira clara a preocupação de Deus pelo seu povo sofredor. Desde a expulsão de Adão e Eva do paraíso, Deus jamais deixou de buscar o homem, de demonstrar a sua preocupação amorosa e cheia de misericórdia para com o seu sofrimento. Quando escrava no Egito, a nação de Israel experimentou a libertação de Deus, conforme lemos no livro de Êxodo. Mesmo liberto, o povo ainda clamava, porque seus caminhos se desviavam dos caminhos de Deus. Então Deus lhes prometeu um salvador (Jz 3:15). Em todas as ocasiões aprouve a Deus usar pessoas como instrumentos e porta-vozes da sua libertação. Hoje, a Igreja é o instrumento utilizado pelo Senhor para levar esperança, cura, libertação e salvação ao mundo perdido e oprimido.
            A vontade de Deus é que socorramos os necessitados. “Ficar surdo a este clamor, quando somos instrumentos de Deus para ouvir o pobre, coloca-nos fora da vontade do Pai e do seu projeto” (n. 187). Na primeira parte deste estudo aprendemos que o cuidado com os pobres glorifica a Deus e que as suas obras incluem a prática do bem social. Aprendemos, também, que honrar o pobre é honrar a Deus e que o cristão deve preocupar-se com as misérias humanas, porque é ministro do Evangelho. O apóstolo João invoca um amor solidário e prático que ultrapassa a retórica ao afirmar: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1 Jo 3:17). O apóstolo com certeza não está falando de cuidado com uma alma sofredora, mas com um corpo sofredor. Recursos deste mundo nada podem fazer por uma alma pecadora, o espírito abatido, mas podem saciar a fome de pão do miserável. Temos os recursos espirituais que nos permitem e nos impelem a utilizar nossos recursos deste mundo para socorrer o irmão que padece necessidade.
            A missão libertadora da Igreja não está restrita a um grupo exclusivo de pessoas, mas estende-se a todos aqueles que professam a fé em Jesus Cristo e depositam a sua confiança e esperança na Bíblia. A graça que nos alcançou e libertou, deseja alcançar e libertar integralmente aqueles que dela necessitam: os pecadores em seus pecados pessoais e sociais. A Igreja, guiada pelo Evangelho da Misericórdia e pelo amor a Deus e ao homem, “escuta o clamor pela justiça e deseja responder com todas as suas forças” (n. 188). Esse “escutar” se transforma numa ação de libertação quando deixamos apenas de ouvir nas ruas e nos noticiários os apelos por justiça e nos envolvemos amorosamente com aqueles que dela necessitam. Essa escuta “envolve tanto a cooperação para resolver as causas estruturais da pobreza e promover o desenvolvimento integral dos pobres, como gestos mais simples e diários de solidariedade[2] para com as misérias muito concretas que encontramos” (idem).
            Esse clamor do mundo pode ser um clamor urbano, onde as desigualdades sociais se agigantam de maneira diversificada (pobreza, drogas, violência, falta de educação, saúde e saneamento básico), ou pode ser o clamor rural dos sem-terra, dos seringueiros, dos trabalhadores em situação escrava, dos despojados por grileiros de terras. Mas também pode ser um clamor planetário: a natureza que morre pelas mãos do desenvolvimento e do capitalismo voraz, a necessidade de cuidar da atmosfera, das águas, dos animais. Há muito que ser ouvido. O tabloide “Grito dos/as Excluídos/as”, nº 59, de abril de 2014, informou: “Segundo dados do IPEA, divulgados em novembro de 2014, no Brasil, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é de 175 vezes”. O mesmo tabloide afirmou que “Dados da ONU afirmam que no mundo há entre 600 e 800 mil pessoas submetidas a regimes de escravidão”. Além disso, os 10% mais ricos concentram 41,9% da renda, enquanto os 10% mais pobres detêm 1,1% dos rendimentos.
            O planeta é para todos e não somente para alguns privilegiados. A Evangelii Gaudium (n. 190) afirma:

Respeitando a independência e a cultura de cada nação, é preciso recordar-se sempre de que o planeta é de toda a humanidade e para toda a humanidade, e que o simples fato de ter nascido em lugar com menores recursos ou menor desenvolvimento não justifica que algumas pessoas vivam menos indignamente.

            Neste planeta está a Igreja de Cristo, uma Igreja que congrega algumas das pessoas que fazem parte daquela porção privilegiada da sociedade, que concentra a maior parte da renda produzida pelos países. Como corpo de Cristo, a Igreja precisa posicionar-se em favor dos desfavorecidos. O seu testemunho e envolvimento são fundamentais. Pessoalmente, cristãos ricos podem agir com amor e liberalidade, colocando os seus bens ao serviço dos outros. Como denominação, a Igreja deve dispor de suas riquezas espirituais e materiais para a prática do bem social, sendo empreendedora do bem de todos. Como cristãos e cidadãos, é o dever de todos que professam a fé em Jesus Cristo lutar por justiça social. Os líderes, cheios do Espírito Santo, devem convocar toda a cristandade para essa prática libertadora de fazer o bem e ao mesmo tempo deixar de fazer o mal. Um estilo de vida simples e a eliminação da prática generalizada do desperdício evita o acúmulo de riquezas e a escassez de alimentos para milhões de seres humanos que tentam sobreviver a baixo da linha da pobreza.
           

Fidelidade ao Evangelho

            O Evangelho de Jesus Cristo está acima dos nossos discursos teológicos. Árdua tarefa é defender uma posição contrária àquilo que o Senhor pregou e realizou. As críticas à Missão Integral esbarram na vida santa do Senhor Jesus e na sua constante preocupação com os pobres do mundo, não somente os espiritualmente pobres, mas, também, os economicamente desfavorecidos. A Evangelii Gaudium rememora alguns textos imperativos do Novo Testamento, que mostram que a preocupação pelos pobres é uma questão de fidelidade ao Evangelho (n. 193). A Igreja não pode ser fiel a Deus e à sua Palavra se não manifestar em suas ações o amor que Deus deu ao mundo ao sacrificar o seu próprio Filho na cruz.
            A proclamação do Evangelho é a de felicidade para os misericordiosos, porque são esses que alcançarão misericórdia (Mt 5:7). Aquele que pratica a misericórdia, por ela será julgado (Tg 2:12,13). O apóstolo Pedro encontra no amor uma ação revolucionária capaz de cobrir multidão de pecados (1 Pe 4:8). Os pais da Igreja, como Agostinho, pregaram e viveram dentro dessa perspectiva. A Evangelii Gaudium cita a seguinte sentença de Agostinho (n. 193):

“Tal como, em perigo de incêndio, correríamos a buscar água para apagá-lo [...] o mesmo deveríamos fazer quando nos turvamos porque, da nossa palha, irrompeu a chama do pecado; assim, quando se nos proporciona a ocasião de uma obra cheia de misericórdia, alegremo-nos por ela como se fosse uma fonte que nos é oferecida e na qual podemos extinguir o incêndio”.

            Oportunidades de praticar o bem jamais deixarão de existir e atender ao seu apelo demonstrará nossa fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, nossa integridade de filhos da justiça e a coerência entre o que cremos e fazemos. O apóstolo João escreve: “Amado, não imiteis o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus” (3 Jo 11). Quem pratica o mal social senão o sistema capitalista neoliberal mundano? A Igreja sabe que deve fazer o bem (Tg 4:17), que não deve negligenciá-lo e nele deve aperfeiçoar (Hb 13:16,21). Cada cristão deve ser encontrado entre aqueles que são amigos do bem (1 Tm 6:18; Tt 1:8), jamais entre os que são inimigos dele (2 Tm 3:3). Se houver a oportunidade de fazermos o bem, não devemos desperdiçá-la, mas precisamos nos esforçar incansavelmente para pô-la em prática (Gl 6:9,10). Paulo fala aos romanos: “Não tomeis a ninguém mal por mal: esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens” (Rm 12:17). A esse bem devemos nos apegar ao passo em que detestamos o mal (Rm 12:9). Do túmulo ouviremos a voz do Senhor que nos chamará para a ressurreição da vida, caso tenhamos praticado o bem (Jo 5:29). Longe de ser salvação pelas obras, esta é a ressurreição daqueles que de fato compreenderam a natureza do seu chamamento e foram coerentes com ele.
            A coerência não está somente na prática do bem, mas no seu ensino. A hermenêutica católica oferece fundamentos que testificam a prática da inclusão social dos pobres por meio da atuação efetiva da Igreja. Para a Evangelii Gaudium, a mensagem social do Evangelho de Cristo “É uma mensagem tão clara, tão direta, tão simples e eloqüente (sic!) que nenhuma hermenêutica eclesial tem o direito de relativizar” (n. 193). A hermenêutica reformada, por outro lado, tende a relativizar as implicações sociais do Evangelho, como vimos nas críticas de Little na primeira parte. Essa relativização separa a alma do corpo e o espiritual do social. Devemos perguntar: fora do estilo de vida proposto pela Missão Integral de solidariedade e transformação social, o que resta para a Igreja? Resta um estilo de vida individualista presente no mundo secular e entre os pagãos, embora muitos ateus pratiquem a Responsabilidade Social. A Igreja não pode ser coerente com o mundo, mas com o Evangelho de Cristo. Ela também não pode ocupar uma posição de neutralidade. Ficar em sina do muro decidindo em fazer ou não fazer já uma clara decisão pelo não fazer.


O lugar privilegiado dos pobres

            Para a Evangelii Gaudium (n. 197), existe um lugar privilegiado para os pobres no povo de Deus e no próprio coração de Deus, tanto que até Ele mesmo se fez pobre (2 Co 8:9). O caminho da salvação é assinalado pela existência e participação dos pobres, como a humilde Maria, escolhida para ser a acolhedora do Messias em seu seio. O nascimento de Jesus deu-se em meio aos animais, numa estrebaria, rodeado por pobres pastores. A oferta oferecida por José e Maria pelo nascimento do menino não pôde ser a de um cordeiro, mas aquela designada para os mais pobres, dois pombinhos. No dia do Grande Julgamento, o bem que fizemos aos pobres definirá o estilo de vida que levamos e a verdadeira escolha que fizemos em nosso coração (cf. Mt 25:34-40). Existe um santo motivo para essa preocupação divina com aqueles que possuem pouco ou nenhum recurso neste mundo. Se os pobres não fossem uma preocupação para Deus, não teríamos tantos versículos na Bíblia referentes a eles.
A Evangelii Gaudium afirma que, para a Igreja, a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica (n. 198). A preferência da Igreja Católica Romana pelos pobres baseia-se nessa compreensão de preferência de Deus também pelos pobres. Segundo o ensinamento de Bento XVI, “esta opção ‘está implícita na fé cristológica naquele Deus que Se fez pobre por nós, par enriquecer-nos com sua pobreza’” (idem). Optar pelo cuidado com os desassistidos, os humildes e os oprimidos seria, então, uma prática de fé coerente com a ação misericordiosa do próprio Deus, que enxerga nos fracos a possibilidade de salvação. Assim, a exortação apostólica conclui (ibdem):

A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvítica de suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a apresentar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles.

            Olhamos para aqueles que nada possuem e enxergamos as nossas próprias misérias. A impossibilidade do pobre de prover para si mesmo nos faz lembrar a nossa pobreza espiritual, onde a salvação não pode ser provida senão pela graça de Deus. O apóstolo Paulo tinha esta certeza quando, ao confrontar-se com sua natureza pecaminosa e a impossibilidade de fazer por si só a vontade de Deus, escreveu: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?. Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado. Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 7:24 a 8:1,2). A sensível diferença é que a nossa nova natureza nos impele a proporcionar ao pobre, pela evangelização integral, a oportunidade de conhecer a graça de Deus que provê a sua salvação, e a chance de prover para si próprio a sua inclusão social, deixando a dependência do pecado que gera a morte e a da miséria igualmente mortal.
A ação salvítica de Deus estende-se além do seu sacrifício vicário na cruz: ela se traduz em relacionamento pessoal conosco. Deus está presente na História, Ele nos busca e nos encontra, Ele está em nós e no meio de nós. Podemos buscá-lo em oração, na leitura da Palavra, na sabedoria que enxerga seu agir no mundo. Deus fala conosco, abriga-nos debaixo de suas asas, toma-nos pela mão e nos conduz em segurança. Os seus ouvidos estão atentos às nossas dores, os seus pés se apressam em nos socorrer quando clamamos do mais profundo das nossas misérias, quando colocamos sob seu Senhorio a nossa vida. De igual modo, a relação da Igreja com os pobres não pode ser meramente assistencialista, desprovida de coração e afeto, mas amiga e companheira. “Esta atenção amiga é o início de uma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo procurar efetivamente o seu bem. Isso implica apreciar o pobre na sua bondade própria, com o seu modo de ser, com a sua cultura, com a sua forma de viver a fé” (n. 199).
            O amor que se revela em atos demonstra para a pessoa amada o valor que ela possui. É isso que diferencia a autêntica opção pelos pobres: os pobres não são utilizados para cumprir interesses pessoais e políticos (idem). Da compreensão da opção pelos pobres depende a pregação do Evangelho em meio a uma sociedade de mentiras. Segundo a Evangelii Gaudium, “A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária” (n. 200). Eles possuem uma especial abertura à fé e por isso necessitam de cuidado espiritual. Para tanto, ninguém deve excluir-se da prática do bem para com os pobres, do cuidado pelas suas necessidades. A Igreja, como despenseira de Deus, deve estar na linha de frente desta empreitada, oportunizando ao pobre a sua promoção e libertação.
             A Igreja é enviada pelo Senhor a um mundo de desigualdades sociais, urgindo a necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza (n. 202). Na desigualdade reside a raiz de todos os males sociais, que não podem ser sanados com os programas assistencialistas do governo nem com medidas paliativas e aprisionadoras. Se a sociedade está indiferente, se o sistema político e econômico não produz uma preocupação sincera e transformadora com as causas emergências dos pobres, a Igreja não pode vestir-se do mesmo sentimento, mas deve viver verdadeiramente para o bem comum e a justiça social de quê o mundo necessita. O mercado mente de forma desavergonhada e tenta convencer as pessoas que elas valem o quanto têm, produzindo uma falsa segurança que aprisiona a todos no consumismo e na mentira de que podem ser felizes dessa forma.
            Cuidar ou não dos pobres pode significar o fortalecimento ou o fim da comunidade cristã. As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, mas a sua dureza de coração e a sua insensibilidade diante das misérias humanas podem torná-la inoperante, como o sal que não sai do saleiro. A Evangelii Gaudium afirma (n. 207):

E qualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranqüila (sic!) sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos, correrá também o risco da sua dissolução, mesmo que fale de temas sociais e critique os Governos. Facilmente acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios.

            Essa exortação do líder da Igreja romana é, infelizmente, um retrato fiel da atual situação da Igreja evangélica. Estamos experimentando uma época em que o mundanismo espiritual (traduzido pela ambição evangélica por bens materiais, prosperidade financeira e sucesso total), as práticas religiosas vazias (traduzidas em cultos de cura e libertação, sessões de descarrego, amuletos e superstições), as reuniões infecundas (traduzidas em celebrações litúrgicas e eventos desprovidos da verdadeira adoração, cuja essência é antropocêntrica) e os discursos vazios (traduzidos em pregações e ensinos sem fundamentação bíblica, ou o que é pior: com deturpação do texto bíblico), tem sido o modus vivendi e o modus operandi dos que se declaram “crentes”. Embora existam igrejas verdadeiramente cristocêntricas e fundamentadas na Bíblia, mesmo essas carecem de uma revisão teológica que as coloque em contado amoroso com os pobres.




[1] Este capítulo e o capítulo “A dimensão social da evangelização”, na parte três, foram inseridos após a conclusão deste estudo. A exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco (2013), chegou ao meu conhecimento recentemente. Ao ler os seus textos, percebi bastante semelhança com a doutrina protestante da Missão Integral e aquilo que eu já vinha debatendo aqui. Estudá-la é importante para apreendermos outros ensinamentos que possam somar-se ao ideal buscado de Evangelho Integral, demonstrando o pensamento de outra corrente do cristianismo e a sua prática, que deveria ser também uma prática das igrejas reformadas. Os documentos oficiais da Igreja Católica possuem parágrafos numerados para facilitar a sua leitura e estudo, que são os números que aparecem entre parênteses.

[2] Na parte dois encontra-se o tema “solidariedade” mais aprofundado.


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