segunda-feira, 27 de abril de 2015

Desista dos teus sonhos, mas nunca de sonhar







Publiquei numa rede social uma postagem com um frase, sugerindo que as pessoas criassem um comentário crítico. A frase é a seguinte: “Não devemos desistir jamais, independente das pessoas e das circunstâncias. Desistir é para os fracassados”. Poucas pessoas realmente rebateram o que a frase diz, mas a maioria concordou com o que está escrito. Por que? Os jargões supremos da autoajuda – “Jamais desista dos teus sonhos”, ou “Jamais desista de lutar” – estão impregnados na mentalidade humana, acima de tudo aquela parcela da humanidade que não reflete antes de agir. Do quê não devemos desistir? De sonhar ou de um sonho específico?
Após alguns comentários, postei uma foto de Adolf Hitler, na qual escrevi: “Ele não desistiu jamais, independente das pessoas e das circunstâncias”. Hitler tinha um sonho, um plano, uma meta e levou a sua ambição até as últimas consequências, sendo a maior, a mais devastadora e a mais terrível, o Holocausto, onde milhões de judeus e outras pessoas consideradas fora dos padrões do Reich perderam as suas vidas. Todos concordamos que ele deveria ter desistido, não resta dúvida. Isto quer dizer que nem todos os nossos sonhos são legítimos e nem todos eles serão alcançados.
Nossos planos e nossas metas devem incluir as pessoas. Ninguém faz ou deixa de fazer algo “independente das pessoas”. Elas fazem parte de nós, da nossa realidade. Não devemos dar atenção àquelas pessoas que tentam minar as nossas forças, desacreditar-nos dizendo que não podemos, que não iremos conseguir, que não vale a pena. Enquanto dei ouvido a essas informações distorcidas, não cheguei a lugar algum como escritor. Ainda assim é preciso avaliar o que elas dizem. Pode ser que tenham percebido alguma falha ou limitação em nós que não havíamos percebido. Então podemos reavaliar nossas intenções, nossas ações e redirecionar nossos esforços.
Entretanto, quando agimos “independente das pessoas”, corremos o risco de passar por cima delas, de usá-las para nossos fins, de prejudicá-las. Isso pode acontecer com nossos entes queridos, nossos amigos, nossos colegas de trabalho, nossos irmãos da Igreja. É preciso agira com as pessoas e a favor delas. Não precisamos de inimigos nem de rivais, mas de aliados. A Palavra de Deus nos convoca a uma vida de partilha, de solidariedade, onde aquilo que sou e que tenho esteja a serviço da comunidade. Esse é um pensamento cristão baseado no amor de Deus. A minha vitória só é legítima quando outras pessoas também podem se sentir vitoriosas com a minha conquista, mesmo que seja apenas a alegria de me ver bem.
E o que dizer das circunstâncias? Nem sempre elas estarão a favor daquilo que desejamos e sonhamos. Geralmente o mundo irá oferecer resistências, as situações políticas e econômicas tenderão a erguer enormes barreiras para impedir o nosso avanço. Na família, na Igreja ou no trabalho encontraremos fatos que nos desestimularão, que dificultarão a nossa caminhada rumo ao alcance das nossas metas. É preciso convicção do nosso chamado, do nosso sonho, do nosso ideal. É necessária bastante fé para permanecermos firmes diante das investidas contrárias. Quando tudo está a favor, é mais fácil lutar. Mas até que ponto devemos insistir? Será que devemos mesmo lutar até as últimas consequências? Pode ser que elas não sejam nada boas. Ao contrário do que diz a frase – “Desistir é para os fracassados” – desistir é para os sábios, para aqueles que são humildes e inteligentes o suficiente para saber o momento certo de parar, de retroceder, de voltar atrás e fazer novos planos, traçar novas metas, estudar outros rumos.

A única derrota real é jamais tentar. Mas tentar e desistir quando está claro que estávamos lutando a luta errada, buscando o sonho errado e caminhando rumo ao abismo, é uma grande vitória que podemos experimentar. Não devemos desistir por medo, baixa autoestima, comodismo, preguiça, falta de confiança nos outros, pessimismo ou falta de fé. Essas coisas não justificam a desistência de um sonho e podem, sim, ser sinônimos de fracasso. Se as circunstâncias não forem boas, criemos outras que sejam. Sejamos proativos e resilientes. Desistir de um sonho, sim; mas desistir de sonhar, jamais!

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