quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

COMO SENTIR A PRESENÇA DE DEUS?





            Como sentir a presença de Deus? Como saber que Deus está perto de nós, agindo na nossa vida, atendendo as nossas orações, preenchendo o nosso coração? Muitas pessoas buscam sentir a presença de Deus por meio de sensações físicas, como falar em línguas estranhas, sentir arrepios, chorar compulsivamente, sapatear e bater palmas freneticamente. Quando o coração acelera e elas parecem querer desmaiar ao sentir uma força invadindo o seu interior, dizem que sentiram a presença de Deus, que ouviram Deus falar, revelando a sua vontade e profetizando sobre as suas vidas. O êxtase é o momento crucial dessa experiência.

            Tais manifestações físicas e emocionais, embora façam parte da realidade humana ao se confrontar com o natural ou o sobrenatural, não encontra respaldo bíblico, não constitui, biblicamente, sinais da presença de Deus na vida do cristão. O que a Bíblia diz a respeito do conhecimento da vontade boa, agradável e perfeita de Deus é que isso não está ligado a essas manifestações místicas, mas à transformação do homem através da renovação da sua mente. Isso não tem nada a ver com palavras pretensamente proféticas ou manifestações misteriosas de cunho físico e emocional, mas com o aperfeiçoamento do nosso caráter, a nossa santificação diária, do novo nascimento, da vitória do Espírito sobre a carne (cf. Romanos 12:1,2). Se queremos sentir Deus, precisamos senti-lo através das nossas novas práticas.

            Ter a mente de Cristo é ter o caráter de Cristo, a marca da sua cruz na mente e no coração, uma marca que só pode ser vista por meio do nosso comportamento santo diante de Deus. Se queremos sentir a presença viva de Deus em nós, tenhamos certeza da nossa salvação e consciência de que somos a morada do Espírito Santo. Se queremos sentir Deus presente, amemos uns aos outros como Cristo nos amou, cumpramos os seus mandamentos, cuidemos dos necessitados, lutemos pela causa dos oprimidos e pela justiça. Deixemos de lado os pecados que afligem a Igreja de Cristo na atualidade: prostituição, adultério, fofocas, intrigas de poder, estrelismo, esfriamento evangelístico, ambição por bens materiais, egocentrismo. Se queremos sentir o poder de Deus, vivamos neste poder, pregando a sua Palavra, buscando o seu Reino em primeiro lugar, abrindo mão da nossa autojustiça, sendo humildes e misericordiosos.

            A presença de Deus nos faz dizer não ao mundo e as coisas que nele há: às drogas, à prostituição, ao consumismo, ao hedonismo, à sede por prosperidade financeira. Se quisermos conhecer para experimentarmos de forma viva a presença e a vontade de Deus, leiamos a Bíblia! Existem muitos cristãos que confiam mais em um sonho que tiveram, na revelação de um pretenso profeta, num pedaço de papel que vem com o vento e pousa na sua cabeça, numa música ouvida quando ele questionava a Deus sobre os seus problemas do que na Bíblia. Quando abrimos e lemos a Bíblia, Deus está falando, está se revelando e mostrando a sua vontade. Precisamos de muito temor antes de dizermos: “Eu senti que tal coisa era Deus falando comigo, revelando”. A nossa carne sente muitas coisas, nossos desejos, nossos anseios, nossos pressupostos, nossos sonhos, nosso pecado. Não podemos afirmar categoricamente que é Deus falando, pode ser que seja tão somente uma manifestação do nosso subconsciente.

            Deus continua falando e agindo, mas é preciso cuidado antes de “profetizar” algo, antes de decretar que tal direção vem de Deus. Os espíritos enganadores estão no mundo. Os falsos profetas estão nas igrejas. E os cristãos que desprezam a leitura e o estudo da Palavra de Deus estão por aí, pregando heresias, sentindo Deus enquanto gritam e se contorcem no chão como que possuídos por um demônio. Quem poderá julgar? Impossível negar que Deus manifeste a sua vontade pela boca de pessoas escolhidas por Ele, de situações por Ele determinadas. Mas é preciso cuidado, sabedoria. Não precisamos nos emocionar e derramar lágrimas para só assim dizer que sentimos a presença de Deus, que o culto foi uma benção, que aquela palavra era para nós. Tudo o que está escrito na Bíblia é para nós, o tempo todo, respeitando as regras da Hermenêutica e da exegese.

            Assuma a posição de servo, ame, comprometa-se com o Reino de Deus, frutifique no Espírito, faça uso do seu dom espiritual, busque diariamente viver em santidade, abra mão de uma vida egoísta, pregue a Palavra de Deus, alegre-se com os que se alegram e chore com os que choram. Fazendo isso, você não precisará se arrepiar e sapatear para saber que Deus está presente. Você só precisará se alegrar com a presença maravilhosa do Espírito Santo em sua vida, através da graça redentora de Deus em Cristo Jesus.












sábado, 3 de janeiro de 2015

O agir de Deus é lindo na vida de quem é FIEL e INFIEL




Uma das coisas que as letras das canções evangélicas carece urgentemente é de apoio escriturístico, isto é: conteúdo verdadeiramente bíblico. Muitas letras são lindas, poéticas, causam emoção, arrancam lágrimas dos nossos olhos, arrebatam-nos, mas o fundo não possuem nada de bíblico, muito pelo contrário, dizem “verdades” que a Bíblia não ensina. Este problema atinge os dois lados da história: aqueles que escrevem as letras dessas músicas e aqueles que ouvem sem meditarem naquilo que está sendo cantado. Ambos parecem não se importar com o conteúdo da mensagem que está sendo passada, não se dão ao trabalho de consultar a Palavra de Deus para saber se as coisas de fato são assim (Atos 17:11,12).
Pode não parecer, mas aquilo que cantamos possui grande repercussão na nossa vida e na nossa fé. Se tomamos como Palavra de Deus o conteúdo dos hinos cantados nas igrejas e nos shows de música gospel, corremos o risco de estar firmando a nossa vida e a nossa fé sobre heresias. Agimos de acordo com o que ouvimos, tomamos como profecia para nós, como revelação de Deus aquilo que cantamos. Como dizem sempre: Deus fala conosco no louvor. Nos cultos, o louvor é considerado parte da pregação, ao ponto de alguns dirigentes afirmarem que se o culto terminasse ali, Deus já teria falado com a congregação. Em parte isto está certo, quando o conteúdo dos nossos louvores não reflete a nossa má, imperfeita e desagradável vontade, mas aquilo que Deus diz em sua Palavra, sem acrescentar um til ou um i. Caso contrário, a Palavra não foi pregada e não houve edificação, mas apenas destruição.
É preciso que a Igreja do Senhor desperte para esta situação. Cantores e bandas evangélicas são formadores de opinião. O público crente consome e propaga a mensagem que eles desejam repassar, como acontece com propagandas, comerciais de TV, novelas, filmes e telejornais. Nem sempre aquilo que é exposto é o correto, e é preciso muito cuidado e sabedoria para selecionar o que vem de Deus e o que vem da carne, ou mesmo do diabo. Os falsos profetas não sairão das religiões islâmicas nem dentre os umbandistas, mas do meio do povo de Deus (Mateus 7:15-20; Romanos 16:17,18; 2 Pedro 2:1; 1 João 4:1). Não que todos os compositores sejam falsos profetas, pode ser que sejam apenas servos do Senhor que não leem nem estudam a Bíblia. É preciso haver discernimento. Em qualquer um dos casos, o nosso papel é examinar as Escrituras, conhecer a Palavra de Deus para não ficarmos papagaiando inverdades como se fossem revelações de Deus.
Um exemplo prático está nos versos iniciais de uma canção bastante conhecida: Sabor de mel. A cantora, Damares, inicia cantando: “O agir de Deus é lindo na vida de quem é fiel”. Se isto é verdade, devemos concluir que na vida dos infiéis o agir de Deus não é lindo. E mais: que para sermos abençoados por Deus e experimentar o seu agir “lindo” na nossa vida devemos ser fiéis. Primeiro, claro que devemos ser sempre fiéis a Deus. É isso que Ele espera de nós (Mateus 25:21; 1 Coríntios 4:2; Apocalipse 2:10). Analisando esse trecho da música sobre o agir lindo de Deus na vida de quem é fiel, devemos nos perguntar: como é esse agir? Ouvindo o restante da música, descobriremos que ele está ligado à bênçãos e vitórias sobre a vida de alguém desacreditado pelo mundo, mas cuidado por Deus, o que de fato acontece. Deus cuida de nós.
O sabor de mel prometido pela cantora aos fiéis a Deus acontece após longa prova, onde o escolhido não fica sem resposta, porque, mesmo clamando das cinzas, é atendido por Deus, protegido, defendido. No fim, o crente sofredor estará no palco, sendo ovacionado por aqueles que outrora o perseguiam e o desacreditavam. Eles olharão e verão Jesus brilhando no fiel de Deus, que dirá alegremente: “Na verdade a minha prova tinha um gosto amargo, mas minha vitória hoje tem sabor de mel”. Ele pode cantar, louvar, agradecer a Deus por sua vitória, pelo livramento, pelo sabor de mel acrescentado à sua vida pelo agir de Deus, graças à sua fidelidade. Isto significa que a vitória que Deus nos promete está ligada à solução dos nossos problemas, à nossa exaltação diante do mundo. Quando a cantora afirma “Você é um escolhido, a sua história não acaba aqui; você pode está chorando agora, mas amanhã você irá sorrir”, está apontando para uma vitória terrena, envolvendo este mundo, onde o crente ganha a bênção que tanto almeja. Isto é, a sua história continua naquilo que Deus lhe dará nesta vida, nos bens perecíveis e roubáveis que ele deseja conquistar.
Fico imaginando a vida de homens como Moisés que, embora tendo a promessa, não a alcançaram. Moisés não entrou na terra prometida por Deus, pois fora desobediente. Então o agir de Deus sobre ele não foi lindo? O agir de Deus não foi lindo sobre a nação de Israel que peregrinou 40 anos no deserto e ficou prostrada ali mesmo por conta de sua murmuração e desobediência? O agir de Deus não foi lindo na vida de Saul e do rei Davi? Penso agora em Estêvão. Servo fiel do Senhor, pregando a sua Palavra, proclamando as suas maravilhas e, de repente, apedrejado até a morte. Então a vitória dele não teve sabor de mel? A plateia não o estava aplaudindo, mas apedrejando. Então o agir de Deus não foi lindo na vida dele porque ele sofreu e morreu no seu sofrimento? O que dizer do agir de Deus na vida do apóstolo Paulo? Comissionado pelo próprio Senhor Jesus, dedicou a sua vida a pregar o Reino de Deus. Sua vitória foi terrena, saborosa como o mel? Por favor, leiam 2 Coríntios 11:16-33. Ele sofreu e foi martirizado, como Pedro, que foi crucificado de cabeça para baixo por não se achar digno se morrer da mesma maneira que Jesus.
E o que dizer dos heróis da fé descritos no capítulo onze da epístola aos Hebreus. O v. 37 nos diz que alguns foram escarnecidos, açoitados, aprisionados, apedrejados, provados, serrados ao meio, mortos a fio da espada,degradados, afligidos, maltratados. E os vs. 39 e 40 afirmam: “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé [com certeza eram fiéis!], não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados”. Então o que eles conquistaram se passaram por todas essas provas e por fim morreram sem ter alcançado a concretização da promessa? A resposta está no v. 16: “Mas agora aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade”. Deus estava com eles, era o Deus deles, agia na vida deles, tinha promessas para eles. Eles, no entanto, além de não serem aplaudidos, sofreram e não obtiveram as bênçãos terrenas que tanto anelamos, mas celestiais.
A vitória que vence o mundo é a nossa fé (1 João 5:4,5). Quem é de Deus vence o mundo não somente no tocante ao pecado, mas aos prazeres e conquistas limitados do mundo, que nos tiram do verdadeiro foco: a nossa pátria celestial (1 João 2:15; Gálatas 6:14; Tiago 4:4). Nosso anseio, nosso sonho, nosso desejo, nossa meta, nossos planos, nossa vitória não devem estar nas coisas efêmeras desta vida, embora Deus se alegre em no-los dar graciosamente. O nosso alvo maior, a nossa vitória soberana está na pátria nos céus (Filipenses 3:20). Podemos não ter vitórias terrenas no tocante à bênçãos materiais e conquista das nossas metas pessoais, mas se estamos em Cristo, esperamos a sua vinda, a sua glória, a nossa ressurreição para a vida eterna ao lado do Pai. Para o cristão verdadeiro, estar passando pela prova já é a vitória, estar sofrendo por amor a Cristo já é a vitória, estar privado de tudo, mas com Deus no comando já é a vitória (Mateus 5:11,12; 1 Pedro 4:12-19; 5:6-11). A casa nova, o carro importado, a viagem dos sonhos, a empresa de sucesso podem não vir nunca, mas o Senhor virá em glória para lhe buscar. As pessoas podem não nos aplaudir no final, mas o Senhor se alegrará e receberá a nossa alma.
Outra forma de pensarmos a música de Damaris, do sabor de mel na vida daquele que é fiel, é nos perguntando: Então quer dizer que quando Deus manifesta o seu agir na vida do infiel, o seu agir não está sendo lindo? Não estou falando do fato de Deus fazer chover sobre justos e injustos (Mateus 4:45), embora também poderíamos seguir por esse caminho. Mas quando Deus pesa o seu braço sobre o infiel, ele está agindo de forma linda, porque o agir de Deus é perfeito, não é lindo numa situação e feio na outra. Se Deus condena o pecador ao inferno, seu agir é lindo. O agir de Deus foi lindo na vida de Caim, de Faraó, de Herodes, Judas Iscaiotes, de Ananias e Safira. O agir de Deus é lindo na vida de Satanás. A justiça de Deus se manifesta perfeita em todas as circunstâncias (Salmo 9:8; 33:5; 119:142; Jeremias 9:23,24; Romanos 3:1-8). O agir de Deus será lindo na vida daqueles que experimentarão a segunda morte, porque a vontade soberana de Deus foi feita, porque o seu Santo Nome foi glorificado. O agir de Deus é lindo na vida de quem é infiel também!
Músicas como esta de Damaris apenas demonstram a cara do cristianismo antropocêntrico que tem invadido as igrejas cristãs, com uma pregação triunfalista que insiste que “as bênçãos do Senhor não acrescentam dores” e que o cristão vai “comer o melhor dessa terra”. Lendo Hebreus 11, não podemos deixar de reparar as dores que aqueles que foram fiéis a Deus tiveram de enfrentar. Olhando para a vida de João Batista, do apóstolo Paulo, de Estêvão não consigo deixar de reparar as dores que eles sofreram estando debaixo da soberana vontade de Deus, fazendo a sua obra, pregando a sua Palavra. A sua dor e a sua pobreza contrasta com esse evangelho triunfalista e falso pregado nas igrejas atualmente, evangelho que retira o homem do centro da vontade de Deus e submete o Todo-Poderoso, criador dos céus e da terra àquilo que as suas criaturas pecadoras determinam, decretam, profetizam e exigem como seus supostos direitos. Os verdadeiros discípulos de Jesus não comem o melhor desta terra, mas anelam pela volta do Salvador para levá-los à sua verdadeira pátria. Deus todos os dias nos abençoa, derrama chuva sobre nós, nos dá o que comer e vestir. Deus cuida dos seus filhos e das suas criaturas tão amadas. Após a noite em lágrimas, vem o amanhecer de júbilo. Deus nos guarda, protege, enriquece com suas muitas misericórdias. Mas ele não nos dá o paraíso terrestre que os pastores, bispos e apóstolos da prosperidade nos prometem.
A nossa fidelidade a Deus não é uma questão de recebimento de bênçãos, mas da nossa nova natureza como seus filhos, como regenerados, como novas criaturas. Não somos fiéis porque esperamos receber algo de Deus, mas porque Ele nos amou, salvou e selou com o seu Santo Espírito da promessa. A nossa fidelidade não dura até a concretização da “bênção”, mas até a morte (Apocalipse 2:10,11). Não somos fiéis por interesse, mas por amor. E se de repente deixarmos de ser fiéis, Deus nos amaldiçoará, Ele virará as costas para nós e não mais mandará “o anjo trazer a bênção”? De forma alguma. Como escreveu Paulo à Timóteo: “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:13). Deus não permanece fiel a nós na nossa infidelidade, mas a Ele mesmo, ao seu caráter e à sua Palavra. Ele continua executando a sua soberana vontade sobre a nossa vida, completando a obra que em nós começou, cumprindo as suas promessas eternas, porque a nossa infidelidade não apagará jamais o seu mover. O seu agir continuará lindo, mesmo quando nos disciplinar por causa da nossa infidelidade e desobediência (Hebreus 12:4-8).
Tais verdades apenas reforçam a necessidade de conhecermos a Palavra de Deus, principalmente quando desejamos falar dela para as pessoas, seja por meio da pregação ou do louvor. Os hinos que geralmente cantamos são lindos, massageiam nosso ego, exaltam a nossa carência de bênçãos, mas nem sempre são compatíveis com a Revelação. O estudo que realizei rapidamente aqui, revela que não podemos aceitar aquilo que nos dizem sem comparar com o que está escrito na Bíblia, por mais espiritual e belo que nos pareça. A palavra final é a da Bíblia. Não podemos ficar com apenas um pedaço da verdade – o pedaço que mais nos importa – mas devemos ficar com a verdade inteira, mesmo que em alguns momentos ela vá totalmente contra aquilo que pedimos ou pensamos. Esta é uma exortação aos líderes das igrejas, para que não permitam que heresias se infiltrem sorrateiramente entre os crentes. Vamos prezar pela Bíblia. Ela é a nossa regra de fé e prática, e não o quê os cantores pregam em suas músicas.