terça-feira, 25 de novembro de 2014

SONHOS E PREMONIÇÕES - PARTE 2 - O QUE SÃO SONHOS E VISÕES?




Sonhos[1]

Para tudo há uma explicação e para os sonhos não seria diferente. Antes de iniciar os meus relatos sobre meus sonhos e premonições, gostaria de oferecer um breve estudo sobre o significado dos sonhos na Bíblia e na teoria freudiana. Não me alongarei nestes dois estudos, mas darei apenas uma breve explanação sobre duas idéias diferentes que em alguns pontos se coincidem.
            De início, vamos resumir o significado do sonho:

Fenômeno psíquico que se produz durante o sono, o sonho é predominantemente constituído por imagens e representações cujo aparecimento e ordenação escapam ao controle consciente do sonhador (...) Por extensão, em especial a partir do século XVIII, o termo designa também uma atividade consciente em imaginar situações cujo desenrolar desconhece as limitações da realidade material e social. Nesse sentido, a palavra sonho é sinônimo de visão, devaneio, idealização ou fantasia, em suas acepções mais corriqueiras (...) Sigmund Freud foi o primeiro a conceber um método de interpretação dos sonhos baseado  não em referências estranhas ao sonhador, mas nas livres associações que este pode fazer, uma vez desperto, a partir do relato de seu sonho.[2]

            De acordo com os estudiosos, os sonhos são manifestações psíquicas que ocorrem durante o sono. Eles não estão sob o nosso controle, isto é, não obedecem a nossa vontade. Mesmo que queiramos sonhar com algo, não sonharemos. Se caso sonharmos, não foi o nosso desejo consciente que ensejou o sonho, mas o subconsciente. Os sonhos estão ligados àquilo que acontece na vida do sonhador, seu dia-a-dia.


Uma visão bíblica

            Em toda a Bíblia os sonhos estão intimamente ligados às visões dadas por Deus ao homem com um fim específico. Lemos em Jó 33:15 que os sonhos servem como instrumentos para que o homem se desvie dos seus maus caminhos. Em Daniel 2:28 vemos que o sonho do rei Nabucodonosor era a previsão de algo que aconteceria à nação da Babilônia no futuro. Foi uma revelação dada por Deus e somente um mensageiro de Deus poderia elucidá-la. A explicação não caberia a sábios, magos, feiticeiros ou astrólogos, mas a Daniel, o profeta designado por Deus para tal obra (vs. 29 e 30); não por sua sabedoria, mas pela intervenção divina. No livro de Eclesiastes (5:3) temos uma concordância com alguns estudos psicanalíticos de que os sonhos são reações somáticas. Isto ocorre quando passamos por períodos de excesso de atividade física, emocional e intelectual, que são transportadas para nosso sono, causando sonhos e pesadelos. Dizem que a má digestão, o dormir com o estômago cheio pode causar estas sensações.
            Era nos sonhos que parte da vontade de Deus era revelada (Números 12:6; Jó 33:15), como ocorreu com os Reis que vieram do oriente para presentear Jesus. Em sonho foi-lhes revelado que não deveriam voltar ao rei Herodes para contar onde Jesus estava, mas deveriam seguir por outro caminho, pois o rei planejava matar o menino. O mesmo aconteceu com José, noivo de Maria, quando um anjo apareceu-lhe em sonho para dizer-lhe que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo e daria à luz ao Salvador (Mateus 1:18-25). É certo que os antigos tinham grande fé nos sonhos (Juizes 7:15) e frequentemente ficavam perplexos com eles (Gênesis 40:6; 41:8; Jó 7:14; Daniel 2:1; 4:5). Eles ansiavam receber explicações sobre seus sonhos (Gênesis 40:8; Daniel 2:3). Para isso eles consultavam os magos a respeito, o que era desaprovado por Deus (Gênesis 41:8; Daniel 2:2-4). Porém, Deus é o único intérprete dos sonhos (Gênesis 40:8; 41:16; Daniel 2:27-30; 7:16). Costumamos interpretar os sonhos com base nas nossas necessidades pessoais, nos nossos desejos íntimos, e esquecemos que se um sonho parte de Deus, ele deve ser interpretado de acordo com o ponto de vista de Deus, cujo parâmetro é a Bíblia. Há alguns anos ouvi falar de uma crente da Assembléia de Deus que teve uma revelação durante o sonho: ela foi levada ao inferno e viu inúmeras crentes da Batista vestidas de calça cumprida. Revelação de Deus. Com certeza não, mas da carne, da disputa irracional entre denominações por conta de tradicionalismos, doutrinas meramente humanas.
            A Palavra de Deus nos alerta contra os falsos profetas que fingem ter tido sonhos reveladores (Jeremias 23:25-28; 29:8). Eles não devem ser levados em consideração (Deuteronômio 13:1-3; Jeremias 27:9) e serão condenados por seu fingimento (Jeremias 23:32). Ensina-nos, também, as Escrituras que é vaidade confiar nos sonhos naturais, isto é, aqueles que não provém de revelação divina, mas apenas de imagens projetadas em nossa mente pelo nosso subconsciente. Não foi Freud ou a ciência psicanalítica que inventou o nosso subconsciente e tudo o que ocorre nele, mas Deus. Há quem acredite, defenda e deixe-se aprisionar por livros que interpretam sonhos. Tais interpretações não levam em conta o momento histórico vivido pelo indivíduo, sua história pregressa, suas crises, seus problemas, suas inclinações, seus traumas, suas vontades, seus desejos, suas crenças, seus valores... Englobam todos os sonhos de todas as pessoas na face da terra em uma única explicação, sem levar em conta que não existe um ser humano idêntico ao outro, seja física, emocional, espiritual ou socialmente. Um livro de sonhos traz a seguinte explicação para aquelas pessoas que sonham com janelas: “A janela simboliza uma passagem alternativa, um acontecimento inesperado. Seu significado no sonho depende de seu aspecto. Se estiver aberta, anuncia mudança na situação financeira, para melhor; se estiver fechada, dificuldades e perda de emprego”.[3]
            Como pudemos ver, o autor utiliza-se de uma metáfora parta explicar um sonho com janelas. Outros dicionários de sonhos darão outras explicações cada vez mais diferentes e variadas sobre o mesmo tema. O mais interessante em tais dicionários é que uma explicação para quem sonhou com janelas, por exemplo, é a mesma para quem sonhou com porta, com parafuso, com uma pedra caindo na água numa sexta-feira de sol, um caramujo caminhando sobre uma folha de bananeira, um tiro dado por uma espingarda no meio do mato, etc. O mesmo ocorre com as previsões astrológicas. Se você tiver acesso a um livro sobre signos, repare como as previsões para capricórnio em determinado tempo são as mesmas para escorpião, sagitário. Ilusões da mente humana desprovida de Deus..
            Vamos conhecer agora alguns sonhos notáveis na Palavra de Deus. Aconselho ao leitor pegar a sua Bíblia e ler todos os sonhos, por que eles têm muito a nos ensinar sobre o tema.

·         Deus aparece em sonho a Abimaleque para alertá-lo com relação à Sara, mulher de Abraão, que este havia dito ser a sua irmã. O sonho é uma mensagem de Deus com um propósito específico para aquela ocasião (Gênesis 20:3-7).
·         Jacó teve a visão de uma escada que atingia o céu,da qual subiam e desciam anjos. O propósito claro de Deus nesta visão era mostrar o interesse de Deus por Jacó. (Gênesis 28:12; cf. tb. 31:10-21).
·         No mesmo contexto de Gênesis 31, Labão recebe uma mensagem de Deus em sonhos. (Gênesis 31:24).
·         O sonho de José foi profético. Esta era a forma de Deus revelar algumas das suas obras na vida do seu povo. Deveria, neste caso, haver uma interpretação. No caso de Abimelque, a mensagem do sonho era bastante específica. Já em José, o desenrolar do relato bíblico fornece a interpretação do seu sonho (Gênesis 37:5-9).
·         José reconhecia-se apenas um veículo para a interpretação divina de Deus. os seus sonhos tinham um propósito divino. O intérprete de sonhos da Bíblia não dá a “sua” visão dos fatos, mas a visão de Deus. Deus é a fonte dos sonhos e somente Ele pode interpretá-los. O padeiro e o copeiro do faraó tiveram sonhos interpretados por José (Gênesis 40). Os dois sonhos se realizaram. Embora nos pareçam estranhos serem relatados no livro sem conexão com a vontade de Deus, vemos que o fato de José tê-los interpretado fazia parte dos planos de Deus, pois o faraó haveria de sonhar (Gênesis 41:1-7), o copeiro haveria de lembrar a promessa que fizera a José, o faraó haveria de colocar José como governador do Egito e, através disto, salvar a sua família e, a partir daí, constituir a grande nação de Israel. Isto significa que havia um propósito eterno nos sonhos do copeiro e do padeiro.
·         Gideão liderou a vitória sobre os midianitas após ouvir a interpretação de um sonho, onde Deus revelara que entregaria os midianitas em suas mãos. Mais uma vez a mão do Senhor estava sobre o intérprete, revelando algo que haveria de acontecer de acordo com a sua vontade. (Juizes 7:13-15).
·         Em Gibeão o Senhor apareceu ao rei Salomão, onde lhe propôs escolher o que quisesse que lhe seria dado, ao que Salomão pediu um coração compreensivo para julgar o povo. Após acordar e constatar que havia sido um sonho, o rei viveu de acordo com o que dissera o Senhor (1 Reis 3:5-15).
·         O caso do sonho do rei Nabucodonosor é bastante dramático. Se Daniel não interpretasse o sonho do rei, morreria com os outros sábios da Babilônia. Ele e seus companheiros oraram a Deus, que lhes revelou o conteúdo do sonho de Nabucodonosor (Daniel 2:1,31; cf. tb. 4:5,8 e o sonho de Daniel no capítulo 7).
·         No Novo Testamento, Deus também utilizou os sonhos para revelar a sua vontade aos homens: José (Mateus 11:20,21; 2:13,19,20), os sábios (Mateus 2:11,12).
·         Esposa de Pilatos teve um sonho perturbador com Jesus e o relatou ao seu marido. (Mateus 27:19).

Algo que precisamos saber a respeito das visões e sonhos relatados na Bíblia é que eles se cumpriram e estão nela relatados. Não podemos pegar um sonho ou visão de Jacó, por exemplo, e interpretar de acordo com a nossa realidade. A visão de Jacó da escada dizia respeito a ele, não a nós. Caso sonhemos sonhos similares àqueles relatados na Bíblia, não devemos crer que a interpretação seja a mesma. Isto não é bíblico. Quando os sonhos são de Deus, eles não envolvem um “mistério” que não possa ser interpretado, não trazem uma visão que contradiga qualquer parte da Escritura Sagrada. Eles conduzem o homem á vontade de Deus por modos de Deus, jamais se utilizando de artifícios errados. Muitos dos nossos sonhos e das interpretações que lhe damos revela apenas o conteúdo da nossa carne. Nossos desejos pecaminosos se manifestam nos sonhos e devemos tomar cuidado para não interpretá-los como uma revelação da vontade de Deus para nossa vida.


Uma visão psicanalítica: experiências sensoriais.

No seu livro A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud cita quatro tipos de fontes para classificar os sonhos: (1) excitações sensoriais externas (objetivas); (2) excitações sensoriais internas (subjetivas); (3) estímulos somáticos internos (orgânicos); (4) e fontes de estimulação puramente psíquicas”.[4] Cada sonho pode vir carregado de uma dessas fontes, ou várias ao mesmo tempo. Como saber que fontes interferiram em tal sonho? Daí seria necessário um estudo de cada caso. Freud explica que não podemos manter nossos estímulos totalmente afastados de nossos órgãos sensoriais enquanto estamos dormindo:  “O fato de um estímulo razoavelmente poderoso nos despertar a qualquer momento é prova de que, “mesmo no sono, a alma está em constante contato com o mundo extracorporal. Os estímulos sensoriais que chegam até nós durante o sono podem muito bem tornar-se fontes de sonhos.”[5] Isto significa que enquanto dormimos permanecemos vivos, nosso corpo sente todos os estímulos recebidos durante o sono. Como estamos inconscientes, não percebemos.
            Enquanto dormimos, podemos sentir o vento lançado em nós por um ventilador, a picada de algum inseto, as cobertas enroscadas em nossas pernas, um som distante, insistente como o de uma goteira ou o cantar de um grilo. Podemos ser sufocados pelo travesseiro sobre nossa cabeça ou sentir as patas de alguma aranha em nossas costas. Podemos ainda ouvir a voz de alguém que nos chama para acordar ou sentir enorme vontade de urinar. Todos esses estímulos são transportados para nosso subconsciente e transformam-se em sonhos análogos. A vontade de urinar produz imagens de cachoeiras e rios. Meu avô, já falecido, relatou que sonhara que estava em uma grande fornalha que queimava seus pés. Ao acordar, viu que o sol estava entrando pela janela e batia em seus pés.
            De vez em quando sonho que estou correndo em busca de um banheiro que jamais encontro. Quando chego a encontrá-lo, despejo um rio de urina que parece não ter fim e só acaba quando acordo com enorme vontade de ir ao banheiro. São estímulos internos que também influem diretamente no ato de sonhar. Não sentimos vontade de ir ao banheiro porque sonhamos que estamos urinando, mas pelo fato de a bexiga estar cheia, sonhamos. Muitas vezes tive sonhos com programas de TV ou músicas e, quando acordei, percebi a TV ou rádio ligados transmitindo aquilo que eu estava sonhando. Isto é, mesmo inconsciente os meus ouvidos e cérebro estavam atentos, transportando para os meus sonhos os sons do ambiente.
            Freud fala sobre as “alucinações hipnagógicas” ou “fenômenos visuais imaginativos”, que fazem parte das excitações sensoriais subjetivas que se formam em nossa mente a partir do nosso contato visual com o mundo exterior. Após fecharmos os olhos, nossos sonhos reproduziriam estas imagens conhecidas e estimuladas durante o nosso período de vigília. Estas imagens, às vezes distorcidas, ocorrem durante o período de adormecimento e podem estender-se por algum tempo depois de os olhos abrirem-se. Por exemplo, se você adormecer com os olhos fitos numa cadeira, muito provavelmente esta cadeira será transportada para dentro do seu sonho e você viverá alguma situação que a envolva, na forma de uma cadeira ou de qualquer outro objeto similar.
            Essas alucinações hipnagógicas podem ser visuais como também auditivas. Segundo Freud: “As alucinações auditivas de palavras, nomes e assim por diante também podem ocorrer hipnagogicamente, da mesma forma que as imagens visuais, e ser então repetidas num sonho – tal como uma ouverture anuncia os temas principais que se irão ouvir numa ópera”.[6] Os estímulos somáticos orgânicos internos estão diretamente ligados aos nossos sonhos, podendo prefigurar como sonhos proféticos de alguma doença que em breve nos acometerá. Embora aparentemente nosso organismo demonstre sinais de saúde perfeita, é bem provável que nosso cérebro consiga captar sinais de doenças que ainda não chegaram ao nosso consciente, que ainda não se manifestaram completamente e envie estes sinais através dos sonhos. Pode ser que você esteja sonhando constantemente com um tumor e esse tumor existir de fato. Embora ele não apareça, a sua mente já o reconhece e transforma isso em sonho. É um aviso da mente que algo no corpo não está bem.
Freud cita o caso de uma mulher de quarenta e três anos de idade que durante anos foi perturbada com sonhos de angústia, embora aparentemente em perfeita saúde, até descobrir que estava em estágio inicial de uma doença cardíaca, da qual veio a falecer posteriormente. Em estado de sono profundo, a mente pode dispensar mais atenção aos estímulos interiores do corpo que normalmente em nosso estado de vigília não é possível. Daí esses estímulos transformarem-se em sonhos. É quase impossível, segundo Freud, pensar que qualquer parte do organismo não possa ser um ponto de partida de um sonho ou um delírio[7]. Ainda, segundo ele, as sensações organicamente determinadas “podem ser divididas em duas classes: (1) as que constituem a disposição de ânimo geral (cenestesia) e (2) as sensações específicas imanentes nos principais sistemas do organismo vegetativo. Dentre estas últimas devem-se distinguir cinco grupos: (a) sensações musculares, (b) respiratórias, (c) gástricas, (d) sexuais e (e) periféricas”.[8]
            Muitas sensações que produzem sonhos poderiam nos explicar o sentido de muitos casos que acontecem quando sonhamos. Alguns teóricos da linha espírita atribuem estas manifestações a vidas passadas ou aos espíritos bons (ou maus) que vêm em nossos sonhos nos deixar algum recado. Como vimos anteriormente, os dicionários de sonhos estão repletos de seus significados. Mas alguns significados confundem-se com outros e às vezes são os mesmos para casos completamente diferentes. Em que tais explicações são baseadas? Existem fundamentos científicos? Como cristão, aceito a explicação bíblica para os sonhos, ao mesmo tempo que assimilo a teoria freudiana. Ambas parecem coerentes e estão corretas do ponto de vista da fé e da lógica. O que temos visto até agora segundo esta abordagem psicanalítica, é que o homem sonha com aquilo que lhe é peculiar durante seu período de vigília. As sensações, os fatos cotidianos, as impressões, as vivências, todo este material serve para a construção de uma realidade inconsciente quando sonhamos, o que Freud costuma chamar de imagens oníricas.      
            Existem outras fontes que ainda influenciam no nosso sonho, as fontes psiquícas. Sobre estas fontes, e isto digo por experiência própria, existe muita coisa a ser apreendida. De certa forma, resta-nos saber que muitos dos nossos sonhos são estimulados por desejos e vontades que durante o dia nos são reprimidos. Estes são, em sua maioria, algo proibido pela lei ou pela moral, ou simplesmente pela cultura do meio em que vivemos. Muitos dos meus sonhos estão impregnados de alguns ou todos estes estímulos e este estudo servirá de base para que possamos entender um pouco do que se passa na nossa mente. Aquilo que desejamos, sonhamos; aquilo que tememos, sonhamos também. Pode ser que você anseie por um casamento e tem orado a Deus por isso. De repente, você conhece alguém de quem se simpatiza logo. Durante a noite, você sonha casando-se com esse alguém. É perigoso afirmar: Deus me revelou que vou me casar com pessoa tal. Pode ser que não, o que é bem provável, e você comprometerá a sua vida e a da outra pessoa baseado numa ilusão.


Visões

Os sonhos relatados  na Bíblia são geralmente acompanhados de visões. Jamais tive visão alguma reveladora, como a aparição de um anjo, de alguma pessoa ou espírito. Todas as premonições que tive vieram de manifestações em meu pensamento, jamais corporificadas, com exceção dos fantasmas de Cruzeta que relatarei adiante. Mas para que possamos explicar mais solidamente e tentar compreender aquilo que outras pessoas venham a tentar explicar sobre o fenômeno das visões, é interessante compreendê-las. Para isso, vou dar uma idéia geral bíblica do que elas são e de como funcionam.
            De acordo com o dicionário bíblico, na Bíblia as visões têm dois significados: 1) Alguma coisa vista em sonho ou em transe e usada por Deus para comunicar uma mensagem a alguém (Is 1.1; Am 1.1). 2) Forma de MAGIA pela qual se procura conhecer o futuro e obter conhecimentos ocultos (Lm 2.14; Ez 13.6)”[9]. Portanto, as visões podem ser verdadeiras, quando dadas por Deus, ou falsas, quando inventadas pelos homens. Todavia, é provável que possa existir visões oriundas de manifestações de espíritos malignos para confundir o homem e levá-lo a executar serviços para o inimigo, pois o próprio Satanás pode se disfarçar em um anjo de luz (2 Coríntios 11:14). Além dos espíritos malignos, pelas igrejas existem muitos falsos profetas que erguem o dedo em riste e vociferam: “Deus me revelou!” E dizem ao crente incauto: “Irmão, Deus tem um mistério contigo. Deus me disse...”. quando alguém lhe disser “Deus me disse, me revelou”, procure correr para longe.
Também as aparições fantasmagóricas ou incorporação em médiuns por pessoas que já morreram significam uma manifestação demoníaca visível. Isto explica o porquê de o médium que incorpora um defunto ser conhecedor da vida deste e de seus entes, bem como falar com sua voz e agir do seu modo idêntico. Os soldados de Satanás estão ao nosso derredor, nos observando constantemente. Eles conhecem nossas palavras, nossos atos, sabem de nossa vida do começo ao fim. Quando alguém fala pretensamente em nome de um morto, na verdade são esses espíritos malignos agindo para enganar, para confundir e aprisionar àqueles que nisto acreditam. Devido à total falta de conhecimento, à incredulidade na Palavra de Deus e à emoção latente de estar em “contato” com alguém amado que já partiu, estas pessoas são facilmente enganadas e pagam grandes somas de dinheiro para que estas sessões sejam realizadas e se repitam sempre.
Entretanto, o que a Bíblia nos fala sobre visões[10] nada tem a ver com manifestações fantasmagóricas ou previsões astrológicas. Era através das visões que Deus frequentemente tornava-se conhecido e podia fazer conhecer ao mundo a sua vontade, especialmente através de seus profetas (Salmo 89:19; Números 12:6). Elas eram frequentemente acompanhadas por uma representação da pessoa e glória divina, como aconteceu com Moisés quando Deus se manifestou a ele em uma sarça ardente (Isaías 6:1). Também através de uma voz audível no céu (Gênesis 15:1; 1 Samuel 3:4,5), uma aparição de anjos (Lucas 1:22 com 11; 24:23; Atos 10:3) ou por uma aparição de seres humanos (Atos 9:12; 16:9). Estas visões eram normalmente complexas e difíceis para os que as recebiam (Daniel 7:15; 8:15; Atos 10:7). Elas eram freqUentemente comunicadas à noite (Gênesis 46:2; Daniel 2:19) com o indivíduo em transe (Números 24:16; Atos 11:5). Eram registradas e multiplicadas para benefício do povo (Habacuc 2:2; Oséias 12:10). Algumas vezes, porém, eram sustadas por longo tempo (1 Samuel 3:1), o que significava grande calamidade (Provérbios 29:18; Lamentações 2:9). Havia, como hoje há em número exorbitante, falsos profetas que fingiam tê-las visto (Jeremias 14:14; 23:16). Mas os profetas de Deus eram hábeis em sua interpretação (2 Crônicas 26:5; Daniel 1:17).
Nota-se que as visões não eram frutos de uma capacidade interior inerente ao homem, mas atuações divinas. Deus falava aos homens através destas visões e para isso utilizava-se de pessoas específicas, os profetas, que eram capacitados a fazer a leitura correta daquilo que viam e ouviam. A partir do Novo Testamento, com a Nova Aliança, Deus passou a conceder aos homens o dom de profecia, ministrado pelo seu Santo Espírito. O nosso papel é somente o de um canal através do qual Deus manifesta sua vontade e sua mensagem. Ninguém desenvolve este ou qualquer outro dom por merecimento próprio ou por ser mais capaz que alguns outros. Porém, assim como os profetas do Antigo Testamento declaravam a vontade de Deus, os profetas da Nova Aliança declaram, também, a vontade de Deus revelada na Bíblia. Não existe uma nova vontade, uma nova revelação.
Nas visões em que seres humanos aparecem a outros seres humanos, não há relato de que estes primeiros estivessem mortos. Na verdade, é bem provável que apenas a figura de um ser humano fosse utilizada simbolicamente por Deus. Como já explicitado anteriormente, o diabo pode manifestar-se de várias formas ao homem com o intuito perverso de desviar-lhe da verdade bíblica, por mais que estas manifestações tenham a aparência de coisas boas. Esta é a isca! O apóstolo Paulo foi um homem de visões que o acompanharam desde o seu primeiro encontro com Jesus no caminho para Damasco, até o fim de sua carreira missionária. Temos aqui alguns relatos que vale a pena serem pesquisados na sua Bíblia:

·         Visão de Cristo (Atos 9:3-6,12)
·         Visão missionária (Atos 16:9)
·         Visão de testemunho (Atos 18:9)
·         Visão de advertência (Atos 22:18)
·         Visão de ânimo (Atos 27:22,23)
·         Visão do trabalho na capital do mundo (Atos 23:11)
·         Visão do Paraíso (2 Coríntios 12:1-4)

Além disso, toda a Bíblia está repleta de visões notáveis. Temos aqui alguns exemplos:

·         Abraão (Gênesis 15:1)
·         Jacó (Gênesis 46:2)
·         Moisés (Êxodo 3:2,3; Atos 7:30-22)
·         Samuel (1 Samuel 3:2-15)
·         Natã (2 Samuel 7:4,17)
·         Elifaz (Jó 4:13-16)
·         Isaías (Isaías 6:1-8)
·         Ezequiel (Ezequiel 1:4-14; 8:2-14; 10; 11:24,25; 37:1-10; 40 e 48)
·         Nabucodonosor (Daniel 2:28; 4:5)
·         Daniel (Daniel 2:19; 7 e 8; 10)
·         Amós (Amós 7:1-9; 8:1-6; 9:1)
·         Zacarias (Zacarias 1:8; 3:1; 4:2; 5:2; 6:1)
·         Ananias (Atos 9:10,11)
·         Cornélio (Atos 10:3)
·         Pedro (Atos 10:9-17)
·         João (Apocalipse 1:12; etc.; caps. 4 a 22)




[1] Fonte do estudo sobre sonhos na bíblia: Bíblia Vida Nova.
[2] ROUDINESCO, Elisabeth & Michel Plon, Dicionário de Psicanálise, Jorge Zahar Editor, 2003, p. 722.
[3] Amenofis, Dicionário dos sonhos, ed. Pallas, p. 162, 2002.
[4] FREUD, Sigmund, A interpretação dos sonhos, 2001, editora Imago, p.41.
[5] op. Cit. P. 42.
[6] Ibdem, p. 51.
[7] FREUD, op. Cit. P. 55.
[8] Idem, citando Krauss, p. 55.
[9] Dicionário de Bíblia de Almeida Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
[10] Estas considerações foram formuladas a partir da enciclopédia da Bíblia Vida Nova.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SONHOS E PREMONIÇÕES - PARTE 1 - INTRODUÇÃO



Introdução.

Sou o tipo de pessoa incrédula para certos tipos de coisas. Não creio em fantasmas, assombração, espíritos que se comunicam com os vivos, previsão do futuro, astrologia, elementais, cartas, búzios. Esse tipo de coisa não povoa meu conjunto de crenças. Pudera, creio em Deus e creio também na Bíblia. Sei o que ela nos fala sobre estas coisas e acredito que, na maioria das vezes, tudo não passa de manifestações de espíritos das trevas para confundir o homem, aprisionado-o em crendices inúteis e privando-o da verdade de Jesus Cristo. Em outras, fantasias arquitetadas por pessoas que desejam obter vantagem financeira sobre os outros (estelionato). Até mesmo na igreja evangélica encontramos crendices e superstições desse tipo. Quanto mais o homem acreditar nestas coisas, melhor para o príncipe das trevas. Respeito a crença dos outros, aceito que elas possam pensar o contrário; por isso me sinto a vontade para dizer o que penso, entendendo que respeitarão a minha crença também.
            A despeito da minha descrença destas coisas, no decorrer de minha vida sobre a face desta terra, inúmeros casos têm me acontecido que me deixam a perguntar O quê?!. Não creio em coincidências. Creio que Deus está no controle da história, da humanidade em geral e da minha, pessoal. Ele trabalha de formas que nós desconhecemos e que escapam a nossa maneira de agir e resolver as coisas. Ele sabe o ontem, o hoje e o amanhã. Ele tem o poder de abrir os mares, estagnar os astros, transformar égua em vinho, ressuscitar os mortos. Ele pode mais do que possamos imaginar. Ao homem não cabe conhecer o futuro, mas apenas construí-lo da melhor maneira que puder. Mas sendo Deus conhecedor de todas estas coisas, não poderá Ele querer nos informar algumas delas para o nosso bem, tipo um aviso?
            A Bíblia está repleta de passagens em que Deus revelava sua vontade aos homens através dos profetas, por meio de sonhos e visões. Esta revelação foi substituída pela revelação final manifestada em Jesus Cristo e repassada pelo seu Evangelho até os dias de hoje. Ainda assim, Deus não deixou de revelar aos homens seus mistérios e vontade através de meios considerados antigos. Temos alguns exemplos na Bíblia. Por exemplo, Pedro teve a visão de um lençol que descia até ele repleto de animais que para o judeu eram considerados impuros. Nesta visão Pedro era incitado a matar e comer aqueles animais e prontamente se negava. O que Deus queria dizer com aquilo? Que ele deveria organizar um churrasco para comemorar com o restante dos apóstolos? Não. Deus queria que ele fosse pregar aos gentios, povo considerado impuro, ou pagão, pelos judeus (Atos 10:1-48). O apostolo Paulo teve uma experiência de ser conduzido até o terceiro céu e teve visões que jamais pôde revelar a humanidade. E para que ele não se ensoberbecesse com a maravilha daquelas visões, foi-lhe posto um espinho na carne, um mensageiro de satanás para atormentá-lo. Mais adiante estudaremos um pouco mais sobre os significados dos sonhos na Palavra de Deus.
            Nos dias de hoje, essas revelações estão repletas de explicações oriundas do espiritismo e de algumas religiões esotéricas. A maioria das pessoas encontra explicação para estes fatos em vidas passadas, espíritos de pessoas mortas, anjos da guarda, etc. Mas como explicar todas as revelações que recebemos sem acreditar no espiritismo ou no esoterismo? Quando acontece com um incrédulo temos muita facilidade em desacreditar e encontrar explicações bíblicas, sendo a mais comum aquela que diz que é tudo culpa do maligno. No meio evangélico, muitos crentes têm supostos sonhos reveladores, onde dizem que Deus “falou”, “revelou” algo. Alguns preocupam-se com tais sonhos e sentem neles uma direção de Deus para as suas vidas. Outros de fato recebem novas revelações a respeito de Deus e da sua Palavra, o que se configura algo satânico, pois a revelação de Deus acerca de si e da sua Palavra findou com o último livro da Bíblia escrito. Deus não nos traz novas revelações, Ele apenas lança uma luz sobre aquilo que já está revelado, o que é um trabalho do Espírito Santo e pouco tem haver com sonhos.
            A Bíblia nos fala sobre dons de profecia, sonhos e visões e nos diz que todos estão ligados diretamente às manifestações do Espírito Santo, servindo sempre a um fim proveitoso de edificação do corpo de Cristo, que é a igreja. Porém, como explicar certas coisas que nos acontecem, certas premonições que temos que não estão ligadas diretamente à vida eclesiástica, mas dizem respeito a um momento específico pessoal nosso? Será Deus no controle de nossas vidas nos prevenindo de algo? Coincidência? Não creio, como já disse, em coincidências. Alguns casos podemos até pensar em coincidência, mas normalmente não é assim. O que faremos com esses sonhos e premonições vai depender da visão que temos deles.
            Quero aqui relatar alguns fatos que aconteceram comigo e que me esforçarei para lembrar. Fatos ligados à premonição, sonhos, intuição, manifestações do subconsciente e do inconsciente. Estes relatos servirão para que possamos entender melhor como a nossa mente pode funcionar, como podemos antecipar algo que está para acontecer e como Deus pode estar trabalhando na nossa vida. Uma coisa me intriga muito: por que será que eu só tive a convicção que havia tido uma premonição depois que ela se concretizou? Por que não agimos diante das coisas que nos são antecipadas? Se conseguirmos antecipá-las e agir antes que aconteçam podemos modificar o futuro? O filme Premonição retrata bem essa realidade: uma jovem pressente o que irá acontecer antes que acontecesse. Ela intervém e muda radicalmente a vida de muitas pessoas que são salvas da catástrofe. Como uma mãe que diz ao filho: “Meu filho, eu acho que você não deveria sair esta noite. Fique em casa”. O filho sai... e o carro capota e o mata.
            Se você tem sonhos que não consegue explicar, visões e premonições, este estudo lhe ajudará bastante. De antemão quero dizer que, acima de tudo, a Bíblia deve ser o nosso parâmetro, a nossa bússola. Independente do conteúdo do Sonho, devemos submetê-lo ao escrutínio da Palavra de Deus, que possui a posição final em questões de revelação e vontade de Deus para a nossa vida. Se você tem um sonho que está abandonando o seu cônjuge para ficar com o cônjuge do outro, por mais forte e impressionante que este sonho seja, não é de Deus, mas da sua carne, dos seus desejos pecaminosos. É preciso sabedoria. Não vá abandonar o seu lar.

            Antes de prosseguir na leitura deste estudo, o leitor deve ter em mente que o que será transmitido aqui é uma visão bíblica dos sonhos e premonições. Existem, como já falei, diversas explicações para os sonhos oriundas de inúmeras crenças. Cada um defenderá a sua opinião e tentará provar por diversas formas estarem certas. Eu defendo aquilo que está na Bíblia, a Palavra de Deus. É nela que a minha crença e os meus argumentos estão baseados. O leitor sinta-se a vontade para concordar ou não. Aconselho ler este estudo com um Bíblia para consulta, para ver se as coisas são de fato assim.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

NÓS, OS FEIOS

             



           Nós, os feios, habitamos na terra dos lindos. Somos como estrangeiros de um país distante invadindo a normalidade desses seres tão especiais. Nós somos diferentes de todos e somos considerados estranhos; alguns definem a nossa aparência como exótica, porque é politicamente incorreto nos chamar de feios. Por nossa causa foram cunhadas célebres frases, como “quem vê cara, não vê coração.” O escritor do livro O pequeno príncipe disse: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.” Mas as pessoas lindas não enxergam o nosso essencial porque diante dos seus olhos desfila a beleza que todos amam ver. Ora, quem olha para alguém se depara imediatamente com a sua imagem física e se existe algo de bom ou ruim dentro desse alguém, isso só será visto mais tarde. Mas no momento do encontro, o exterior é o que chama a atenção.
            Nós, os feios, nos esforçamos constantemente para nos parecermos com os lindos, cuidando da nossa aparência, do nosso visual. Os lindos apenas se preocupam em manter a sua lindeza ou em ficar cada vez mais lindos. Eles não são como nós, não se espelham em nós ansiando por serem feios. Os lindos olham para nós com uma falsa compaixão e tentam nos animar, dizendo que temos um cabelo bonito, olhos bonitos: detalhes mínimos em um quadro desolado. E eles suspiram do mais alto da sua beleza e nos invejam porque não precisamos nos preocupar com tantos produtos de beleza, porque nosso cabelo e nossa pele – feios e maltratados – não querem tantos cuidados como a sua cútis. Mas qual deles deseja trocar de lugar conosco. Acha que minha feiúra é conveniente, pega para você!
            Nós, os feios, não temos um “salão de feiúra”, não temos um mercado de produtos que nos tornem ainda mais feios. Todos os cosméticos fabricados são contra nossa estética enfeada: eles querem nos embelezar, porque é feio ser feio. Ou como indagava Batoré, personagem humorístico da TV: “Você acha que é bonito ser feio?”. O belo é admirado, comentado, imitado, desejado; o que é feio é discriminado. Ninguém recebe um elogio por ser feio: “Parabéns, Mizael, hoje você está mais feio do que nunca.” Nem recebe um troféu pela sua feiúra: “E o vencedor do concurso de Mr. Feio de 2011 é... Mizael!”. “Oh, meu Deus! Eu quero agradecer primeiramente ao meu pai e a minha mãe por terem me feito do lado do avesso...”.
            Nós, os feios, mas somente os feios que não são famosos, ricos ou jogadores de futebol – que é a classe onde mais tem gente feia – não aparecemos nas capas de revistas nem somos estrelas de programas de TV. Alguém já reparou que eles colocam as mulheres mais lindas nas cadeiras da frente nos programas de auditório? Quando alguém muito feio aparece num desses programas é para “pagar mico” em shows ridicularizantes de calouros ou para “ se virar nos 30” por alguns trocados. Apresentador e platéia se divertem e riem à custa dos pobres coitados que se esforçam para aparecer como mais que um ser bizarro, como aqueles que eram exibidos nos circos.
            Nós, os feios, somos objetos de piadas constrangedoras: “Ele era tão feio, mas tão feio...”. Alguém já ouviu uma piada que comece: “Ela era tão linda, tão maravilhosa...”? Como feios que somos, lutamos mais por um lugar ao sol do que os lindos. Para uma mulher alta, loira e linda as portas se abrem sem muitos problemas, mas a coitada da feia entra pela porta de serviço. Nós não temos músicas exaltando a nossa feiúra: “Olha que coisa mais feia, totalmente sem graça, é aquela criatura que vem desengonçada, e fica mais feia por causa do amor...”. Mas alguém já cantou: “Se for gatinha eu levo, se não for, chama a SAMU”, como uma ode contra a mulher “jaburu”.

            Nós, os feios, fugimos completamente aos padrões dos lindos. Nossa altura (anão de jardim), nossas formas corporais (em forma de barril), nosso jeito de vestir (brega). Não temos olhos azuis como os mares do caribe nem cabelo loiro-dinamarquês. Temos feições simples que só impressionam por nossa feiúra. Os lindos nos olham do alto da torre inacessível da sua divina beleza e nós nos abrigamos sob a sua sombra. Eles toleram a nossa presença ao seu lado por causa do poder do contraste: a nossa feiúra realça mais ainda a sua beleza. Ao lado de uma mocinha de corpo escultural parece sempre existir alguma acima do peso e das medidas. Isso acontece muito com irmãs ou irmãos. Ao contrário dos muitos lindos, como feios não somos paquerados com a mesma facilidade e precisamos suar muito a camisa para chamar a atenção de alguém, normalmente de alguém tão feio quanto nós. Se esse alguém for de uma classe superior – a dos lindos – o esforço é redobrado. É claro que existem felizes exceções. Uma delas é se o cara tiver dinheiro. Sejam sinceros, se alguns jogadores de futebol, de aparência desprivilegiada, de repente caíssem na miséria, continuariam a ter uma legião de tietes lindas que gritam das arquibancadas: “Lindo! Lindo! Lindo!”? Respondam sem demagogia ou falso moralismo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

QUANTO MAIOR A DESGRAÇA, MELHOR


 FOTO: INTERNET

A palavra “desgraça” é definida como um acontecimento funesto, um infortúnio e também como má sorte, infelicidade e miséria. Isso não diz muitas coisas, porque ainda precisaríamos definir que situações podem ser definidas como desgraçadas no sentido que os dicionários definem. A má sorte de um pode significar uma boa oportunidade para outro, da mesma forma que uma circunstancia infeliz pode ser vista como algo bom para quem passa pela mesma situação. Para quem participa de rachas, por exemplo, esta ação é uma aventura, um desafio, mas que pela lei e por causa de suas consequências é encarado pela maioria como um acontecimento funesto. E ainda deveríamos definir o que é felicidade antes de falarmos de infelicidade, ou entender em que circunstancia uma pessoa pode ser chamada de miserável. Ela não possui dinheiro, é “mão de vaca”. Muitos milionários vivem rodeados de dinheiro e suas vidas são miseráveis: preocupações, disputas, solidão, risco de sequestro, perda do convívio com a família, etc.
Aqui pretendo falar de desgraça como uma situação de miserabilidade e pobreza, como de alguém que vive em uma situação de risco, ou por escolha própria ou por imposição das circunstancias sociais. Apesar de que creio que toda situação em que se está hoje parte de uma escolha que fizemos ontem. A pobreza pode ter várias influências culturais, políticas e sociais, mas podemos escolher estudar e batalhar para vencermos na vida. O uso de drogas também encontra várias justificativas, como o meio social e a falta de oportunidades, mas sempre está em nossas mãos dizer sim ou não aos vícios. O importante é que as situações desgraçadas existem, seja uma situação de pobreza, de uso de álcool e drogas, de violência urbana, de desajustes familiares, de perdas repentinas de entes queridos em acidentes ou hecatombes. Todos nos encontramos numa situação de desgraça em algum momento de nossas vidas, de infortúnios, má sorte, infelicidade e miséria.
Tenho observado a vida de algumas pessoas que encontro pelo caminho, pessoas que vivem em situação de risco social, que enfrentam problemas sérios de desemprego e vícios. Uma coisa tenho percebido na vida de algumas destas pessoas: parece que quanto mais desgraça, melhor. Isto significa que, se já não bastasse a situação degradante de miséria em que se encontram, elas procuram formas de se afundar ainda mais. Não satisfeitas com as desgraças que já carregam em suas costas, elas pretendem aumentar ainda mais o seu infortúnio. Certo dia, um homem que deveria ter por volta dos seus cinquenta anos, andrajoso, mal vestido, sujo e embriagado entrou no supermercado onde trabalho atualmente com algumas moedas nas mãos e me pediu que as contasse para ver se ele tinha dinheiro o suficiente para comprar cachaça. Ele me deu as moedas e insistiu, porque queria comprar cachaça. Imaginei que aquele homem provavelmente teria conseguido aquele dinheiro pedindo nas ruas e depois de juntar certa quantia, estava pronto para alimentar o seu vício.
Eu insisti para que aquele pobre homem comprasse outra coisa que não fosse cachaça, enquanto ia contando as suas moedas. Em certo ponto, um colega meu interrompeu e disse a ele que o dinheiro não dava. Antes de o homem ir embora, eu o aconselhei a procurar uma igreja ao invés de ficar se embriagando. Ele simplesmente virou as costas e desapareceu. Então pensei: aquele homem vive esta vida desgraçada, mendigo, provavelmente morando nas ruas, longe da família, sem emprego, sem dignidade e ainda encontra forças para piorar a sua situação, mendigando para alimentar o seu vício em cachaça. Ao invés de buscar a Deus, procurar ajuda, estudar, trabalhar, ele prefere enfrentar a vida bêbado. Quanto mais desgraça, melhor para ele, pensei. É claro que desconheço a sua história, os motivos que o levaram a esta situação desgraçada e degradante, mas de uma coisa eu sei: ele não precisa de cachaça, mas de acordar – ou ser acordado – para a sua realidade e buscar ânimo para sair dela. Ele precisa enfrentar os seus problemas com soluções e não com mais problemas. Temo que a esta altura ele continue bêbado e bebendo ainda mais, piorando o que já está ruim.
Outra cena que observei fez com que eu quase tivesse uma crise de nervos, tamanha a minha indignação. Algumas vezes observei uma mulher que se sentava à porta do mercado com o seu filho, que não deve ter mais de dois anos, para pedir esmolas. Aparentemente, o único problema desta mulher é ser pobre, assim como eu e milhões de outros cidadãos brasileiros. Ela não é deficiente (o que também não justificaria estar ali naquela situação) e não demonstra ter nenhum problema grave de saúde que a impeça de trabalhar. Também não sei de sua história, o que a levou a estar ali, mas sei que milhares de pessoas preferem pedir esmolas, preferem se sujeitar a esse tipo de situação degradante do que enfrentar o batente. Não descarto a possibilidade de ela participar de algum desses planos assistencialistas do governo federal. Além disso, o que me chamou a atenção foi ela colocar seu filho de castigo porque ele não parava quieto. Claro que uma criança não para quieta! Senti uma vontade imensa de lhe dizer: minha senhora, estar nesta calçada com este sol escaldante e essa sujeira já é um castigo para ele.
O pior, porém, ainda estava por vir. Após alguns minutos envolvido com o meu trabalho, voltei a observar aquela mulher com o seu filho e vi que ele tinha em suas mãos um brinquedo: uma arma de plástico, réplica de uma pistola 9mm. De cor laranja, mas a réplica de uma arma de fogo. Imaginei aquele menino com sua mãe entrando em alguma loja e, neste clima de medo e insegurança em que nos encontramos, aquele brinquedo ser confundido com uma arma de verdade. Quem vai parar para perguntar? Além disso, imaginei como aquele tipo de brinquedo influenciaria a mente daquela criança, que tipo de pessoa ela seria no futuro, que valores aprenderia com uma arma nas mãos. Quem sabe um dia, em sua adolescência, ou antes disso, trocaria aquela pistola 9mm de brinquedo por uma de verdade. Nem de brincadeira uma arma é algo que se coloque nas mãos de uma criança, mesmo de plástico. Isto é um violento atentado contra a sua infância, contra tudo que é digno e sadio. Ainda me lembro de que, na minha infância, podia-se ir às Lojas Americanas, em Petrópolis, Rio de Janeiro, comprar armas de brinquedo de vários calibres e espoletas para simular um tiro. Um absurdo que, felizmente, acabou.
Diante desta cena não pude me calar. Tentei a todo custo convencer àquela mãe a jogar aquele maldito brinquedo fora, explicando que ele só traria desgraça. Ela afirmou que o brinquedo havia sido dado por alguém e que era o único que o seu filho possuía e que não tinha problema nenhum. Insisti e cheguei a prometer dar um carrinho em troca da arma para que ela a tirasse da criança e jogasse fora. Alguns minutos depois ele pareceu convencida, mas foi embora e não a vi novamente. Pesei: quanto mais desgraça, melhor. Se já não bastasse a sua situação de pobreza e mendicância, se já não bastasse levar seu filho pequeno para as ruas para pedir esmolas, aquela mãe não via problema em seu filho brincar com uma pistola de plástico, não pensava nas terríveis circunstâncias, no problema que estava semeando na vida daquele inocente. Parece-me que quanto pior for a situação, pior as pessoas tentarão torná-la. Falta de Deus, de orientação, de conhecimento, de oportunidade, de solidariedade nossa, de amor, de fraternidade, de políticas públicas, de envolvimento da Igreja com as causas sociais? Na minha opinião: falta de tudo.
Outra cena que observei também me chocou bastante. Já tenho há algum tempo observado que as pessoas entram no supermercado para fazer compras e enquanto escolhem os produtos que irão levar, bebem à vontade. No final, compram bebidas para levar para casa, muitas bebidas, principalmente vodca e cerveja. Atendi um trio de jovens que não deveria ter mais de 20 anos cada um; eles compraram vodca. Beber já é uma desgraça, por mais lacinhos coloridos que coloquem no embrulho na tentativa de mostrar a ingestão de bebidas alcoólicas como algo bom, social. Hoje o jornal noticiou que a média do consumo de bebidas alcoólicas entra a população jovens no Brasil está acima de todos os outros países do mundo. A AMBEV deve estar festejando! Mas o caso principal que presenciei vai mais além e mostra como são feitos os alcoólatras. Imagina-se que a influência das más amizades leva crianças, jovens e adolescentes a se iniciarem no mundo dos vícios diversos, mas essa influência satânica pode ocorrer dentro do lar, a partir de quem deveria amar, proteger e ensinar coisas boas e saudáveis aos seus filhos queridos: os pais.
Certo dia, havia uma família fazendo compras com uma criança de pelo menos dois anos de idade. O menino andava pelo mercado, gritava e fazia o que toda criança faz. O homem do grupo, um senhor que deveria ter seus sessenta anos de idade, tomava a sua cerveja após as compras, enquanto esperava que suas mercadorias fossem encaminhadas para o carro que as deixaria em casa. Até aí, mais uma cena banal, afinal é comum ver pessoas bebendo todos os dias, o dia inteiro, e crianças brincando. Mas algo me chamou a atenção e fez despertar em mim uma indignação sem tamanho. Enquanto aquele homem bebia a sua cerveja, a criança, no colo de uma mulher, provavelmente esposa do homem, esticava os braços e pedia um gole da bebida insistentemente. Embora indignado, achei normal uma criança pedir algo que alguém está tomando. Mas para a minha surpresa, aquele homem começou a encher a tampa da garrafa de cerveja e tencionava dar para a criança degustar. Pasmem! Repreendido pela mulher, ele não cometeu essa atrocidade, mas deu a tampa da garrafa para a criança lamber.
Na primeira oportunidade que eu tive, já quase passando mal de nervoso, fui conversar com aquele cidadão. Descobri que o menino era de criação e tinha problemas mentais. Falei com ele do absurdo de se oferecer bebida alcoólica a uma criança e das consequências desastrosas para a vida daquele menino. Eu lhe disse que se ele tivesse um pouco de amor por aquele inocente, jamais repetisse isso novamente. Ele disse que nunca mais faria isso e partiu. Quanto mais desgraça, melhor! Para aquele cidadão não bastava ele próprio ser um consumidor de bebida alcoólica, um líquido aclamado e reverenciado, mas que representa desgraça e morte na vida de milhões de pessoas pelo mundo inteiro. Ele precisava iniciar seu filho de criação na arte da desgraça. Imaginem uma criança que começa a ter contato direto com a bebida aos dois anos de idade, em que ela vai se tornar. Que qualidade de vida ela terá? Um alcoólatra precoce que terá a sua vida inteira desgraçada. Um dia conheci uma menina de sete anos de idade que era forçada por seu padrasto a ingerir conhaque para se manter tranquila, somente porque a menina era muito traquina. Por vezes senti seu hálito cheio de álcool. Conversei com o médico da comunidade sobre o assunto e ele não fez absolutamente nada!
Histórias tão simples, mas que mostram como uma pessoa em situação de desgraça pode atrair ainda mais desgraça para si e para aqueles que estão ao seu redor. Como diz o adágio popular: desgraça pouca é bobagem. Tudo o que algumas pessoas puderem fazer para piorar ainda mais a sua situação, elas o farão. Tem coisas que não podem significar motivo de felicidade para ninguém, mesmo que a considerem. Conformar-se com a pobreza, embriagar-se ou incentivar crianças a isso, não é bom nem legal em parte alguma do mundo. Infelizmente, a nossa sociedade tem engolido a mentira de que não existe o certo e o errado, o bem e o mal, mas que tudo é relativo e depende das circunstâncias de cada pessoa num determinado momento e cultura. Somos obrigados a aceitar a nossa condição por entender que é um direito nosso nos autodestruir. Somos levados a nos conformar com o que a mídia nos empurra pela goela a dentro, uma cultura lixo que cheira somente a sexo e embriaguez. As pessoas se conformam em ser nada porque acham que não tem direito de ser alguém; ser alguém é para os artistas de TV e os ricos. O pobre e miserável deve se resignar: quanto mais desgraça, melhor.

Mas artistas de TV e ricos também têm as suas desgraças existenciais, por mais dinheiro e fama que possuam. Eles não aparecem no Domingão do Faustão cheirando cocaína, fumando crack ou se acabando de beber nas baladas, onde namoram com quem encontram pelo caminho. Eles aparecem como anjos, seres dignos de serem imitados. São tão desgraçados espiritualmente quanto os pobres o são financeiramente. Por fim, ricos e pobres, anônimos e famosos desfrutam da mesma desgraça de uma vida sem Deus, semeando furacões para colher destruição. Ao invés de investirem em tudo o que poderia lhes trazer uma vida digna e saudável, seguem absorvendo somente o que pode lhes destruir. Quanto mais desgraça, melhor. Não há como semear erva daninha e colher rosas perfumadas; não há como escapar de morrer cozido numa frigideira pulando dela para dentro do fogo.

UNÇÃO: O QUE É E QUAL A SUA FUNÇÃO?




           


            Em muitas igrejas evangélicas, tornou-se moda o termo “unção”. A unção é utilizada para designar, em geral, pessoas que receberam poder a autoridade de Deus, geralmente acompanhados do dom de línguas. O crente ungido é aquele que demonstra poder, que fala eloquentemente, que parece ser mais poderoso e cheio do Espírito Santo que os outros. Esses super-poderes não se demonstram na vitória sobre o pecado, na prática do amor, no cuidado especial com os pobres, no evangelismo, no sacrifício diário em prol da fé, mas em ações meramente espirituais “espetaculares”. Embora o crente “ungido” possa ser visto como fiel e obediente, as suas credenciais parecem estar nas manifestações sobrenaturais. Mas existe essa unção? Quando alguém prega a Palavra com autoridade está “ungido”? O que é a unção na Bíblia?


Ungir - aleipho

A palavra ungir vem do vocábulo grego aleipho, que indica o processo através do qual uma gordura mole ou azeite é derramado sobre uma pessoa ou objeto.

Antigo Testamento. No AT aleipho era utilizado literalmente para ungir ou untar: o corpo, no cuidado com a beleza (Rt 3:3; 2 Cr 28:15; Dn 10:3; Jz 16:8); o hospede para honrá-lo (Sl 23:5). Somente muito ocasionalmente aleipho é usado no sentido simbólico (Gn 31:13; Ex 40:15; Nm 3:3). Em algumas passagens da Bíblia, ungir também é usado para expressar alegria (Is 61:3; honrar os mortos (Gn 50:2; 2 Cr 16:14) e com fins medicinais (Is 1:6; Jr 51:8).

Novo Testamento. No NT aleipho ocorre apenas 8 vezes (em todos os quatro Evangelhos e em Tiago), referindo-se à ação física de ungir, praticada exclusivamente sobre pessoas: cuidado do corpo (Mt 6:17); sinal de honra a um hóspede (Lc 7:38,46; Jo 11:2; 12:3); honrar os mortos (Mc 16:1) e curar os enfermos (Mc 6:13; Tg 5:14). Todavia, conforme podemos ver em Tg 5:14, a unção nada tem de mágico, mas é uma simbologia; o que realmente opera a cura é a oração de fé.

Ungir – chrio, Unção – chrisma

Mais uma vez ungir aparece com um sentido bem específico e literal de untar, pintar, significando originalmente tinta, cal, óleo ou unguento empregado na unção.

Antigo Testamento. No AT chrio ocorre 60 vezes na LXX. Diferente de aleipho, chrio é empregada basicamente no sentido simbólico ritual (p. ex. Ex 30:25; 40:9; etc.). Israel ungia os seus reis (Jz 9:8,15; 1 Sm 9:16; 10:1; 15:1,17; 16:3,1,13), dando-lhe o direito de reger a nação (1 Rs 1:39; 1 Sm 10:1; 16:1,13). Esta unção era feita pelos profetas (1 Sm 9:16, etc.) e significava a transmissão da dádiva da autoridade, força e honra (Sl 45:7). A unção de Deus às vezes era acompanhada com o dom do Espírito e da proteção especial de Jeová (1 Sm 16:13; 24:6-11; 26:9-23; 2 Sm 1:14; Is 11:2). Os sacerdotes também eram ungidos (Ex 29:7; 40:15).

Novo Testamento. No NT chrio ocorre cinco vezes e chrisma só três vezes (todas em 1 João). É empregada de forma metafórica como no AT para a outorga do Espírito Santo, de poder especial, de uma comissão divina. Em quatro ocasiões lemos sobre a unção de Jesus da parte de Deus (Lc 4:18; At 4:27; 10:38 e Hb 1:9). No seu batismo, Jesus recebeu a unção real e sacerdotal que fez dele o Christos, o Messias.

A unção dos cristãos

A unção dos cristãos está ligada ao derramamento do Espírito Santo no momento da conversão, onde o crente recebe a adoção de filho de Deus. Embora muitas igrejas falem sobre um segundo batismo com o Espírito Santo como uma unção especial para realizar a obra de Deus, normalmente seguida do dom de linguas (Jesus nunca falou em linguas!), o que a Palavra de Deus deixa claro é que, ao aceitar a Cristo como Senhor e Salvador, o crente recebe o Espírito da Verdade, que abre o seu entendimento para as verdades espirituais (1 Jo 2:27), trazendo à sua mente tudo aquilo que Jesus disse (cf. Jo 14:26; 15:26; 16:13,14). A unção do Espírito é o poder que opera no crente através da Palavra divina autoritativa. Essa unção o torna capaz de discernir os espíritos (1 Jo 4:1ss; 2:18), ministra na vida da igreja os dons espirituais, traz frutos.

A segunda unção

Podemos usar num sentido meramente simbólico a SEGUNDA UNÇÃO para nos referir à necessidade que muitas cristãos têm de, mesmo após aceitar a Cristo, ter a sua mente renovada. Muitos que aceitam a Jesus continuam com suas mentes embotadas pelo pecado. Não enxergam a necessidade de orar, de ler a Bíblia, de evangelizar, de amar o próximo, de fazer o bem, de serem profissionais honestos, de ofertar na igreja. Essa segunda unção é fruto de um arrependimento profundo, de uma total mudança de mentalidade e atitudes, uma nova forma de enxergar a Deus, a nós mesmos e às pessoas ao nosso redor. Se vivemos no Espírito, devemos andar no Espírito.