terça-feira, 28 de janeiro de 2014

INDICADORES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL CRISTÃ (IRSC)

OBS: Este estudo é parte do meu futuro livro: MISSÃO INTEGRAL: EVANGELISMO E RESPONSABILIDADE SOCIAL NA DINÂMICA SOLIDÁRIA DO REINO DE DEUS.

Antes de lê-lo, sugiro que você leia antes o texto introdutório publicado no meu blog ligado a Gestão de Pessoas. Acesse: 

http://gestaocompessoaserh.blogspot.com.br/2014/01/indicadores-de-responsabilidade-social.html?spref=fb

DESEJO QUE VOCÊ LEIA, COMENTE E ME AJUDE A MELHORAR ESSE TEXTO.


Indicadores para a Igreja

            Com respeito à relação entre mundo e Igreja, a Bíblia nos dá a certeza de que não é possível haver uma fusão entre os dois. A Igreja é composta por pecadores separados do mundo para Deus e cuja pátria está nos céus. O mundo é composto de pessoas ainda perdidas, que não estão debaixo do Senhorio de Cristo nem da graça salvadora de Deus. Por mais sinais de simpatia – geralmente motivados por modismos e pela influência da música gospel – que o mundo dê à Igreja, sabemos que ele nos odeia, assim como odiou ao Senhor: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15:18,19; cf. tb. Mt 10:22; Lc 6:22; Jo 17:14). Até este ponto poderíamos afirmar: de nada vale nos dedicarmos a pessoas que sempre nos odiarão, que jamais aceitação a nossa palavra e que, pelo contrário, nos esmagarão com seu ódio mortal contra Deus.
            Além de sermos odiados pelo mundo, somos convocados a não nos envolver com o mundo nem com aquilo que nele há. Na parte VI deste estudo, porém, aprenderemos que devemos ter uma visão correta de mundo e do nosso envolvimento com ele para que possamos decidir que decisões tomar com relação à nossa vida espiritual e o nosso envolvimento, como Igreja, nas questões que afligem o mundo (comunidade, sociedade). Se por um lado não devemos amar o mundo (1 Jo 2:15), por outro lado devemos salgá-lo e iluminá-lo com a luz de Cristo (Mt 5:13-16), pregando pelo mundo o Evangelho da Salvação (Mt 16:15). Embora o mundo não nos conheça (1 Jo 3:1), é nele que devemos proclamar as virtudes de Jesus (1 Pe 2:9). Está claro que o envolvimento que devemos evitar é de caráter ético e moral: a nossa santidade não pode ser manchada pelo pecado do mundo; o nosso corpo, que é templo do Espírito Santo, não deve ser entregue à prostituição. Por outro lado, o envolvimento que devemos ter com o mundo é, também, de caráter ético e moral. Nossos valores transformados nos levam a uma inconformidade de forma (não adotar o padrão do mundo como parâmetro) e de moral (não se conformar com a injustiça que o mundo produz).
            No início deste capítulo afirmamos que quanto menos comprometidas com o bem-estar das pessoas e do planeta, mais negativa será a imagem das empresas no mercado, menor o seu lucro e menores as suas possibilidades de crescimento. Assim, investir em Responsabilidade Social tornou-se uma questão de sobrevivência para as empresas. O antigo ditado “quem não tem competência, não se estabelece”, parece ter sido trocado por “quem não tem responsabilidade, não se estabelece”. Para fazermos a conexão entre os indicativos de Responsabilidade Social apresentados anteriormente e a Missão da Igreja, devemos fazer a seguinte paráfrase: “Quanto menos comprometida com o bem-estar das pessoas e do planeta, mais negativa será a imagem da Igreja no mundo, menor a sua eficácia evangelística e menores as suas possibilidades de testemunho”. Num mundo cada vez mais virtual, repleto de imagens (vídeos, fotos) e informatizado, a imagem é tudo. O que a Igreja passa para o mundo – a sua imagem – pode influenciar positiva ou negativamente em suas ações evangelísticas e sociais.
            Criar indicativos de Responsabilidade Social para a Igreja não significa muito mais que repetir aquilo que a Bíblia já vem ensinando há séculos. Enquadrar-se nesses indicadores significa repensar a prática de vida da própria Igreja ou igreja local. Existem parâmetros descritos na Bíblia que colocam a Igreja no centro da vontade de Deus naquilo que diz respeito ao seu envolvimento com o mundo e o seu chamado profético de pregar (viver) o Evangelho de Cristo. Quatro perguntas devem ser feitas:

1.      Qual o valor dos cristãos para a igreja? Eles são apenas um número no rol de membros das denominações ou possuem valor intrínseco? Seus dons e talentos são valorizados? A Igreja tem cuidado dos seus problemas pessoais (existenciais, sociais)? Eles estão ali mais para receber ou para dar, compartilhar?
2.      Qual o valor da Igreja para os cristãos? Será que a forma como a igreja lida com os seus fiéis tem despertado neles um sentimento de pertença, de compromisso com a obra? Os cristãos têm desenvolvido amor pelo corpo de Cristo e entendido o papel importante da igreja para as suas vidas e para o mundo? A Igreja é vista como um evento dominical diferente dos “clubes” do mundo ou como a presença dos salvos no mundo?
3.      Qual o valor do mundo para a Igreja? Como a Igreja do Senhor Jesus enxerga o mundo (comunidade, sociedade)? Ele é visto como um estorvo ou como fonte de oportunidades de manifestação da glória de Deus? O mundo é uma “panela do diabo” ou o local onde Deus quer operar a salvação? Que valor as pessoas e os seus problemas têm para a Igreja?
4.      E qual o valor da Igreja para o mundo? O que o mundo pensa quando pensa na Igreja do Senhor? A Igreja tem salgado e iluminado o mundo, feito a diferença ao ponto de ser lembrada como uma bênção? Quando o mundo observa a Igreja encontra cristãos cheios de amor e misericórdia ou repletos de ganância de intrigas? Se a igreja local deixasse de existir em certas comunidades, alguém sentiria a sua falta?

A Igreja do Senhor necessita não somente rever seus conceitos, mas também criar parâmetros que possam determinar seu rumo diante das constantes demandas sociais. Aquilo que pode ser feito, deve ser feito. A Bíblia não nos ensina apenas a deixar de fazer o que é errado, ela também nos indica a coisa certa a fazer. Deixar de errar é apenas parte do processo: quem errava deve começar a acertar. Aquele que furtava não deve simplesmente parar de furtar, mas precisa começar a trabalhar para fazer o bem e acudir o necessitado (Ef 4:28). Se a Igreja tem se omitido quanto aos problemas sociais, ele deve rever as suas atitudes e passar a fazer a coisa certa. O que Deus espera de nós? Nós esperamos dele a salvação, mas após a salvação, Ele nos pede algo: obediência. Obedecer a Deus, biblicamente, significa tão somente amá-lo acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Amando assim, todos os outros mandamentos serão obedecidos. Quem ama jamais produz o mal, mas somente o bem. Quem ama não vive badalando tal qual um sino, mas empreende obras dignas desse amor.


Indicadores de Responsabilidade Social Cristã (IRSC)

            Os Indicadores de Responsabilidade Social Cristã (IRSC) são parâmetros básicos que guiam a Igreja na execução da sua Missão Integral. Eles se desdobram em diversas ações sociais que começam com a própria ekklesia e se estendem a toda a sociedade. Ser responsável socialmente requer capacidade de enxergar o outro e o mundo com os olhos de Cristo, olhos de amor e salvação. Quando olhamos para as pessoas com os olhos turvos de preconceitos e pressupostos egoístas e mesquinhos, a nossa visão limitada não nos permite enxergar o seu sofrimento e a nossa possibilidade de auxílio. Para uma ação social responsável no mundo, a normatização dos IRSC deve ser acima de tudo a Bíblia. As ações que serão ainda pensadas neste estudo seguem essa normatização. Outras fontes de normas para a Igreja como parâmetros do que fazer e de como agir, são: Constituição da República, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e demais leis brasileiras. Além disso, a Igreja não pode deixar de dar atenção à Declaração Universal dos Direitos Humanos e outros documentos internacionais que visam preservar a vida humana e a natureza. Ainda outra ferramenta para o IRSC é o Pacto de Lausanne, importante documento que dispõe sobre a Responsabilidade Social da Igreja.
            Os IRSC são ferramentas importantes para a Igreja, acima de tudo num momento histórico em que o liberalismo tem produzido teologias e práticas libertinas em total desacordo com o caráter santo das Escrituras. A presença do Neopentecostalismo e da Teologia da Prosperidade com a sua fé repleta de elementos místicos, com o seu apelo constante e insistente à vida abastada de seus fiéis (empresas milionárias, carreiras de sucesso, bens materiais como carros luxuosos, casas, iates, etc.) tem servido para moldar no consciente coletivo uma imagem extremamente deturpada de evangelicalismo e fé cristã. Pastores, bispos, missionários e apóstolos que enriquecem através dos seus ministérios; religiosos envolvidos em escândalos sexuais, crimes de estupro, corrupção, assassinatos, tráfico de drogas e estelionato, formam o saquitel de exemplos indigestos da falta de ética, de valores cristãos de muitas “igrejas”. Em meio a esse emaranhado de pecados grotescos, a Igreja do Senhor prossegue em sua missão de ser sal e luz, de ganhar almas e salvar vidas.
            Se antigamente a Igreja era perseguida – como acontece ainda em alguns países – hoje ela é cobrada pela sociedade, que deseja ver a sua teologia sendo demonstrada na vida real das pessoas. De inimiga ela passou a aliada na luta contra os problemas sociais do mundo. Como ela fará isso sem comprovar um caráter santo e irrepreensível? Os IRSC fundamentam-se nos seguintes princípios:

·         Gestão ética e responsável baseada em princípios e valores bíblicos, que garantem a lisura da Igreja, sua confiabilidade e transparência.
·         Pregação legítima e condizente com o seu caráter cristão.
·         Direcionamento de estratégias, avaliação de eficácia das metas e iniciativas planejadas.
·         Indicadores de necessidades e adaptação das deficiências das iniciativas de Responsabilidade Social.
·         Norteamento das formas como as lideranças devem agir na sociedade e cuidados que devem tomar em determinadas circunstancias para demonstrar sua Responsabilidade Social.

Tais princípios são demonstrados através das ações sugeridas em todo este estudo, onde a Igreja é chamada a exalar o bom perfume de Cristo e proclamar as suas virtudes em um mundo desvirtuado. Torna-se mais coerente falar de Jesus – acima de tudo em pregações onde o mundo é condenado por sua pecaminosidade que gera injustiça e morte – quando a Igreja demonstra viver na justiça e na vida. Como ela demonstrará isso, através de seus discursos inflamados em programas de TV e nas praças públicas? Através da manifestação de línguas estranhas ou de testemunhos de prosperidade financeira? De forma alguma, mas pela manifestação do poder do Espírito Santo na obediência aos mandamentos da Deus que, como já demonstramos, encontram o seu termo no amor. Uma fé viva e prática capaz de ser sal e luz, de trazer à terra o Reino dos céus é o que Deus espera da sua Igreja.



Temas
Indicadores
Gestão Eclesiástica
Compromisso com a verdade da Palavra de Deus, liderança ética baseada em valores bíblicos, respeito às leis do país e internacionais, capacidade de diálogo com os fiéis e o mundo, honestidade e transparência na gestão, modo de vida simples.
Público interno
Liderança (vocação, treinamento, desenvolvimento, gestão ética, corrupção, abusos de autoridade, serviço); “leigos” (vocação, cuidado, desenvolvimento, empoderamento, acompanhamento, serviço, valorização da diversidade, serviço social).
Público externo
Gerenciamento da influência e do impacto da igreja junto à comunidade, relações com organizações atuantes na comunidade (outras igrejas, ONGs, associação de moradores, grupos culturais, escolas, etc.), mecanismos de apoio a projetos sociais (da igreja local ou não), estratégias de atuação na área social, mobilização dos recursos para o investimento social, reconhecimento/apoio do trabalho voluntário dos cristãos.
Direitos humanos
Apoio e respeito a proteção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente; isto significa promover ações de combate a toda forma de abuso contra esses direitos e ao mesmo tempo certificar-se de que não é cúmplice em abusos aos direitos humanos.
Trabalho
Defesa da liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva; A exemplo das pastorais católicas, ele deve lutar pela  eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório, bem como a erradicação efetiva do trabalho infantil e a eliminação da discriminação no emprego e ocupação.
Meio ambiente
Apoio a uma abordagem preventiva sobre os desafios ambientais, desenvolver iniciativas a fim de promover maior responsabilidade ambiental e incentivar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmente sustentáveis. Também é necessário a Igreja ter conhecimento sobre o impacto no meio ambiente (poluição sonora).
Combate à corrupção
Combate a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina. Esse combate deve começar primeiramente dentro de sua esfera eclesiástica.

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