quarta-feira, 29 de maio de 2013

Purgatório: verdade bíblica ou falsa doutrina? - PARTE 3


 

Sufrágios pelas almas do purgatório


            Como temos mostrado, é necessário que os vivos intercedam por seus entes mortos para que estes purifiquem-se de seus pecados e possam gozar um dia da glória de Deus. Isto é, que façam tudo aquilo que o morto deveria ter feito em vida e não fez, por diversos motivos. Apenas as almas dos que foram martirizados têm acesso direto ao céu, não necessitando da nossa intercessão, pelo contrário, tornando-se nossos intercessores junto a Deus e Jesus Cristo. Assim é o caso de Maria, que, segundo a doutrina romanista, subiu corporalmente aos céus, não experimentando a corrupção de corpo.
            O catolicismo romano apresenta diversas formas que podemos utilizar para aliviar o sofrimento das almas que jazem no fogo do purgatório.

Oração pelos mortos

            Os católicos romanos têm a prática de incluir em suas orações uma intercessão em favor das almas que estão no purgatório. Talvez baseados no texto de 1 Timóteo 2:1: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens”. Todavia, quando o apóstolo Paulo fez esta exortação, ele provavelmente não tinha em mente os mortos, mas os vivos. Paulo era um homem de oração e sabia o seu real valor. Oração significa trazer para a Terra a vontade de Deus que é feita no céu. Esta vontade se manifesta nas suas criaturas, nos seus filhos vivos, na sua igreja que caminha neste mundo rumo a morada final, a Israel celestial. Apesar desta certeza, o Compêndio do Vaticano II observa:

Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o Corpo Místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os primórdios da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos e “porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados os seus pecados” (2 Mc 12,46), também ofereceu sufrágios em favor deles (Ses. 134).

            Como veremos mais adiante nas refutações a esta doutrina romanista, orar pelos mortos não lhes causa benefício nenhum, uma vez que já decidiram seu destino enquanto estavam vivos:

Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunha contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó (Deuteronômio 30:19,20).

            Esse texto nos mostra claramente que o que escolhemos hoje repercutirá no dia de amanhã. Se nos voltarmos para os versículos anteriores, veremos que fazer a vontade de Deus é estar debaixo da sua bênção e significa tomar posse da terra prometida (v. 16). Por outro lado, desviar o coração de Deus implica em maldição, em perecer sem enxergar a concretização da promessa (vs. 17 e 18). Se as coisas passadas – o Antigo Testamento – eram apenas figuras e sombras do que estava para ser revelado – a salvação em Cristo Jesus – devemos crer, baseados na Bíblia, que a nossa terra prometida hoje é a glória do céu. Logo, em vida escolhemos para onde queremos ir, não restando a possibilidade de fazê-lo depois de mortos: “... eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação...” (2 Cor 6:2).

Missas

            É a Missa a forma mais eficaz, segundo o catolicismo romano, de aliviar as dores das almas do purgatório e apressar a sua saída de tal prisão purificadora. Como vimos anteriormente, as indulgências eram pagas através de missas celebradas em favor dos defuntos, onde a igreja conseguia enormes quantias de dinheiro e propriedade, além de exercer grande poder de influência sobre os fiéis. Mas as missas não só alcançam benefícios aos mortos, mas também acumulam méritos para aqueles que as mandam rezar. Isto transforma a Missa num comércio de méritos e indulgências: todos querem aliviar o sofrimento de seus entes queridos no purgatório, mas ao mesmo tempo desejam acumular méritos para que estes lhes sirvam quando também estiverem lá.

Obras de caridade

            Neste ponto o catolicismo romano assemelha-se à doutrina espírita. Os espíritas têm as obras de caridade como uma forma de aliviar o seu Karma para tornarem-se espíritos puros, perfeitos, sem a necessidade de novas encarnações. Os católicos romanos as utilizam para alcançar o céu, para diminuir suas penas no purgatório, penas estas destinadas a purificá-los. Tanto católicos quanto espíritas estão em busca da mesma coisa e ambos negam a salvação pessoal exclusivamente pela fé. Deve-se notar que a busca do católico não é por uma purificação em vida, mas pelo alívio das futuras penas purificadoras.
            As obras de caridade, as esmolas e toda e qualquer outra coisa feita em benefício de outrem, vivos ou mortos, redunda em proveito para o fiel católico. Suas esmolas podem ser oferecidas para aliviar alguma alma no purgatório ou mesmo para aliviar as suas futuras dores neste lugar de fogo ardente. Os mortos dependem destas obras para se salvarem. Mas e se não houver quem as pratique? O que acontece com as almas dos indigentes que morrem sem a família tomar qualquer conhecimento? Se uma pessoa desaparece e é dada como morta, passando seus familiares a rezar e oferecer esmolas por ela, terá algum valor se ela ainda estiver viva? Como saber se está?


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