quarta-feira, 29 de maio de 2013

Purgatório: verdade bíblica ou falsa doutrina? - PARTE 6



Perfeição

            O que o purgatório pretende é levar a pessoa (morta) à perfeição antes de sua entrada no Paraíso. Já que em vida ela viu-se impossibilitada, por diversos motivos, de alcançar a perfeição, Deus, segundo dizem, lhe concede uma nova chance. Mas esta nova chance de purificação não se dá como se daria em vida, pois a alma nada mais pode fazer por si mesma, necessitando da caridade e da lembrança dos que ainda estão vivos. Também não podem contar com o Espírito Santo, visto Ele não exercer qualquer influência naquele lugar de fogo purificador.
            Estes argumentos nos levam a buscar o que realmente a Palavra de Deus nos fala sobre a perfeição, sobre o que ela é e como alcançá-la. Já vimos no estudo sobre salvação pessoal sobre justificação, regeneração e santificação e aprendemos que todas dependem do mover do Espírito Santo em nossas vidas. Ao homem cabe a disposição para o arrependimento e o viver buscando fazer a vontade de Deus. Do mesmo modo é a perfeição. Não se pode alcançá-la através das obras feitas pelos outros, mas cada um busca-a segundo aquilo que tem feito diante de Deus. O homem é perfeito na medida em que permite que Deus trabalhe no seu coração, transformando o seu caráter, moldando a sua vida. E esta perfeição deve ser buscada e desenvolvida ainda em vida, porque depois de mortos já não nos resta mais nada a fazer.

1) A perfeição contém alguns elementos essenciais que não são meramente exteriores, mas que demonstram a presença do Espírito em nossa vida. Por exemplo: benevolência (Mateus 19:21), amor (Colossenses 3:14), boas obras (Tiago 2:22), controle da língua (Tiago 3:2) e obediência (1 João 2:5; 4:12). São atitudes coerentes com uma vida santa, dedicada a Deus, sem as quais é impossível alcançarmos a perfeição que Deus quer de nós. Devemos lembrar que ser perfeito não significa ser sem pecado. Davi era pecador, mas foi contado como um homem “segundo o coração de Deus”, porque sabia reconhecer seus erros e buscar o perdão de Deus. Ser perfeito é, também, saber reconhecer limites, imperfeições, erros e buscar a face do Senhor em oração, buscando sempre fazer o que é certo. Lembrando que quem opera em nós a obra de aperfeiçoamento é o Espírito Santo e a Palavra de Deus.

2) A perfeição não vem de mãos humanas, de orações ao nosso favor, de missas e esmolas, mas exclusivamente de Deus (Salmo 18:42; 138:8). Quando o pecador vai para o purgatório, Deus parece excluir-se, abrindo caminho para as práticas romanistas de piedade. Mas a perfeição que Deus nos dá é quando ainda estamos vivos, onde Ele pode nos trabalhar, nos moldar até alcançarmos aquilo que Ele espera de nós. Os santos, santificados em Cristo Jesus pela fé, têm a perfeição no seu Senhor (1 Coríntios 2:6; Filipenses 3:15; Colossenses 2:10), seguindo um padrão celeste, divino, e não algo imposto pelos homens composto de sacramentos e regras ou rituais a serem seguidos (Mateus 5:48).

3) A perfeição não implica, como vimos anteriormente, no cumprimento dos rituais e sacramentos romanistas, mas numa total devoção a Deus (Mateus 19:21) e pureza e santidade de linguagem (Tiago 3:2). Os cristãos devem tê-la como alvo de suas vidas (Gênesis 17:1; Deuteronômio 18:13) e segui-la (Provérbios 4:18; Filipenses 3:12), orientando os santos a mesma (Efésios 4:12; Colossenses 1:28).

4) Embora um grande santo e maior missionário da igreja primitiva, Paulo sabia que ainda não havia alcançado a perfeição (Filipenses 3:12). Ele aponta para a maturidade daqueles que perseguem o alvo. Perfeição total nesta vida é impossível (2 Crônicas 6:36; Salmo 119:96), porque vivemos em um corpo habitado pela nossa vontade que vai de encontro a vontade de Deus. Embora sejamos perfeitos naquilo que Deus pede de nós aqui, somente na Glória a plenitude de Deus reinará totalmente em nossas vidas, onde não teremos mais o pendor da carne militando contra o Espírito, mas somente o Espírito de Deus em nós.

5) O cristão tem o dever de prosseguir para a perfeição (Gênesis 17:1; Deuteronômio 18:13; 1 Reis 8:61; Mateus 5:48; 2 Coríntios 13:11; Efésios 4:13; Filipenses 3:15; Colossenses 1:28; 2 Timóteo 3:17; Hebreus 6:1; 13:21; Tiago 1:4; 1 Pedro 5:10). Todavia, se não alcançá-la em vida – o que é impossível – deve saber que não o poderá fazer depois de morto. Deus aceita os nossos limites e nos permite ir até onde conseguimos. A doutrina do purgatório nos leva a crer que Deus é injusto. Então, uma pessoa que vive mais anos de vida tem a oportunidade de se aperfeiçoar mais do que quem vive menos anos? Isto influencia alguma coisa no purgatório?


O perdão de Deus

            Quando conhecemos sobre o perdão de Deus e o seu significado para a humanidade, toda a doutrina romanista a cerca do purgatório, das indulgências e do sacrifício da Missa caem por terra. Do perdão parcial, limitado e condicional pregado pela igreja de Roma, passamos para o perdão total ensinado pela Bíblia, o que nos leva a concluir que tudo o que Roma prega a respeito de suas doutrinas é falso, anátema. Mesmo que seus pontífices insistam em apelar para a Tradição e para a vida “piedosa” de seus santos e seus escritos, a falsidade destas doutrinas não se anula, pois a palavra de homens, que ano a ano mudam de acordo com suas conveniências, não pode anular ou refutar o que está escrito no Livro da Vida, escrito por Deus através de pessoas inspiradas pelo seu Santo Espírito. A Bíblia como um todo se mantêm intacta até os dias de hoje, desde quando foi formulado o seu cânon. Os concílios ecumênicos se auto contradizem e refutam-se uns aos outros. É o caso do Concílio do Vaticano II que devolveu à celebração da Missa a língua pátria, proibida pelo concílio de Trento, que dizia que a Missa não deveria ser rezada na língua vulgar de cada povo, mas somente em latim.
            O perdão conforme o conhecemos na Bíblia manifesta o caráter de Deus e os seus atributos divinos: sua compaixão (Miquéias 7:18,19), sua graça (Romanos 5:15,16), sua misericórdia (Êxodo 34:7; Salmo 51:1), sua bondade (2 Crônicas 30:18; Salmo 86:5), sua paciência (Romanos 5:25), sua benignidade (Salmo 51:1), sua justiça (1 João 1:9) e sua fidelidade (1 João 1:9). Isto nos leva a crer que, caso aceitemos a doutrina romanista do purgatório, teremos de aceitar que Deus é sem compaixão, isento de graça, sem misericórdia, maldoso, impaciente, maligno, injusto e infiel. Isto é, Deus negaria a si próprio, pois “Fiel é a palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:11-13).
            Errar é humano – como diz o adágio popular – mas perdoar é divino (Isaías 43:25; 44:22; Miquéias 7:18; 1 João 1:9). Este perdão foi prometido por Deus (Isaías 1:18; Jeremias 31:34; 50:20; Hebreus 8:12), porém ele não poderia existir sem derramamento de sangue (Levítico 17:11; Hebreus 9:22). Os sacrifícios instituídos por Deus na Lei entregue a Moisés, bem como as purificações externas, mostraram-se ineficazes, pois eram práticas exteriores que não ocasionavam mudança de caráter, como as indulgências no passado e as penitências hoje (Hebreus 10:4; Jó 9:30,31; Jeremias 2:22). Afirmar que nossas obras feitas em nosso próprio favor (missas, esmolas, etc.) ou em favor das almas do purgatório podem aliviar os nossos pecados e as nossas dores nesta prisão, é retornar a antiga prática judaica, prática externa sempre criticada por Jesus Cristo. Os sacrifícios de outrora foram aperfeiçoados por Cristo ao se entregar como cordeiro pascal para morrer propiciatoriamente na cruz para nos salvar. Só o sangue de Jesus é eficaz para o nosso perdão, independente de nossas obras ao nosso favor (Zacarias 13:1; 1 João 1:7).
            Mas como este perdão é, então, outorgado? Aqui não estamos falando do perdão que devemos uns aos outros, mas do perdão de Deus que nos purifica e nos santifica. Quando pecamos contra alguém este pode nos perdoar, mesmo que não manifestemos arrependimento. Mas Deus quer que nos arrependamos para que Ele nos perdoe, que manifestemos este arrependimento em palavras, choro e atitudes, não para reparar o mal, mas para mostrar que de fato queremos mudar. O perdão é, então, outorgado por Ele somente (Daniel 9:9; Marcos 2:7) e por Cristo das seguintes formas: por meio dEle (Lucas 1:60,77; 7:48; Atos 5:31; 13:38; Marcos 2:5); por meio do seu sangue (Mateus 26:28; Romanos 3:25; Colossenses 1:14); em seu Nome (1 João 2:12); segundo a riqueza da sua graça (Efésios 1:7), sendo Ele exaltado (Atos 5:31).
            Como se vê através destes poucos textos tirados das Sagradas Escrituras, o perdão de Deus não é outorgado por merecimento do pecador penitente, por promessas, rezas do rosário, batismo, procissões, mortificações, sacramentos, indulgências ou rituais, mas Deus o dá livremente, sem passar pelo liga-desliga do papa (Isaías 43:25); prontamente, sem esperar a intercessão da Virgem Maria (Neemias 9:17; Salmo 86:5) e abundantemente, além dos “tesouros da igreja” (Isaías 55:7; Romanos 5:20). Mas Ele não o dá aos que o pretendem comprar à base de indulgências, ativas ou passivas (por pecados passados, presentes e futuros), mas aos que confessam os seus pecados (2 Samuel 12:13; Salmo 32:5; 1 João 1:9), creem em Jesus Cristo (Atos 10:43) e se arrependem (Atos 2:38).
            Todos os santos desfrutam do perdão de Deus (Colossenses 2:!3; 1 João2:12), pois foi com esta finalidade que Cristo morreu na cruz para nos salvar. Este perdão, que em tudo difere do perdão emitido pelo sacerdote na confissão auricular, é expresso na Bíblia das seguintes maneiras:

1.    Perdão da transgressão (Salmo 32:1). A transgressão confessada é perdoada, incondicionalmente, sem necessidade de reparação ou castigo. A purificação se dará através do Espírito Santo de Deus e de uma prática contínua da justiça divina, pela oração, leitura, pregação e vivência da Palavra. Estes, porém, não são condições ao perdão, mas frutos deste mesmo perdão que promove um renovo no espírito humano.

2.    Remoção da transgressão (Salmo 103:12). Conforme reza o catolicismo romano, apesar de perdoado, o fiel ainda deve praticar certas obras e rituais a fim de apagar a mancha que o pecado deixou em sua alma, a fim de satisfazer a justiça divina. Todavia, biblicamente, a transgressão do pecador é removida, isto é, já não encontra mais lugar na sua alma, no seu coração; Deus não continua a olhá-lo com olhares reprovadores, esperando que ele purgue suas penas nesta vida e na próxima.

3.    Desaparecimento da transgressão (Isaías 44:22). Deus não somente remove a transgressão, mas também faz com que ela desapareça. A Bíblia nos fala sobre “névoa” e “nuvem”. Quando o sol da Justiça brilha sobre o pecador e a sua luz ilumina seu coração, seus pecados se dissipam e desaparecem. A doutrina do purgatório limita essa Luz divina e obscurece o perdão de Deus, deixando o pecador desnorteado nas trevas do medo e da dúvida.

4.    Cobertura do pecado (Salmo 32:1; Romanos 4:7). Por que Deus cobre nossos pecados? Certamente porque já não quer mais olhar para eles. E que coberta é esta que se põe entre nossos pecados e os olhos de Deus? É o sangue de Cristo purificador e salvador, que lava a alma do pecador e o torna apto a participar da família divina. O purgatório insiste em deixar o pecador descoberto, necessitando “fechar os olhos de Deus” com obras de caridade, missas e sufrágios.

5.    Cancelamento dos pecados (Atos 3:19). Se disséssemos apenas que Deus remove ou cobre nossas transgressões, ainda assim poder-se-ia argumentar que elas permaneceriam ainda existentes; escondidas somente por breve tempo, esperando o momento de aflorarem para sermos cobrados. Isto é: Deus “passaria na cara” do pecador suas transgressões, como veremos no próximo capítulo em um trecho do livro Glórias de Maria. Mas os pecados são realmente cancelados. Este cancelamento não se segue após sufrágios e penitências, antes ou depois da morte do pecador, mas ao arrependimento e a conversão do ímpio.

6.    Lançamento dos pecados no mar (Miquéias 7:19). Este versículo vem a reforçar ainda mais a idéia de que Deus deseja que o pecador arrependido viva uma vida nova e santa, longe de seus pecados da antiga vida. O que se pode ver de algo que foi lançado “nas profundezas do mar”? talvez este versículo queira nos mostrar duas coisas: que nossos pecados estão bem distantes da lembrança e dos olhos de Deus, e que devemos, também, considerá-los assim. Ao contrário disto, a doutrina romanista do purgatório insiste que o cristão deve ter em mente sempre os seus pecados para que possa purgá-los. Isto faz com que ele jamais sinta-se perdoado, mesmo que esteja sinceramente arrependido.

7.    Não imputação de pecado (Romanos 4:8). O texto de Romanos – que nos remete ao Salmo 32:1,2 – diz que os pecados são perdoados, cobertos e jamais imputados ao crente. Isto é para o cristão motivo de alegria. Não admira, então, muitos católicos, inclusive ilustres e conhecidos santos, viverem uma vida triste e ansiosa, imaginado se todas as suas mortificações e sacrifícios serão o bastante para livrá-los do sofrimento eterno. Por não acreditarem no perdão definitivo e irrevogável de Deus, jamais poderão ter certeza da salvação, tão importante ao convertido, certeza que lhe dá a máxima segurança da morada eterna ao lado do Pai após a sua morte. Esta incerteza não permite ao católico viver uma vida cristã plena e em abundância. Ele jamais poderá ser um bem-aventurado como o descrito no texto citado.

8.    Não menção da transgressão (Ezequiel 18:22). Se Deus esquece-se das transgressões cometidas, está certo que Ele jamais fará menção delas. A mente de Deus trabalha diferentemente do que pretende o catolicismo romano. Deus pensa com a mente da graça que perdoa. O Deus idealizado pelos santos padres da igreja romana não consegue perdoar totalmente e por isso a necessidade de satisfação constante pelos pecados cometidos antes e depois da conversão.

9.    Esquecimento do pecado (Hebreus 10:17). O livro de Hebreus atesta claramente que de nenhum modo Deus se lembrará dos pecados perdoados “para sempre”. Este perdão é definitivo e irrevogável. O escrito de dívida contra nós é cancelado. O v.18 acrescenta que “... onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado”.

Portanto, Deus não pede que seja feita uma reparação pelo pecado que ele já esqueceu e jogou nas profundezas do mar do esquecimento. Ele não continua a nos culpar de algo que já nos perdoou, pois o seu perdão é eterno e perfeito. Nossos pecados quando confessados são esquecidos, desaparecem e não nos são mais imputados, pois Deus olha para nós e vê o sangue do Seu Filho derramado para nos perdoar e salvar.
            Porém, Deus tem uma finalidade ao nos perdoar, assim como tem ao nos salvar (cf. Efésios 2:8-10). O perdão de Deus deve nos conduzir de volta a Ele (Isaías 44:22), ao seu amor (Lucas 7:47), ao seu temor (Salmo 130:4), ao seu louvor (Salmo 103:2,3). Como poderá alguém fazer isso depois de morto? Como aceitar que tenhamos que descer ao purgatório para fazer o que em vida não fizemos? Como servir a Deus em um lugar onde Ele não se encontra? Como aceitar que Deus é incapaz de nos perdoar?


Concluindo...

1.    A redenção efetuada por Cristo foi providencial (Gálatas 4:2-7; 1 João 4:9-15), perfeita (Hebreus 7:20-28), única (Hebreus 10:1-18) e eterna (Hebreus 10:12). Não há mais necessidade de libertação.

2.    Deus, em Cristo Jesus, nos deu completo livramento do juízo vindouro (João 3:16,36; 5:24; 6:47; 14:16; 10:9; 11:25; 17:3; Lucas 19:10; Atos 4:10,12; 16:31; 1 Coríntios 1:13,14; 15:57; 1 Tessalonicenses 5:9; 1 Timóteo 2:5; Tito 2:14; 1 João 4:14; 5:12; Apocalipse 5:9). Não há necessidade de uma estadia no purgatório.

3.    A salvação da alma não é por meio de obras praticadas antes ou depois da morte. Ela é através da fé pessoal em Cristo (Mateus 21:21; Marcos 5:34; Lucas 5:20; 18:42; 7:50; 8:48João 3:16; 6:28; 20:31; 1 João 5:3,4; Romanos 1:7; 3:20-23; 4:5,14,18,22; 5:1,20; Efésios 2:8,9; Gálatas 2:16,21; 5:4; Atos 26:18; 13:39; Tito 3:1; Hebreus 10:38; 11:1,16; 1 Timóteo 6:11; 1 Pedro 1:8,9).

4.    A justificação pela fé é completa, não restando pena alguma a ser purgada após a morte do cristão (Romanos 3:24; 5:12; 6:7; Tito 3:7; 1 Coríntios 6:11; Gálatas 2:16; 3:24).

5.    Como Sumo Sacerdote eterno, Cristo tornou-se também nosso intercessor, não necessitando de outros mediadores (1 João 2:1; Hebreus 7:25; Romanos 8:26; Isaías 53:12). Esta intercessão é somente enquanto estamos vivos.

6.    Quanto ao estado dos que já morreram, a Bíblia o descreve como um estado de descanso (Apocalipse 14:13), de espera e repouso (Apocalipse 6:10,11), de serviço (Apocalipse 7:15) e de santidade (Apocalipse 7:14).





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