sábado, 23 de março de 2013

Igreja: ONG ou mensageira da cruz de Cristo?





obs: texto revisado


            A primeira homilia realizada pelo novo líder da Igreja católica romana, o papa Francisco, é um chamado aos fiéis à proclamação da mensagem da cruz de Cristo. Ele afirmou: "Nós podemos caminhar como queremos, podemos construir muitas coisas, mas, se não confessamos Jesus Cristo, algo está errado. Tornamo-nos uma ONG piedosa, mas não a Igreja, a esposa do Senhor". Essa declaração é pertinente, uma vez que nos lembra que a caridade faz parte do credo da maioria das religiões, mesmo as politeístas que negam um único Deus e a divindade de Cristo. Crer no Senhor envolve atitudes coerentes que se demonstram primeiramente num compromisso de vida com o seu Evangelho. O papa Francisco afirmou que é necessário "andar sempre na presença do Senhor, tentando viver de forma irrepreensível".
            Francisco afirmou ainda: "Eu gostaria que todos nós, depois desses dias de graça, tivéssemos a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor, de construir a Igreja no sangue do Senhor, derramado na Cruz, e confessar a única glória, Jesus Crucificado". Essa é uma declaração da verdadeira vocação cristã: servir ao Senhor da glória, o nosso único e verdadeiro Deus. Esquecendo-se de Jesus e dando ênfase apenas à nossa capacidade de construir igrejas, de socorrer os necessitados, de buscar revoluções sociais, não estamos vivendo o real cristianismo. O papa também disse: "Quando caminhamos sem a cruz, quando edificamos sem a cruz e quando confessamos um Cristo sem a cruz, não somos discípulos do Senhor, somos mundanos, somos bispos, sacerdotes, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor".
            Não se pode negar que existem coisas dentro da própria igreja que afastam os crentes da cruz de Cristo. Especialmente nesta época em que a Teologia da Prosperidade tem-se firmado como crença predileta dos novos crentes, o que temos visto é um afastamento contínuo da verdade bíblica e da simplicidade da mensagem do Evangelho da salvação. Por outro lado, excetuando-se a pregação mesquinha dos apóstolos da prosperidade, até mesmo as obras de misericórdia da igreja devem ser revistas. Para onde eles estão apontando? Quem está em evidência todas as vezes que a igreja do Senhor pratica o bem ao próximo? Quais as suas motivações? Em que isso tem contribuído para atrair as pessoas à Jesus? As afirmações de Francisco são pertinentes e merecem ser debatidas por toda a cristandade.
            Os miseráveis e os oprimidos do mundo necessitam da atenção e do nosso amor solidário. Como cristãos que pregam a justiça, temos o dever ético e moral de estender a mão àqueles que necessitam de cuidados. É o amor prático, essa capacidade de nos doar por pessoas que sequer conhecemos que nos identifica como filhos Deus e discípulos de Cristo. A mensagem da cruz é uma mensagem integral, que revela o amor de Deus pelo pecador e lhe fornece o caminho da salvação, mas é, também, é um apelo à prática das boas obras, à luta política e humanitária pelos pobres e oprimidos do planeta. Todavia, embora a igreja católica latino-americana tenha feito uma opção pelos pobres como legitimidade do evangelho, a mensagem da cruz é um apelo à adesão a Cristo por meio da fé na sua obra expiatória, e isto envolve pessoas de todas as classes, etnias e nacionalidades. A cruz nos mostra que muito mais que pão para saciar a fome, teto para se abrigar, roupas para se vestir, escolas para se educar, hospitais para se cuidar, saneamento básico para viver sem doenças e trabalho para ter dignidade e acesso aos bens materiais, o mundo necessita de salvação. Desta forma, pobres e ricos são a opção de Deus, porque todos fazem parte de um mesmo grupo de seres condenados e carentes de salvação.
             Como despenseira das multiformes graças de Deus, a Igreja organizar campanhas de arrecadação de alimentos para doar a ONGs que atendem a desabrigados e moradores de rua. Ela pode organizar passeatas, abaixo-assinados e mobilizar a opinião pública contra a opressão às minorias e conseguir que o Congresso Nacional aprove leis mais justas. Pode também investir em cursos profissionalizantes para quem não tem condições de pagá-los, em estrutura médica e em toda sorte de aparato para devolver a dignidade ao pobre e libertar o oprimido, como a própria Bíblia nos ordena. Porém, ainda assim ele pode morrer sem jamais ter aceitado a Jesus. Se isto acontecer, a vontade de Deus não se cumpriu em sua vida, pois a vontade de Deus é que nenhum se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento. O Evangelho Integral nos chama para um compromisso social com o mundo, mas é preciso entender que a salvação que o mundo precisa é pela fé, e nisso estão os muito pobres e os muito ricos.
Isto nos chama a uma nova prática evangelística: o evangelho que liberta o espírito e repara as feridas do corpo. Esta é a razão de existir da missão cristã: libertar e salvar vidas integralmente. O corpo sem pão perece hoje, a alma sem Jesus perece eternamente. A Missão Integral precisa exalar o perfume de Cristo, o poder da cruz para não se tornar apenas mais uma organização que faz o bem social. A nossa motivação precisa ser a glória do Senhor. Como bem afirmou o papa Francisco, a Igreja do Senhor não pode ser uma ONG, um grande celeiro de caridade que deseja libertar o oprimido, sem contudo levá-lo ao conhecimento de Jesus. Caridade sem Jesus é caridade mundana. A mensagem que a Igreja precisa propagar através das suas ações sociais é de existe um Deus de amor e caridade, mas que também é justiça e juízo. Embora a ação social possa criar simpatizantes do Evangelho e um exército de assistidos gratos a Deus pelas obras de misericórdia da Igreja, não gera a salvação da alma, com exceções, é claro. A Igreja pode até conquistar a simpatia da população e da mídia, mas não produz verdadeiros discípulos de Jesus.
Eis a grande dificuldade em equacionar pregação da salvação e responsabilidade social. A resposta foi dada e resume-se no fato de que Deus ama a humanidade integralmente. Ele mesmo criou o homem “alma vivendo”, num corpo que criou do pó da terra e que dotou de sentidos, de necessidades físicas, psicológicas, cognitivas, sociais e espirituais. Não existe mistério algum na Missão Integral. Como salvos permanecemos num corpo corruptível e carecemos de atenção integral. Essa mesma atenção devemos direcioná-la para os perdidos. Muitos se converterão e serão salvos, outros apenas serão salvos de suas misérias sociais, mas o bem foi feito, a Palavra foi pregada de forma prática. Importa que o Reino seja mostrado, que a cruz de Cristo seja pregada e que toda ação da Igreja tenha como fim primeiro e único a glorificação do Nome de Deus. Quem crê será salvo e aqueles que não crerem, que apenas se satisfizerem com o pão, sairão ainda vazios e com a alma por ser saciada.
O verdadeiro discípulo de Jesus não está entre aqueles que comeram os pães e os peixes multiplicados, mas entre os que, independente da comida que receberam e dos milagres que presenciaram, permanecem ao lado do Senhor por entender que só Ele tem as palavras de vida eterna. Todos estão perdidos e necessitam de Cristo. É Cristo o diferencial das obras evangélicas para as obras das outras crenças, igualmente caridosas, como o espiritismo. São crenças que investem em toda sorte de ações sociais em prol dos pobres da sociedade, algumas vezes de maneira assistencialista, outras como ações para reintegrá-los à comunidade e garantir seus direitos. Não é necessário crer em Cristo para ser caridoso, mas é necessário crer nele para se salvar e para apresentar a salvação além do corpo. Somente a fé em Cristo salva. A partir da salvação, as obras de misericórdia encontram a sua legitimidade, dignificam o crente como despenseiro das multiformes graças de Deus e fornecem o testemunho vivo da Igreja que demonstra na prática o amor que prega nos púlpitos, nas praças e nas casas. Uma das bandeiras levantadas pelos ateus é a de que não é necessário crer em Deus para fazer boas obras. Deus é inútil para eles, acima de tudo quando observam o péssimo exemplo de muitos crentes e denominações.
Uma das críticas à Missão Integral é que a igreja deve se preocupar apenas com a pregação verbal do Evangelho para a salvação. De fato, todo cristão deve ter uma prática de vida coerente com a fé que professa. Embora isso seja necessário como testemunho diante do mundo do nosso compromisso com o Reino de Deus, a fé na vida dos outros vem pelo ouvir a pregação da Palavra, não apenas o observar das nossas obras. Esta Palavra ouvida e confirmada pode ser recebida com fé e produzir salvação (cf. Hb 2:1-4), ou pode não significar nada para aqueles que a escutaram (cf. Hb 4:1,2). Embora haja resistência à verdade salvadora da cruz, a pregação é necessária para que haja fé. É o que o apóstolo Paulo esclarece na sua epístola aos romanos (10:13-17):

Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois diz Isaías: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.

            Observar o nosso procedimento cristão, receber as obras de misericórdia que praticamos e até mesmo ouvir a Palavra de Deus não é garantia que alguém se converta. Deus sabe os que são seus e o Espírito Santo é quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Como discípulos de Jesus, a nossa missão é apresentar a mensagem da cruz, o Evangelho da salvação, tanto de forma verbal quanto através da prática desse Evangelho. Não a mensagem que as pessoas esperam ouvir de um Deus que é dono do ouro e da prata e que encherá as contas bancárias dos seus filhos de dinheiro e suas vidas de alegria plena e saúde total. Não a mensagem triunfalista que insiste em afirmar que crente não sofre e transforma a fé em moeda de barganha. A fé que o mundo precisa é a do Cristo que morreu pelos nossos pecados, porque nascemos sob condenação e sem Ele nosso destino é o inferno. Longe de ser uma pregação de condenação, essa é uma mensagem sobre o amor e a misericórdia de Deus para conosco, seres imerecedores do seu amor e da sua sublime graça.
            Sobre o nosso procedimento diante das pessoas que jazem no mundo, a Bíblia nos apresenta duas descrições. A primeira diz que os discípulos de Jesus são o sal e a luz do mundo, demonstrando a sua influência e a sua responsabilidade (Mt 5:13-16). O sal deve acrescentar sabor e a luz deve brilhar para que as trevas sejam dissipadas. Diante deste testemunho vivo e coerente do crente com a sua natureza santa, o mundo é obrigado a glorificar a Deus: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (v. 16). Investir no social e acrescentar sabor à vida de pessoas desesperadas e desamparadas, além de aliviar a sua dor, leva-as a dar glória a Deus por nosso intermédio. Mesmo sem reconhecerem a Jesus como Senhor e Salvador, elas olham para as obras da Igreja e dão glórias a Deus, mesmo que jamais frequentem um culto ou a escola bíblica dominical, mesmo que nunca pousem seus olhos sobre a Bíblia para lê-la e aprender dela.
            A segunda descrição, relatada em 2 Pe 2:11,12, diz respeito às injúrias que estavam sendo lançadas sobre os cristãos nos primeiros séculos, como crimes e imoralidades. O chamado do apóstolo é para que aqueles irmãos vivam uma vida santa e irrepreensível, mantendo um procedimento exemplar naquilo em que estavam sendo acusados. Observando as boas obras daqueles irmãos, os gentios glorificariam a Deus no dia da visitação (v. 12). O apóstolo Pedro chama-os a uma fé prática compatível com o seu caráter santo como forma de testemunhar de Cristo: “Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos” (v. 16; cf. Tt 2:8). Novamente vemos que o testemunho da fé evangélica, do procedimento santo daquele que se confessa discípulo de Jesus, leva os descrentes a glorificarem a Deus. Em momento algum, porém, Paulo ou Pedro afirmam que essas pessoas foram salvas, que elas fizeram uma opção por Cristo por meio do testemunho da Igreja.
            Por outro lado, as obras são importantes e são o atestado da nossa fé. Independente se os infiéis aceitarão ou não a Cristo, somos salvos e chamados para as boas obras (Ef 2:8-10). É através da prática das boas obras que demonstramos nosso compromisso com aquilo que cremos. Embora as obras não salvem ninguém, mas apenas a fé na obra salvítica de Cristo, elas confirmam que servimos ao Senhor e que estamos vivos, alicerçados sobre fundamento sólido e seguro. A fé sem obras, de acordo com Tiago, por si só é morta (Tg 2:14-26). Algo morto é algo que não possui vida, que existe, mas não pode produzir nada porque está inanimado. Se por um lado não é certo que as pessoas se converterão ao contemplar nossas obras caridosas, por outro lado é muito pouco provável que elas aceitarão uma mensagem que não produz transformação e atitude na vida dos seus próprios promulgadores, uma mensagem incapaz de sensibilizá-los diante das misérias do ser humano. Daí surgem as críticas contra a Igreja do Senhor, com crentes “sentados, salvos e satisfeitos”; sal que não salga, luz que não ilumina.
            Não é esta a pregação da cruz de Cristo (cf. 1 Co 2:1-2). Ela não é nem fundamentada nas obras de caridade nem é isenta delas. A centralidade da cruz é Jesus Cristo e este ressuscitado. Os apóstolos não apresentam Jesus como o Cristo pendurado no madeiro apenas, mas procuram enfatizar a sua vitória sobre a morte, ressuscitando dentre os mortos. Se olharmos as mensagens no livro de Atos, veremos que elas giram em torno do Jesus ressuscitado (cf. 2:24,32; 3:15,26; 4:10; 5:30; 10:40; 13:30; 17:31). Outros ensinos das epístolas também corroboram com a mensagem triunfal de Jesus (cf. Rm 1:14; 4:25; 6:9; 8:34; 1 Co 6:14; cap. 15; Ef 1:20; 2:6; Cl 2:12; 3:1; 2 Tm 2:8; 1 Pe 3:21). É esta a mensagem que o mundo necessita ouvir: Cristo ressuscitou! Ele vive eternamente e em breve virá buscar os que são seus, dando-lhes a vida eterna para sempre nos céus. É uma mensagem escatológica e ao mesmo tempo atual e transformadora, porque resgata o pecador do império das trevas e torna-o filho de Deus. A cruz transforma a vida, muda o caráter, santifica, justifica, purifica. Mas a cruz também promove o desejo de justiça, a solidariedade, o compromisso responsável por aqueles que padecem de opressão neste mundo caído.
            Os sinais que Jesus fazia (curas e milagres), o perdão aos pecadores, a proclamação da boa nova do Reino dos céus, não eram um fim em si mesmo. Todas estas coisas eram sinais do Reino de Deus, sua presença atual (na época de Jesus e na nossa) e vindoura (a parousia). Todos eles eram acompanhados da mensagem de Cristo: arrependimento e conversão para a vida eterna; obediência a Deus e fé na sua Palavra. O próprio Senhor Jesus enxergava na multidão ávida por caridade, pessoas que de modo algum criam nele e nos seus sinais, mas agiam motivadas por seu próprio interesse: “Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que prece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (Jo 6:26,27).
Jesus os chama a irem além de seus desejos mundanos, de suas preocupações mesquinhas. Muito mais que pão para saciar a fome do corpo, as pessoas precisam de Jesus para saciar a fome da alma. Por isso o papel da Igreja se torna ainda mais importante. As empresas e as estrelas hollywoodianas investem pesado em ações sociais no cuidado com o pobre, com os desabrigados, com os esfomeados, com os despossuídos, com os indígenas, com as marginalizados. Comparada com eles, a Igreja tem feito muito pouco e a grande maioria das denominações, nada. Mas quando a Igreja age, quando ela intervém, quando ela se importa, quando ela se propõe a mudar a sociedade, deve fazê-lo no poder de Jesus Cristo, seguindo a orientação do Espírito Santo e para a glória de Deus. A Igreja não é uma ONG, não é mais um órgão secular preocupado com o bem-estar das pessoas: ela é o corpo de Cristo preocupado com o bem-estar das pessoas.
Os sinais da igreja precisam ser sinais de salvação da alma, sem deixar de se importar com a libertação do corpo. Isto significa não desprezar o valor das obras sociais da Igreja e afirmar que elas são necessárias. Mas a Igreja não pode fugir à sua missão de conduzir as pessoas à fé para a salvação. Esta é a essência da Grande Comissão. Que sinais a Igreja tem mostrado no mundo para apresentar a presença viva do Reino de Deus? Tais sinais são verdadeiramente frutos da mensagem da cruz e da transformação causada por ela na vida dos cristãos? Ou eles fazem apenas propaganda das igrejas e dos pastores? Não basta a caridade, é preciso viver a cruz, apontar para a cruz. Como já dissemos, mesmo aqueles que se declaram ateus podem praticar obras de caridade, distribuir cestas básicas, visitar campos de refugiados, criar campanhas de arrecadação de donativos para vítimas de catástrofes naturais, fazer doações em dinheiro para ONGs seculares que ajudam os necessitados e oprimidos.
            O mundo produz caridade, mas não tem a autoridade e a comissão dadas aos cristãos de pregar o Evangelho. Eles matam a fome do pobre, ensinam os miseráveis a batalhar pelo pão de cada dia, mas não são capazes de indicar-lhes o caminho que pode lhes dar a verdadeira vida em abundância nos céus. Eles ajudam os pobres a se tornarem empreendedores de sua própria libertação social, mas continuarão perdidos e sem Cristo no mundo. Somente a Igreja de Cristo pode oferecer a libertação integral. Então não basta a caridade, é preciso apontar para a cruz, viver plenamente a cruz em cada passo que a Igreja dá. Precisamos lembrar porque que os discípulos não abandonaram Jesus quando todos já tinham ido embora. É o apóstolo Pedro quem nos faz recordar: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Jo 6:68,69). A obra de Deus é que creiamos naquele que Ele enviou: o Senhor Jesus Cristo (v. 29).
            Transformar a Igreja numa ONG é ir na contramão da verdade bíblica, mas negar a realidade da Responsabilidade Social cristã presente na Missão Integral é um erro ainda maior. O próprio Senhor Jesus operou milagres, multiplicou pães, ressuscitou mortos, e ainda assim muitos, talvez a grande maioria, não creram nele, “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder se serem feitos filhos de Deus, a saber: aos que creem no seu nome” (Jo 1:12). Levar ao mundo a Palavra viva de Deus é o chamado da Igreja. Esta Palavra deve refletir nosso caráter cristão, deve fazer sentido através da prática das boas obras. Ela precisa ser pregada com a vida e com o exemplo, com a prática do amor abnegado e incondicional pelas almas perdidas, pelos oprimidos do mundo. Ela precisa ser verbalizada, pregada. As igrejas neopentecostais e sua Teologia triunfalista da prosperidade têm levado muitas pessoas a crer nas bênçãos de Deus, nos seus direitos aos tesouros dos cofres celestiais, no poder do Nome de Jesus, na conquista de empregos e empreendimentos, mas não tem mostrado o sangue derramado na cruz do calvário pelo perdão dos nossos pecados.
            A Igreja do Senhor é chamada a fazer diferença no mundo, o que significa ser diferente dele. O mundo, embora caído e opressor, tem erguido frentes de batalha contra a opressão, as ditaduras, o capitalismo selvagem, o preconceito e a discriminação; tem aberto sua mente e coração para a liberdade, a igualdade e a fraternidade. A intolerância tem sido combatida, os corruptos têm sido presos, a justiça social tem sido pregada. Nisto tudo podemos enxergar o mover de Deus, a sua graça comum trabalhando no mundo para diminuir um pouco do sofrimento humano. Mas a Igreja é portadora da solução verdadeira, da chave para uma vida plena que Deus entregou nas suas mãos a pregação do Evangelho Integral. Eis o nosso diferencial, a nossa missão, a nossa razão de existir. Ou pregamos a integralidade da cruz de Cristo, ou já não somos Igreja. Somos uma ONG, mas jamais a verdadeira Igreja do Senhor.

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