sábado, 30 de março de 2013

CRISTO: O VERDADEIRO FUNDAMENTO DA IGREJA


O verdadeiro fundamento


         Em primeiro lugar não é Pedro a pedra fundamental da igreja, mas o próprio Cristo. A passagem de Mateus 16:13-20 refere-se a Pedro na segunda pessoa (tu), mas “esta pedra” refere-se à terceira pessoa. “Pedro” (petros) é um termo masculino singular, e “rocha” (petra), é um termo feminino singular. Quando Jesus fez esta declaração, queria afirmar que Ele mesmo, “o Filho do Deus vivo”, seria a base da Nova Aliança, fundada não por mãos humanas, mas pelo seu sangue derramado na cruz para a salvação da humanidade. Pedro, homem pecador, jamais poderia ser uma base bastante sólida. Pedro, não morreu por nós nem ressuscitou. Cristo sim.
         Jesus Cristo é a pedra angular da sua igreja (Isaías 28:16; Salmo 118:22; Mateus 21:42-44; Atos 4:11; Romanos 9:33; 1 Coríntios 10:4; Efésios 2:20). O próprio Pedro, a quem os católicos romanos insistem em chamar de “Pedra fundamental da igreja”, afirma que é Jesus a pedra (1 Pedro 2:6-8). Porque escolher Pedro e não Cristo como fundador da igreja? Por que não aceitar a doutrina bíblica como ela é? Existe algum mal em se ter Jesus como o cabeça e fundamento seguro da igreja? Podemos arriscar aqui uma suposição para explicar este modo de pensar: sendo Jesus de sacerdócio eterno, seria inviável uma legião de papas eleitos de tempos em tempos. Pedro seria muito mais manipulável. Sendo Pedro sujeito ao erro, seria mais fácil justificar que os seus sucessores também pudessem errar. Mas sendo Jesus o próprio Deus e isento de culpa ou mácula, seria impossível justificar as centenas de erros cometidos no decorrer dos séculos. Sendo Pedro a pedra fundamental, a hierarquia estaria garantida. Mas e sendo Jesus? Seria inviável.
         Algumas literaturas católicas, para provar que Pedro foi o primeiro papa e que o atual é seu sucessor legal, apresentam uma lista de papas desde Pedro até João Paulo II, o atual Bispo de Roma, querendo com isso, inclusive, provar que a igreja católica romana é a verdadeira. Mas quem fez esta lista? Quem nomeou estes papas? Sucessores de Pedro? Pode até ser que sim, mas nenhum é sucessor de Cristo e é sobre Ele que o verdadeiro cristianismo, a verdadeira igreja de Cristo é fundamentada. É sobre Ele que a igreja católica estava baseada até entregar-se ao paganismo, permitindo a entrada de ídolos pagãos, crenças e festas pagãs em seu meio para ganhar a muitos, sem a qualidade que o Evangelho recomenda. O protestantismo surgiu como uma luz nas trevas, contra as indulgências heréticas e a idolatria generalizada. Deste fato histórico, através do instrumento Martinho Lutero, é que surgiram as igrejas protestantes, voltando às origens do cristianismo. É certo que com alguns erros e excessos, mas purificando-se a cada dia, o que não impede o surgimento de seitas, pois o homem é de todo mal e quer usar até mesmo a Bíblia para seus piores intentos.
         Além disso, a mesma autoridade que Jesus deu a Pedro também outorgou aos demais Apóstolos em Mateus 18:18. Se Pedro foi o primeiro papa da história, no mínimo foi um papa bastante diferente dos que o sucederam. Além de ter sido repreendido por Cristo imediatamente após a sua “ordenação” – o que denuncia a sua falibilidade (Mateus 16:23) – ele era financeiramente pobre, isto é, não morava numa suntuosa Catedral nem tinha um país só para ele. Além disso, ao contrário da maioria de seus posteriores colegas de Ordem, ele era casado (Mateus 8:14,15). Pedro também não aceitava que se ajoelhassem diante dele, lhe prestando homenagens, rejeitando a adoração pelo centurião Cornélio (Atos 10:25,26). Além de se achar repreensível por Jesus, Pedro também o foi para o Apóstolo Paulo (Gálatas 2:11-14). Não era Pedro, o “Príncipe dos Apóstolos”, o pastor da primeira comunidade cristã, em Jerusalém, mas Tiago (Atos 15).
         A autoridade papal sobre a igreja não tinha sido cogitada até o ano 440 d.C., quando Leão I foi o primeiro a sustentar sua autoridade sobre os demais. Ele é considerado pelos historiadores como sendo o primeiro papa, embora não o tenha sido oficialmente. Historicamente o papado começa no ano 609 d.C. como poder central, mantendo sob seu regaço toda a hierarquia católica romana. Nos Evangelhos, no livro de Atos ou nas epístolas não existe nenhuma indicação de que Pedro tenha feito uso do poder que a igreja romana pretende lhe conferir. Um exame honesto do Novo Testamento mostrará isto claramente.
         Ainda, embora Pedro tenha pregado o primeiro sermão após o recebimento do Espírito Santo, a sua participação na obra missionária da igreja está muito longe de ser a de apóstolo-chefe. Ele era, sim, um dos mais excelentes Apóstolos. Paulo, podemos supor, reuniria mais condições para ser considerado como apóstolo-chefe. Ele alegou ter recebido sua revelação independente dos outros Apóstolos (Gálatas 1:12; 2:2); estar no mesmo nível de Pedro (Gálatas 2:8), utilizando sua revelação para repreender a Pedro (Gálatas 2:11-14). Pedro foi enviado com João numa missão na Samaria, isto mostra que ele não era um apóstolo superior (Atos 8:14). Ele está em foco do capítulo 1 até o 12 do livro de Atos, mas do capítulo 13 ao 28 o foco principal é Paulo. Além disso foi Paulo quem escreveu a maioria das epístolas, inclusive com ensinos doutrinários que cabem, nos dias de hoje, ao papa, que no caso deveria ser Pedro.

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