sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM - algumas considerações







            Quem é Deus? Quem é Jesus Cristo? Quem é o Espírito Santo? Todos os cristãos do mundo inteiro conhecem as respostas que respondem a estas três perguntas. E sabem também que os três são apenas UM: Jeová. Antes de dar início ao que pretendo escrever aqui, gostaria que o leitor se recordasse do que sabe a respeito das três pessoas da Trindade nos seguintes termos:

·         Seu poder em criar e manter o mundo e tudo o que nele há.
·         A existência humana pelas mãos do Deus criador, sua origem e seu destino após a morte.
·         Os Deus imanente e transcendente.
·         A natureza de Deus: Deus é Espírito e é pessoal, ele age e interage conosco.
·         O seu caráter perfeitamente bom, repleto de amor e de justiça, mas também de juízo.
·         A sua relação com o universo: governando-o e sustentando-o pelo seu poder.
·         Os atributos naturais de Deus: Onipresença, Eternidade, Onisciência, Sabedoria, Onipotência, Soberania, Constância.
·         Os seus atributos morais: Bondade, Amor, Santidade, Justiça.
·         A pessoa de Jesus Cristo: seu papel na criação do Universo e do homem, sua obra salvítica (vida, morte, ressurreição, ascensão, glorificação, segunda vinda).
·         O caráter de Cristo como Mestre, Amigo, Pastor.
·         Sua santidade, sabedoria e servidão.
·         O poder de Cristo para salvar o homem, libertá-lo e remi-lo pelo seu sangue precioso derramado na cruz.
·         O papel único de Cristo como Sumo sacerdote, Mediador entre Deus e os homens, fundamento e noivo da Igreja.
·         A figura de Jesus como Deus, Soberano Senhor, Salvador e Rei.
·         O Jesus que responde nossas orações, que nos consola, que nos enche com seu poder, que nos governa e nos conduz em vitória.
·         Toda autoridade de Cristo e seu poder para operar segundo a vontade do Pai.
·         O Espírito Santo que convence do pecado, da justiça e do juízo.
·         O arrependimento e a fé para a salvação que o Espírito Santo produz na vida do pecador.
·         A Santificação que Ele opera na vida do crente, sua consolação e capacitação para a obra de Deus.
·         O seu selo que nos identifica como filhos da promessa e de Deus, que nos separa do mundo e nos consagra para servimos a Deus por meio de Cristo.
·         O poder da Trindade, operando eficazmente na vida do ser humano, Autossuficiente, Toda-poderosa.
·         A incapacidade do homem em ser bom e justo e em prover salvação a si mesmo.
·         A dependência total do homem de Deus.
·         A inutilidade das obras do homem em favor próprio, tanto para salvar-se, quanto para agradar a Deus.
·         A necessidade da graça salvadora e santificadora, que é a única capaz de produzir algo bom no ser humano, de modo que ele produza o bem pretendido por Deus.
·         A necessidade de Deus que o homem tem e que nada nem ninguém, a não ser o próprio Deus trino, pode satisfazer.

Um breve estudo da epístola de Paulo aos romanos mostrará que nada somos sem Deus e que sem Ele nada podemos realizar. Mostrará ainda que tudo o que precisamos está nele e se quisermos algo devemos nos dirigir a Ele da maneira que o Senhor Jesus nos ensinou: em seu Nome. Somente por meio de Cristo podemos ir a Deus. Somente o Deus trino deve ser glorificado, servido, adorado, cultuado. A Bíblia, em texto algum, mostra que existe um meio para chegar a Cristo que não a fé o próprio Cristo, e esse nos conduz diretamente a Deus. As três pessoas da Trindade nos bastam.
É por meio de Cristo, apenas de Cristo, que recebemos a graça de Deus, tanto a graça salvadora quanto suas graças, isto é, suas ricas bênçãos que Ele amorosamente derrama sobre nós. E isto está muito bem explicado na Bíblia. Nós nada merecemos, nada podemos fazer para agradar a Deus de modo a receber dele tais graças, por isso o nome é GRAÇA, um dom imerecido. Se Deus fosse nos abençoar por nossos méritos, estaríamos irremediavelmente perdidos. Leia o capítulo 3 de Romanos! É pela graça, somente por meio dela que nos achegamos a Deus. Nada precisamos fazer para merecer algo de Deus e nada podemos fazer para retribuir o que Ele fez por nós em Cristo e continua fazendo todos os dias. E não precisamos!
Assim escreveu o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo: “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos11:36). Tudo começa nele, se desenvolve nele e volta para Ele. Eis a razão porque enfatizei todas estas verdades que podem ser comprovadas à luz da Bíblia Sagrada, da Palavra de Deus inspirada: dando andamento aos meus estudos a cerca da doutrina católica-romana sobre Maria, mãe de Jesus, deparei com um livro que pode ser considerado um dos mais importantes dentro da Mariologia, por trazer a sistematização da verdadeira devoção católica a Maria. O livro escrito pelo santo católico Luís Maria Grignion de Montfort, chama-se “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem” e traz declarações impressionantes que colocam Maria no centro da adoração católica, com a desculpa de ser este o meio escolhido por Deus para levar os homens até Jesus.
Em sua obra, o referido santo (p. 241, 244, 245, 249 – grifo meu). coloca as coisas da seguinte maneira:

É preciso fazer todas as ações por Maria, quer dizer, em todas as coisas obedecer à Santíssima Virgem, e em tudo conduzir-se por seu espírito, que é o santo espírito de Deus (...) É mister fazer todas as ações com Maria, isto é, em todas as ações olhar Maria como um modelo acabado de todas as virtudes e perfeições, que o Espírito Santo formou numa pura criatura, e imitá-lo na medida de nossa capacidade (...) É precisa fazer todas as ações em Maria (...) É preciso fazer finalmente todas as ações para Maria.

O autor exorta seus leitores a entregarem toda a sua vida, suas ações e suas obras à Maria, consagrando-se completamente a ela. Sobre essa necessidade extremada da consagração a Maria para agradar a Deus, S. Luís cita a total dependência que Jesus teve de Maria durante seus 30 anos em que esteve com ela. Ele assevera que Jesus “deu mais glória a Deus seu Pai durante todo esse tempo de submissão à Santíssima Virgem, como não lhe deu empregando os últimos três anos de sua vida a fazer prodígios, a pregar por toda parte, a converter os homens. Oh, que grande glória damos a Deus, submetendo-se a Maria, a exemplo de Jesus”. Creio que o leitor deve ter sentido, assim como eu, uma pontada no coração ao perceber que, para o santo católico, a dependência de Jesus por Maria glorificou mais a Deus que a salvação que Ele trouxe aos homens! Isto é: Maria está acima da própria obra salvítica de Jesus e é mais importante que a remissão dos pecados.
O autor continua e mostra a estreita relação de dependência de Maria por parte da Trindade. Aquela Trindade Onipotente, Onipresente e Onisciente que relembramos acima, é totalmente submissa a necessidade de escravização do fiel católico a Maria. Vejamos (p. 135, 136):

Deus Pai nos deu e dá seu Filho por ela somente, só produz outros filhos por meio dela, e só por intermédio dela nos comunica suas graças. Deus Filho foi formado para todo o mundo, por ela, e não é senão por ela que é formado todos os dias, e gerado por ela em união com o Espírito Santo, e ela é a única via pela qual nos comunica suas virtudes e seus méritos. O Espírito Santo formou Jesus Cristo por meio dela, e por meio dela forma os membros de seu corpo místico, e só por ela nos dispensa seus dons e favores.

            Amado leitor ou leitora, católico(a) ou não, releia o texto acima e responda: existe qualquer versículo em toda a Bíblia – seja a versão católica, a protestante, a dos Testemunhas de Jeová, a Torá ou qualquer uma outra – que confirme o que acabamos de ler? Um versículo apenas, somente um, que manifeste claramente o que o santo católico afirmou em seu livro? Eis o que Montfort “profetizou” a respeito de sua própria obra, escrita no século XVIII (p. 122):

Vejo, no futuro, animais frementes que se precipitam furiosos para dilacerar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que ele não apareça.

            Talvez eu seja um desses “animais frementes”, mas creio não estar sendo movido por “dentes diabólicos”, mas pelo Espírito Santo de Deus. Outras declarações contidas neste pequeno livro mostram em que lado realmente o diabo estava operando:

Ou, ainda, pedi a Jesus, em união com Maria, que, por meio dela venha à terra o seu reino, ou a divina sabedoria, ou o amor divino, ou o perdão de vossos pecados, ou qualquer outra graça, mas sempre por Maria e em Maria (p. 255).

Esta boa Mãe, depois de receber a oferenda perfeita que lhe fizemos de nós mesmos e de nossos próprios méritos e satisfações, pela devoção de que falei, depois de nos ter despojado de nossos antigos hábitos, limpa-nos e nos torna dignos de aparecer diante de nosso Pai celeste (p. 195).

Deus, feito homem, encontrou sua liberdade em se ver aprisionado no seio da Virgem Mãe; patenteou a sua força em se deixar levar por esta Virgem santa; achou sua glória e a de seu Pai, escondendo seus esplendores a todas as criaturas deste mundo, para revelá-las somente a Maria; glorificou sua independência e majestade, dependendo desta Virgem amável, em sua conceição, em seu nascimento, em sua apresentação no templo, em seus trinta anos de vida oculta, até a morte, a que ela devia assistir, para fazerem ambos um mesmo sacrifício e para que ele fosse imolado ao Pai eterno com o consentimento de sua Mãe, como outrora Isaac, com o consentimento de Abraão à vontade de Deus (p. 27).

            Esses breves trechos exemplificam o que o autor sente por Maria e nos dão apenas uma amostra do que trata seu livro. E o que as autoridades da Igreja Católica Apostólica Romana dizem a respeito disso? Embora o Concílio Vaticano II tenha procurado amenizar um pouco o discurso triunfalista sobre Maria, colocando-a como figura histórica e humana na sua teologia, sabemos que não é bem isso que acontece na prática. A devoção escrava a Maria permanece firme e todos os escritos antigos, mesmo os mais triunfalistas como o de Montfort, o de Ligório e o de Roschini, continuam bastante atuais. A respeito do Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem e do seu autor, o padre F. W. Faber, no prefácio dessa obra, escreve (p. 11): “A 12 de maio de 1853, foi promulgado, em Roma, o decreto que declara os seus escritos isentos de todo erro que pudessem servir de obstáculo à sua canonização”.
            Como os Bispos de Roma são isentos de erros teológicos, pois ocupam a cátedra de Pedro e falam em nome de Jesus, como se Ele próprio falasse, o fiel católico é levado a crer que as seguintes declarações de Montfort são dignas de fé, inspiradas e isentas de qualquer equívoco (p. 20-23):

Os santos disseram coisas admiráveis desta cidade santa de Deus... E, depois, proclamaram que é impossível perceber a altura dos seus méritos, que ela elevou até ao trono da Divindade, que a largura de sua caridade, mais extensa que a terra, não se pode medir; que está além de tôda compreensão a grandeza do poder que ela exerce sobre o próprio Deus... Todos os dias, dum extremo da terra a outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria... os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, a proclamá-la bem-aventurada. Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genitrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave, Maria... prostrando-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-los com suas ordens... Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades... Devemos, portanto, exclamar como o apóstolo: Nec oculus vidit, Nec audivit, Nec in cor hominis ascendit (1 Cor 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e as excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória.

            Essas palavras, o fiel precisa crer porque São Luís não erra nunca em sua doutrina, são dignas de fé. Mas elas não são nada para se comparar com o restante da obra e com a obra dos autores supracitados. Para completar este breve relato, gostaria de incentivar o leitor a ler neste mesmo blog as impressionantes semelhanças entre Maria e a Trindade. Que o Senhor Deus coloque na boca de seus profetas a Palavra da verdade, para que, pregando, possam fazer Jesus conhecido do mundo todo, em especial dos católicos, que permanecem perdidos em suas doutrinas e escravos de alguém que já morreu: Maria, quando deveriam exaltar e honrar o único Deus e Senhor Jesus Cristo.

Mizael de Souza Xavier.
18 de janeiro de 2013. 

5 comentários:

  1. Eu ficaria com muito medo desta escritura em Gálatas 1:8, 9 e 10. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos agora de novo também vo-lo digo. se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. a salvação é somente por Cristo, a salvação vem dos judeus e não de Roma. Somente Cristo é sacerdote segundo a ordem de Mesquisedeque e intercede pelos salvos.

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  2. Porque você não faz as citações de forma correta? Você cortou as partes em que o autor explica cada uma de suas afirmações. Se for para pegar partes isoladas dos escritos e tirar suas conclusões sobre elas, até as sagradas escrituras podem estar erradas. Você está buscando o que lhe convém, e não a verdade!

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    1. Este estudo é bem maior e tem mais de 300 páginas... postei apenas uma milésima parte dele.. com certeza explico bem melhor, mas aqui não cabe

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  3. O quarto mandamento da lei de Deus ensina: "Honrarás os teus pais". Jesus, Perfeito Deus e perfeito homem, disse no Evangelho: "Eu não vim para abolir a Lei e os profetas, mas para cumprir"(São Mateus 5, 17). Se Jesus não amasse sua Mãe de todo o coração, como Jesus cumpriria este mandamento? E se nós, na terra, amamos nossos pais e fazemos tudo por eles, como nossos genitores, e sabendo que esta é a Vontade de Deus, como não deveria ser o amor de Jesus por sua Mãe e por São José que serviu como Protetor da Sagrada Família? E no céu, pediremos a Deus por aqueles que ficaram neste mundo, a fim de que o Senhor os conduza ao Paraíso, porque os amamos e queremos aquilo que Deus quer para eles: a salvação. Ora, Jesus é Deus. Tudo aquilo que sua Soberana Vontade deseja se cumpre, pois é o Criador de todas as coisas. No Céu, Jesus não somente pediu por sua Mãe que ficou na terra, mas, movido por seu Amor Infinito e Onipotente, conduziu sua Mãe à mais alta glória que uma criatura poderia aspirar, e a colocou no posto mais alto do Céu, como Rainha dos Anjos e dos homens. Jesus não ficará indiferente diante das súplicas daqueles que na terra, tiverem amado e venerado sua Mãe Santíssima, e depositado nela a sua confiança.

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    1. Por favor, cite os versículos bíblicos que comprovam: "No Céu, Jesus não somente pediu por sua Mãe que ficou na terra, mas, movido por seu Amor Infinito e Onipotente, conduziu sua Mãe à mais alta glória que uma criatura poderia aspirar, e a colocou no posto mais alto do Céu, como Rainha dos Anjos e dos homens. Jesus não ficará indiferente diante das súplicas daqueles que na terra, tiverem amado e venerado sua Mãe Santíssima, e depositado nela a sua confiança."... Amamos e respeitamos nossa mãe, mas não erigimos altares para ela, não carregamos suas imagens em proceissões, não as veneremos nem adoramos em cultos intermináveis, não nos ajoelhamos diante dela.. Eu amo a minha mãe, mas jamais a adorarei.

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